Viagem a Fontainebleau – França

Por Stelson Santos Ponce de Azevedo&*

<spaponce@hotmail.com>

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De Rambouillet, lançamo-nos na direção geral de sudeste em busca de Fontainebleau, sessenta e cinco milhas adiante.

Fontainebleau é uma petite village, engrandecida por seu adorável e histórico Château. Ele era um simples pavilhão de caça no séc X. Mas, particularmente depois de Francisco I (início do séc XIV), que o reformou em estilo renascentista italiano (como sempre; o estilo passou a ser conhecido como Escola de Fontainebleau), passou a ser um dos retiros preferidos dos Reis de França. Vários nasceram e morreram lá.

O Castelo foi palco de momentos políticos importantes como a revogação, por Louis XIV, do Édito de Nantes (1685) que deu origem a uma sangrenta perseguição religiosa dos protestantes e a abdicação de Napoleão em 1814. Seu interior é magnificamente decorado. Seus jardins são belíssimos.

Já passava da sétima hora e resolvemos “fazer uma boquinha” em um restaurant nas proximidades do Palácio. No menu, magret de canard (peito de pato; uma delícia), com rodelas de batata ao forno.

 

 

 

 

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Stelson Ponce de Azevedo se dedica a escrever uma coleção de livros de turismo com o intuito de dar dicas para quem quer viajar mais de 15 dias. Stelson prioriza itinerários culturais sempre inseridos na vida local. O autor passa em média um ano em casa país anotando tudo o que vê, come e sente.

 

Cinco alimentos que fortalecem o sistema imunológico

Você sofre de resfriados e gripes com mais freqüência do que gostaria? Existe uma maneira de evitá-los sem recorrer a remédios ou vitaminas extras.

Uma mudança na alimentação pode ser suficiente para acabar com os resfriados recorrentes. Alguns alimentos fortalecem a defesa do organismo para combater doenças e vencer a batalha contra bactérias e vírus.

“Uma dieta equilibrada que inclua legumes, frutas e outros produtos naturais é a melhor maneira de fornecer ao sistema imunológico vitaminas e minerais que vão fortalecê-lo”, disse à BBC Emma Williams, da Fundação Britânica de Nutrição.

Aqui está uma lista de cinco alimentos que ajudam a combater os invasores do corpo.

Moluscos

Molusco (Thinkstock)
                        Moluscos contêm zinco, componente essencial do sistema imunológico celular                    

Esses animais marinhos, entre eles mariscos, ostras e lulas, contêm zinco, um componente essencial do sistema imunológico celular.

De acordo com um artigo na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, no corpo humano, quando há uma deficiência deste elemento, as células de defesa (ou linfócitos), que coordenam a resposta imune celular, não funcionam de forma adequada.

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No entanto, é importante ter em mente que o excesso dessa substância pode inibir o mecanismo de defesa do organismo contra a doença.

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em Inglês), a quantidade diária recomendada de zinco para as mulheres é entre 4 e 7 miligramas e para homens é entre 5 e 9 mg.

Iogurte

Iogurte (Thinkstock)
                        Produtos lácteos fermentados têm “bactérias boas”                    

Assim como outros produtos lácteos e fermentados, esse alimento tem probióticos, também conhecidos como “bactérias boas”.

São microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, são capazes de regular a resposta do sistema imunológico, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, por sua sigla em Inglês).

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De acordo com um artigo da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, os probióticos têm vários benefícios para os seres humanos, incluindo a prevenção de gripes e resfriados, além de diminuir a gravidade dos sintomas, caso a doença não possa ser completamente evitada.

Ainda segundo o mesmo documento, as “bactérias boas” também ajudam a prevenir infecções vaginais, do trato urinário e também a acelerar a recuperação de certas infecções intestinais, como a síndrome do intestino irritável.

Alho

Alho (Thinkstock)
                        O alho tem propriedades capazes de combater infecções e vírus                    

Em testes laboratoriais, os investigadores descobriram que o alho tem propriedades que permitem combater a infecção, as bactérias, vírus e fungos.

Embora mais estudos sejam necessários para determinar os benefícios específicos dessa planta em humanos, uma pesquisa feita nos países do sul da Europa encontrou uma ligação entre a freqüência de consumo de alho e cebola e uma redução do risco do desenvolvimento de certos tipos câncer.

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De acordo com a WebMD, um site americano com informações relacionadas a saúde, o alho tem uma variedade de antioxidantes que ataca os “invasores” do sistema imunológico. “Um de seus alvos é a Helicobacter pylori, uma bactéria associada com algumas úlceras e câncer de estômago.”

Cereais

Cereais (Thinkstock)
                        A vitamina B6 é encontrada em cereais como o trigo e a aveia                    

Vários estudos científicos sugerem que a deficiência de vitamina B6 – encontrada na aveia, no germe de trigo e de arroz – diminui a resposta do sistema imunológico.

Um exemplo disso, de acordo com um artigo na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, nos EUA, é a capacidade das células de amadurecerem e se transformarem em vários tipos de linfócitos.

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Quantidades moderadas de cereais para complementar o nível de deficiência de vitamina B6 restaura o funcionamento do sistema imunológico.

“Grãos (carne, peixe, nozes, queijo e ovos) também têm selênio, que também beneficia o sistema imunológico, diminui as doenças infecciosas em idosos e ajuda na recuperação de crianças com infecções do trato respiratório”, Williams explica.

Frutas cítricas

Laranja (Thinkstock)
                        A vitamina C pode ajudar com que a gripe seja mais rápida e menos grave                    

De acordo com um artigo da National Library of Medicine, os resfriados de pessoas que consomem regularmente a vitamina C, presente em frutas cítricas,  podem durar menos tempo e os seus sintomas nesses casos são geralmente menos graves.

“Em adultos, a duração é reduzida em 8% e em crianças por 13,6%. Estudos têm mostrado que, em pessoas que fazem exercício físico nos meses de inverno ficando exposto ao frio extremo, o consumo de vitamina C reduziu pela metade a chance de ficar resfriado “, acrescenta Williams.

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Deve-se considerar, no entanto, que, uma vez que já se tem a doença, as frutas cítricas não têm efeitos terapêuticos.

A vitamina C é importante para a formação da proteína usada na pele, tendões, ligamentos e vasos sanguíneos.

Fonte: BBC Brasil

Remédios na natureza faz peixes machos ficarem femininos

Peixe

                        Características femininas em peixes machos foram notadas pela primeira vez nos anos 90.                    

Nós, seres humanos, tomamos paracetamol para dor de cabeça, contraceptivos para evitar a gravidez e Prozac para a depressão.

Mas para onde vão os resíduos destas substâncias uma vez cumprida a sua função?

O corpo humano elimina muitos dos medicamentos que ingerimos através da urina. A urina vai para os esgotos e, depois de atravessar um sistema imperfeito de purificação, os resíduos desembocam nos rios que alimentam o planeta.

Embora as concentrações de drogas na água sejam baixas, as conseqüências destas para os ecossistemas não deixam de ser preocupantes: desde peixes machos que adquirem características femininas até aves selvagens que perdem a vontade de comer, além de populações inteiras de peixes e outros organismos aquáticos dizimadas.

Diversos estudos sobre o impacto da poluição farmacêutica sobre a vida selvagem apontam que o uso crescente de drogas projetadas para serem biologicamente ativas em baixas doses pode estar causando uma crise global da vida selvagem.

“As populações de muitas espécies que vivem em paisagens alteradas pelo homem estão encolhendo por razões que não podemos explicar completamente”, disse a pesquisadora Kathryn Arnold, da Universidade de York, na Inglaterra.

“Acreditamos que é hora de explorar novas áreas, como a poluição farmacêutica.”

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Machos femininos

Para os seres humanos, no entanto, a presença de drogas em baixa concentração na água não é um problema: seria necessário tomar entre 10 milhões e 20 milhões de litros de água da torneira para ingerir medicação suficiente para, digamos, aliviar uma dor de cabeça.

No caso dos peixes, a história é outra.

O biólogo John Stumper, da universidade britânica de Brunel, foi um dos primeiros a estudar os peixes machos com características femininas descobertos na década de 90.

Estorninhos voam no céu de Roma

                        Estorninhos, como os que voam nos céus de Roma, são afetados por drogas encontradas na água                    

“A primeira coisa que descobrimos foi que havia muitos peixes nos rios que tinham proteína do sangue que é comumente conhecida como a gema. A síntese desta proteína no fígado é controlada pelo (hormônio) estrogênio”, disse a Stumper à BBC.

Ele explica que mesmo os peixes machos – que não produzem quantidades significativas de estrogênio e, portanto, não têm gema – apresentavam uma alta concentração dessa proteína. “Especialmente aqueles que habitavam os rios perto de uma estação de tratamento “, notou Stumper.

“Uma vez que eram os machos que estavam se tornando mais femininos e não o contrário (fêmeas adotando características mais masculinas), achamos que a causa poderia ser o estrogênio.”

Stumper estava certo: estudos posteriores confirmaram que essas mudanças estavam relacionadas à presença de resíduos de contraceptivos na água.

“Em nível molecular, os peixes são extremamente semelhantes a nós”, disse o biólogo. Assim, quase todos os fármacos para seres humanos têm um efeito sobre os peixes.

Impactos

De acordo com um relatório da Agência Federal Ambiental da Alemanha, as drogas para os seres humanos que mais causam desequilíbrios ambientais são os hormônios, antibióticos, analgésicos, antidepressivos e drogas para combater o câncer.

Entre os medicamentos veterinários, o relatório destaca os hormônios, antibióticos e parasiticidas.

Assim como os hormônios sexuais sintéticos, os antidepressivos se dissolvem em gordura, não na água. Por isso, podem entrar na corrente sanguínea dos organismos expostos à água contaminada.

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Um estudo de Kathryn Arnold que deve ser publicado no fim deste mês sugere que este fator está afetando o comportamento e a capacidade dos estorninhos, um tipo de pássaro, de se alimentar.

Estação de tratamento de água

                        Pode-se melhorar qualidade do tratamento da água, mas solução é custosa                    

Arnold e colegas da Universidade de York analisaram como o Prozac impacta essas aves, que se alimentam de lagartas, vermes e moscas em áreas próximas a estações de tratamento de resíduos.

Estes organismos, por sua vez, se alimentam de alimentos encontrados na área – em geral, contendo altos níveis de fármacos, principalmente Prozac.

“No inverno, as aves tendem a consumir um bom café da manhã, beliscar ao longo do dia e comer bem antes de escurecer”, disse a pesquisadora.

Sob o efeito do antidepressivo, elas não faziam isso: em vez de duas grandes refeições, elas comiam esporadicamente ao longo do dia e, no cômputo geral, comiam menos.

“Esse comportamento pode afetar o seu peso, os riscos que decidem correr ou não para obter alimentos e como se socializam”, afirma a cientista.

“São variações pequenas e sutis mudanças que vão se somando e, no fim, podem comprometer a sobrevivência de uma espécie.”

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Uso excessivo?

Se o problema tem origem na água de resíduos, talvez a solução passe por reduzir a presença de farmacêuticos que vai parar em rios e córregos.

Pode-se, por exemplo, desenvolver métodos mais eficientes de tratamento da água. Mas esta pode ser uma solução cara e gerar um gasto de energia muito elevado.

Ole Phal, professor da Universidade de Glasgow Caledonian, defende uma abordagem que inclua uma discussão sobre a produção e o uso de medicamentos.

“Estamos tomando (medicamentos) demais? Estamos utilizando-os corretamente? Existe alguma maneira de se desfazer deles que seja mais benéfica para o meio ambiente?”, questiona Phal.

“Precisamos refletir sobre o nosso uso de drogas farmacêuticas.”

Fonte: BBC Brasil

Homem paralisado volta a andar após transplante de células do nariz

  Por Fergus Walsh        
 Correspondente de Medicina da BBC
  • Darek Fidyka (BBC)
                        Fidyka foi esfaqueado em 2010 e não apresentava sinais de recuperação                    

Um homem paralisado conseguiu andar novamente após um tratamento inovador que envolveu o transplante de células de sua cavidade nasal para a medula espinhal.

Darek Fidyka, de 40 anos, ficou paralisado do peito para baixo após ser esfaqueado várias vezes em 2010. Agora, ele pode andar usando um andador. Ele também recuperou algumas funções da bexiga e intestino e funções sexuais.

Antes do tratamento, Fidyka estava paralisado havia quase dois anos e não mostrava nenhum sinal de recuperação, apesar de meses de fisioterapia intensiva. Ele disse que andar novamente foi “uma sensação incrível”.

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“Quando você não pode sentir quase metade do seu corpo, você é impotente, mas quando ele começa a voltar, é como se você tivesse nascido de novo”.

O tratamento, inédito no mundo, foi realizado por cirurgiões poloneses em colaboração com cientistas em Londres. Detalhes da pesquisa foram divulgados na publicação científica Cell Transplantation.

O programa de TV Panorama, da BBC, teve acesso exclusivo ao projeto e passou um ano acompanhando a reabilitação do paciente.

O chefe de regeneração neural do Instituto de Neurologia da Universidade College, de Londres, liderou a equipe de pesquisadores. Ele disse que o resultado é “mais impressionante do que o homem andar na lua”.

Como foi

O tratamento utilizou células especiais que fazem parte do sentido do olfato (OECs, na sigla em inglês). Elas agem como células de direção, que permitem que as fibras nervosas do sistema olfativo sejam continuamente renovadas.

Na primeira de duas operações, os cirurgiões removeram um dos bulbos olfativos do paciente e as células cresceram em cultura. Duas semanas depois, eles transplantaram as células para a medula espinhal, que tinha sido reduzida a uma pequena faixa de tecido, à direita.

Darek Fidyka (BBC)

                        Fidyka cumpre um programa de exercícios de cinco horas por dia, cinco dias por semana                    

Eles tinham apenas uma pequena porção de material para trabalhar – cerca de 500 mil células. Cerca de 100 microinjeções de células olfativas foram feitas acima e abaixo da lesão.

Quatro tiras finas de tecido nervoso foram tiradas do tornozelo do paciente e colocadas através de uma lacuna de 8mm no lado esquerdo da medula espinhal.

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Os cientistas acreditam que as células olfativas forneceram uma direção, permitindo que as fibras acima e abaixo da lesão se reconectassem, usando os enxertos de nervos para preencher a lacuna na medula espinhal.

Fidyka mantém o programa de exercícios que já realizava antes do transplante – cinco horas por dia, cinco dias por semana. Ele notou pela primeira vez que o tratamento havia sido bem sucedido após cerca de três meses, quando sua coxa esquerda começou a desenvolver músculos.

Seis meses depois, ele foi capaz de tentar dar seus primeiros passos com a ajuda de barras paralelas, usando muletas e com o apoio de um fisioterapeuta. Dois anos após o tratamento, ele agora pode andar fora do centro de reabilitação utilizando um andador.

O neurocirurgião Pawel Tabakow, consultor no Hospital Universitário de Wroclaw, que liderou a equipe de pesquisa polonesa, disse: “É incrível ver como a regeneração da medula espinhal, algo que era considerado impossível por muitos anos, está se tornando uma realidade”.

Darek Fidyka (BBC/PA)

                        Darek Fidyka voltou a andar após receber transplante de células olfativas                    

Fidyka ainda se cansa rapidamente ao caminhar, mas disse: “Eu acho que é realista que um dia irei me tornar independente”.

“O que eu aprendi é que você nunca deve desistir, mas continuar lutando, porque alguma porta se abrirá na vida”.

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Um fator determinante para o sucesso do procedimento em Fidyka foi que os cientistas puderam usar céulas do bulbo olfatório do paciente. Isso significa que não havia perigo de rejeição, por isso não houve a necessidade de medicamentos imunossupressores usados em transplantes convencionais.

A maior parte da reparação de medula espinhal de Fidyka ocorreu no lado esquerdo, onde havia uma lacuna de 8mm. Desde então, ele recuperou massa muscular e movimento principalmente nesse lado.

Os cientistas acreditam que esta é uma evidência de que a recuperação se deve à regeneração, já que sinais do cérebro que controlam os músculos da perna esquerda viajam para baixo pelo lado esquerdo da medula espinhal.

Exames mostraram que a lacuna na medula espinhal fechou-se após o tratamento.

Fonte: BBC Brasil

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