Jimi Hendrix, a Lenda do Rock, Tem Disco Póstumo Nas Lojas do Planeta
Por: Redação
Para quem não sabe, Jimi Hendrix é considerado um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Lenda viva ainda na década de 1970, Hendrix, que morreu sufocado no vômito, em consequência de remédios para dormir, é insuperável até hoje.
Pois é desse mito do rock que os seus admiradores e admiradoras nos quatro cantos do Planeta podem se deliciar o lançamento de um novo álbum póstumo, nas lojas de todo o mundo desta terça-feira, 09.
Hendrix há quase 40 anos, em 18 de setembro de 1970. A raridade de sua autoria que está fazendo a festa de sua imensa legião de admiradores chama-se “Valleys of Neptune”.
Um ano antes da morte
As músicas foram gravadas entre maio de 1967 e maio de 1970, mas a maioria do material foi registrado em 1969, um ano antes de sua morte. Lançado pela Experience Hendrix LLC em parceria com a Sony Music, o disco traz 12 versões inéditas e raras.
Outros lançamentos
Em entrevista ao LA Times, Janie Hendrix, meia-irmã do músico e presidente da empresa que cuida do seu legado, informou que algumas das faixas do disco foram gravadas no estúdio na casa dele.
“Seu brilho está em cada uma dessas faixas preciosas”, ressaltou Janie. É verdade. Quem lembra (gravado em VHS) da participação genial de Hendrix no Woodstock? Ele executando na sua guitarra imprevisível rocks inesquecíveis e até mesmo o Hino dos Estados Unidos?
Além do disco “Valleys of Neptune”, outros lançamentos estão agendados. Entre eles, os discos “Are You Experienced?”, “Axis: Bold As Love”, “Electric Ladyland” e “First Rays of the New Rising Sun” relançados também na terça-feira, 9, em CD/DVD e em vinil.
Repertório
Leia o repertório de “Valleys of Neptune”.
01. Stone Free
Gravado: Record Plant, Nova Iorque, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Billy Cox
Bateria: Mitch Mitchell
Vocal de apoio: Roger Chapman, Andy Fairweather Low
02. Valleys Of Neptune
Gravado: Record Plant, Nova Iorque 1969 e 1970
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Bateria: Mitch Mitchell
Baixo: Billy Cox
Percussão: Juma Sultan
03. Bleeding Heart
Gravado: Record Plant, Nova Iorque, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Billy Cox
Bateria: Rocky Isaac
Tamborim: Chris Grimes
Maracás: Al Marks
04. Hear My Train A Comin’
Gravado: Record Plant, Nova Iorque, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
05. Mr. Bad Luck
Gravado: Olympic Studios, Londres, 1967
Produzido: Chas Chandler
Gravação adicional de baixo e bateria, Air Studios, Londres, 1987
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
06. Sunshine Of Your Love
Gravado: Olympic Studios, Londres, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
Percussão: Rocki Dzidzornu
07. Lover Man
Gravado: Olympic Studios, Londres, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
08. Ships Passing Through The Night
Gravado: Record Plant, Nova Iorque, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
09. Fire
Gravado: Olympic Studios, Londres, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo, Voz de apoio: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
10. Red House
Gravado: Olympic Studios, Londres, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
11. Lullaby For The Summer
Gravado: Record Plant, Nova Iorque, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Mixagem: Eddie Kramer
Guitarra: Jimi Hendrix
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
12. Crying Blue Rain
Gravado: Olympic Studios, Londres, 1969
Produzido: Jimi Hendrix
Gravação adicional de baixo e bateria, Air Studios, Londres, 1987
Vocal, Guitarra: Jimi Hendrix
Percussão: Rocki Dzidzornu
Baixo: Noel Redding
Bateria: Mitch Mitchell
Música, Literatura, Educação e Política Para Todos
A banda Casa Branca, os escritores Guilherme Fiúza e Cristovam Buarque e a professora Stella Maris Bortoni são os convidados do Sarau do Açougue T-Bone nesta quinta-feira.
Por Francisca Azevedo *
Especial Para Nós – Fora dos Eixos
Nesta quinta-feira (11/03), o Açougue Cultural T-Bone promoverá mais um sarau cultural com a participação de grandes nomes da literatura brasileira.
Desta vez, o evento tem a parceria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que fará o lançamento do videoclipe Educacionismo, uma Doce Revolução, com apresentação do hino do Movimento, de autoria da banda Casa Branca.
Além disso, a noite terá ainda bate-papo literário com o jornalista e escritor carioca Guilherme Fiúza, que falará sobre o livro Meu Nome Não é Johnny e também com a escritora Stella Maris Bortoni.
Stella falará sobre a importância do Movimento Educacionista junto às escolas brasileiras. O evento começa às 20 horas!
Bate-papo com os escritores
Guilherme Fiúza conversará com o público sobre o livro Meu Nome Não é Johnny, que conta a história da vida real de João Guilherme Estrella, nascido em bom berço no bairro do Leblon (Rio de Janeiro) e convertido em personagem graúdo da vida bandida carioca.
Da primeira venda de droga para pagar uma dívida à ascensão vertiginosa no tráfico – deixando “tubarões” para trás, no melhor estilo “Scarface” – ele chega a um degrau na escada do crime em que geralmente não há mais volta.
Mas no seu caso, absolutamente peculiar, há voltas e reviravoltas improváveis, como mostra a reportagem do autor. “João Guilherme é a prova viva de que é viável recuperar as pessoas. É o atestado de que a nossa luta não é em vão”, afirmou a juíza Marilena Soares, que o julgou e o condenou.
Sem tabu
Para o autor, jornalista com passagem por editorias de política, literatura e meio ambiente na imprensa carioca, o livro busca uma abordagem franca de temas-tabu, “sem moral da história”.
“Não há separação dos personagens em heróis e vilões. Apenas procuro mostrar um 3×4 humano de alguém atravessando o mundo cão do tráfico e da cadeia sem ser devorado por ele, embora levasse boas mordidas”, diz Fiúza.
Nascido no Rio de Janeiro em 1965, Guilherme Fiúza trabalhou como repórter e editor em veículos como Jornal do Brasil, O Globo e No.com, passando também por assessorias políticas. É colunista do site jornalístico NoMínimo.
Stella Maris Bortoni
É professora titular de lingüística (aposentada) da Universidade de Brasília e doutora em lingüística pela Universidade de Lancaster.
Realizou seu pós-doutorado na Universidade da Pennsylvania (EUA) nas áreas de Sociolingüística e Etnografia de sala de aula.
Cristovam Buarque
Senador do DF e idealizador do Movimento Educacionista, que propõe uma revolução baseada na educação destinada a mudar a triste realidade brasileira com suas iníquas desigualdades.
Lançamento do videoclipe Educacionismo, uma Doce Revolução, com a banda Casa Branca.
Além do hino do Educacionismo, a banda apresentará seu repertório de músicas que vai da MPB e reggae a rock nacional. São composições próprias e também grandes sucessos da música brasileira.
Casa Branca
A banda Casa Branca surgiu em junho de 2008, na reunião de colegas de classe da Escola de Música de Brasília.
Após tocarem em uma apresentação de um evento cultural do colégio CEF Polivalente, na Asa Sul, os amigos Walle, Ronald e Rômullo, viram que o potencial era grande.
E que o objetivo era um: fazer música dançante e de qualidade. Ensaiaram algumas vezes, montaram um repertório e chamaram um amigo guitarrista para completar o grupo – ainda tocam com guitarristas -. Estrearam na “9° Festa Junina do CEM CESO” em julho.
Hoje, com dois festivais, três premiações e o título de ‘Banda Educacionista do Distrito Federal’, Casa Branca tem como objetivo levar uma mensagem de positividade.
Valores
A banda resgata valores como amizade, respeito, moral e ética, atingindo um público jovem, cativo e buscando evolução para a ascensão no mercado musical.
Com influências de funk, reggae, rock, MPB e jazz, a banda almeja grandes palcos e tem como objetivo principal alcançar o maior número de pessoas possível com sua música.
Hoje Casa Branca é uma realidade, e mantém as portas abertas para a sua imaginação.
O Movimento Educacionista surgiu em 2007, em Brasília e conta com 156 núcleos no país e três nos Estados Unidos. “Uma escola de qualidade para todos” é a meta principal do movimento.
No T-Bone, os presentes terão acesso a várias publicações sobre o Movimento Educacionista.
* Francisca Azevedo é da Assessoria de Imprensa do T-Bone.
Serviço
Realização: Açougue Cultural T-Bone e Movimento Educacionista do DF e Entorno.
Apoio institucional: ONG Missão Criança
Apresentação: Mímico Miquéias Paz.
Data: 11/03. Horário: 20 horas.
Local: Açougue Cultural T-Bone: SCLN 312 Bloco B Lj 27 Brasília (DF).
Telefone (61) 3274-1665.
Entrada franca.
Contatos: Senador Cristovam Buarque (61) 3303-2288 e (61) 9217-0723. Assessora Parlamentar: Maria do Socorro.
Banda Casa Branca, telefone: (61) – 9825-3597 – (Walle Junior).
Guilherme Fiúza, telefone: (21) 9809-2052.
Conferência de Cultura Vai Traçar Novo Paradigma Para o Setor
Especial Para Nós – Fora dos Eixos.
O presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, deputado Ângelo Vanhoni (PT-PR), afirmou que a II Conferência Nacional de Cultura a ser realizada de 11 a 14 deste mês, em Brasília (DF), vai apontar novo conceito sobre o papel do Estado em relação às políticas públicas de cultura do país.
“Nós estamos defendendo o novo paradigma que existe hoje na política cultural do país, o de entender a cultura como um direito social, como uma prioridade do Estado.
A partir desse entendimento pode-se garantir o fomento, o apoio, a manutenção da tradição, a preservação da memória em todo território nacional. Além disso, contribui para a promoção dos bens culturais e dos valores sociais forjados pela sociedade como um direito social de todo cidadão e cidadã brasileira”, disse o deputado.
Na opinião de Vanhoni, para enfrentar o novo desafio é preciso aperfeiçoar a legislação brasileira. Nesse sentido, o parlamentar aponta a PEC 416/05, do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que cria o Sistema Nacional de Cultura, como exemplo.
Segundo o parlamentar, o Sistema Nacional de Cultura vai traçar novos relacionamentos na área cultural, entre os entes federados. “O sistema vai estabelecer princípios, vai dividir atribuições e responsabilidades entre União, estados e municípios o que levará ao desenvolvimento efetivo das políticas culturais em nosso país”.
Vanhoni lembra ainda do debate que está sendo colocado sobre a alteração da Lei Rouanet (Lei de fomento à cultura). De acordo com o parlamentar a lei surgiu como alternativa de investimento à área cultural, mas que precisa de reformulação.
O parlamentar defende a criação de uma nova lei de fomento à cultura como forma de definir parâmetros do ponto de vista da ótica pública.
Esses parâmetros, segundo avaliação do deputado, vão estabelecer políticas de financiamento e da produção cultural, de forma, a “ajudar a cultura brasileira a se constituir como um instrumento de emancipação do homem e da mulher em todo o território nacional”.
Serviço
Agenda – A II Conferência Nacional de Cultura acontece no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21. A abertura do evento será amanhã, no Teatro Nacional Cláudio Santoro, e contará com a presença da ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff e do presidente da República em exercício, José Alencar.
Plágio: Pesquisadora Denuncia Publicação de Cópias de Traduções
Por: Marcelo Villela Gusmão *
Publicado originalmente na revista Caros Amigos – 01/2010
Há pouco mais de dois anos, a tradutora Denise Bottmann tem pesquisado os meandros obscuros do mercado livreiro nacional e revelado algumas práticas nada ortodoxas. A principal delas se esconde por entre as obras estrangeiras aqui publicadas: o plágio de tradução. Até o mês de outubro de 2009, Denise já havia denunciado em seu blog “Não Gosto de Plágio” (www.naogostodeplagio.blogspot.com) uma centena deles.
No Brasil, a tradução é um ofício significativo para a cultura. Segundo a Abrates (Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes), mais de 80% das publicações em formato de livro são traduções. Ao transpor uma obra literária, artística ou científica para o português, o tradutor passa a ter certos direitos sobre a nova criação. Basicamente, quando utilizada para fins comerciais, o profissional responsável deve ser remunerado e ter seu nome estampado em cada exemplar da obra.
O que tradutores e leitores meticulosos começaram a perceber é que algumas traduções, principalmente de obras literárias, estavam sendo publicadas em nome de tradutores desconhecidos. Mas não demorou para que descobrissem que, na verdade, eram cópias de antigas traduções, com os nomes dos tradutores originais substituídos por outros.
Denise é historiadora, ex-docente da Unicamp e tradutora do inglês, francês e italiano desde 1984. Assina 70 traduções de livros e artigos das áreas de ciências humanas, teoria e história literária e história da arte. Ela tomou conhecimento desta prática em meados de 2007, após ler a denúncia de Saulo von Randow Júnior, tradutor diletante que achou curioso o fato de a tradução do romance Ivanhoé atribuída a Roberto Nunes Whitaker, e publicada pela editora Nova Cultural na coleção Obras-Primas em 2002, ser idêntica à feita por Brenno Silveira e publicada pela Martins Editora cinco décadas antes.
Algumas denúncias já circulavam entre interessados em literatura e tradução. Em 2002, o tradutor Ivo Barroso relatou na revista eletrônica Agulha as impressionantes semelhanças entre a tradução atribuída a Fábio M. Alberti da peça Cyrano de Bergerac, feita para a Nova Cultural, e o trabalho de Carlos Porto Carreiro, cuja primeira edição data do início do século passado. A versão copiada manteve inclusive erros tipográficos das edições autênticas.
Semelhanças
A possibilidade de haver versões idênticas de uma mesma obra é uma façanha praticamente inconcebível para qualquer tradutor com um mínimo de bom-senso. As semelhanças podem se limitar a uma ou outra palavra, talvez uma frase.
Denise logo constatou que outros títulos da editora Nova Cultural apresentavam o mesmo problema. Somente na coleção Obras-Primas, suas pesquisas identificaram que vinte dos cinqüenta volumes tiveram os nomes de seus tradutores originais substituídos ou apagados. O mesmo se repete com livros das coleções Imortais da Literatura Universal e Os Pensadores, publicadas pela editora.
Ao esmiuçar o volume dedicado a Platão, por exemplo, Denise constatou que a tradução atribuída a Enrico Corvisieri é semelhante à tradução de Jaime Bruna, publicada sob licença pela Abril Cultural. Contudo, para que a cópia não mostrasse sua aparente literalidade, a edição apresenta sinais do que se chama de “tradução por sinonímia”, ou a substituição de vocábulos por outros de mesmo sentido, mas mantendo a estrutura gramatical da outra tradução. Desta forma, “exerceram” é trocado por “tiveram”, “cautela” se torna “precaução” e assim por diante.
Tais mudanças não provam se tratar de outra tradução, mas apenas retratam o leque de artimanhas empregadas. Conforme mostrou Denise, elas vão da simples cópia literal, passando por alterações revisórias no início dos parágrafos e chegando à reunião de trechos de traduções diferentes.
Prova desta última proeza ela encontrou, com ajuda da tradutora Joana Canêdo, no Dicionário Filosófico de Voltaire publicado pela editora Martin Claret. As duas edições mais conhecidas, publicadas no século 18, possuem 73 e 134 verbetes. Mas a editora brasileira conseguiu adicionar outros dois verbetes ao dicionário, séculos após a morte do iluminista francês.
A curiosa edição ampliada, com tradução atribuída a Pietro Nassetti, baseia-se na tradução de Líbero Rangel de Tarso, feita para a Atena Editora em 1937, bem como na de Bruno da Ponte e João Lopes Alves para a portuguesa Editorial Presença em 1966 e aqui publicada pela editora Abril Cultural. Segundo Denise, a Martin Claret utilizou os 73 verbetes publicados pela Atena Editora e complementou com os da editora Abril Cultural.
Mas ao fazer isto, a editora esqueceu-se de que uma tradução é diferente de outra. Assim, enquanto a Atena Editora publicou o verbete “bêtes” como “irracionais”, a Abril Cultural o traduziu como “animais”, apresentando também diferenças de tradução no texto. A editora Martin Claret, acreditando se tratar de verbetes diferentes, publicou ambos.
O catálogo da editora, composto segundo sua página na internet por cerca de 500 títulos, possui ainda outras controvérsias. Para Denise, 158 obras apresentam problemas relacionados à tradução, sendo que 49 delas já foram analisadas e tiveram o plágio confirmado. Curiosamente, 137 foram aparentemente traduzidas por apenas três profissionais: Alex Marins, Jean Melville e Pietro Nassetti.
Obras Esgotadas
Denise explica que as denúncias de plágios exigem dela horas diárias em pesquisa. É necessário adquirir um exemplar da obra acusada de plágio e encontrar outro da obra plagiada, o que requer certa obstinação, pois, na grande maioria dos casos, os prejudicados são tradutores falecidos, autores de obras esgotadas e publicadas por editoras extintas. Seguem-se então horas analisando as edições antes de tudo ser documentado no blog.
Além disso, Denise entra em contato com as editoras, alerta tradutores e herdeiros, reivindica maior atuação dos órgãos públicos, envia e-mails a docentes, pesquisadores e entidades de livros, para que todos estejam cientes das “irregularidades cometidas em livros publicados por algumas editoras de projeção”.
Até o momento, o saldo da pesquisadora é de 89 tradutores que tiveram suas produções apropriadas sem os devidos créditos por mais de uma dúzia de editoras. Obras acusadas de plágio, de acordo com Denise, ainda constam no acervo de bibliotecas, licitações e compras do governo, bibliografias de cursos universitários e trabalhos acadêmicos.
O Desenrolar Jurídico
A atual Lei do Direito Autoral (9.610), criada em 1998, define que somente tradutores, herdeiros e editoras podem reclamar na justiça a violação de seus direitos autorais, incluindo plágios de tradução. No entanto, Paulo Oliver, presidente da Comissão de Direito da Propriedade Imaterial da OAB-SP, aponta que há um empecilho financeiro: “não são todos os autores que possuem verba para manter uma ação indenizatória, que pode surgir após uma busca e apreensão, perícias e a competente ação ordinária de indenização”.
O papel do Estado no setor autoral foi sensivelmente reduzido nas duas últimas décadas. Em 1973, a antiga Lei de Direito Autoral (5.998) estabelecia a criação do Conselho Nacional de Direito Autoral (CNDA), “órgão de fiscalização, consulta e assistência, no que diz respeito a direitos do autor e direitos que lhes são conexos”, dizia o texto da lei. O Conselho foi efetivamente criado três anos depois e sobreviveu até 1990, extinto oficialmente com a legislação em vigor.
“A questão do direito autoral, se não foi abandonada, ficou num plano totalmente secundário dentro do governo, naquela filosofia do Estado mínimo, em que o estado não tem que atuar em áreas que não são da sua alçada. É algo equivocado, pois o direito autoral envolve a defesa do patrimônio cultural brasileiro”, critica José Vaz de Souza Filho, da Diretoria de Direitos Intelectuais, vinculada à Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura.
Desde fins de 2007, o Ministério da Cultura trabalha para retomar sua atuação. Em conjunto com profissionais do setor autoral, tem arquitetado uma revisão na atual legislação. As reivindicações baseiam-se em três áreas: melhor relação entre criadores e investidores, maior acesso da sociedade às produções culturais e ampliação da presença do Estado, que se consolidaria na recriação do CNDA, agora sob o nome de Instituto Brasileiro de Direito Autoral (IBDA).
Segundo Souza Filho, a previsão é que o IBDA, além de ter competência fiscalizadora e supervisora, tenha uma instância administrativa de resolução de conflitos, auxiliando autores e tradutores sem condições de assumir o custo de uma briga judicial.
Durante o III Congresso de Direito de Autor e Interesse Público, realizado em São Paulo no início de novembro de 2009 e último passo antes que o anteprojeto de lei seja submetido à consulta pública, o Ministério da Cultura apresentou uma proposta que pode desestimular o plágio de tradução. Sugere que seja criado um mecanismo de licenças não-voluntárias para três hipóteses, duas delas relacionadas ao livro: obras cujas edições estão esgotadas e obras órfãs, das quais se desconhece os detentores dos direitos. Nestes casos, se uma editora manifestar intenção em reeditar determinada obra, e for constatado existir interesse público por ela, o IBDA poderá conceder uma licença, ficando a editora interessada responsável por remunerar o detentor dos direitos.
Resistência
O governo espera com isso ressuscitar obras há muito tempo longe das livrarias, seja por resistência dos detentores dos direitos em republicá-las, seja por completo desconhecimento de quem são eles. Assim, a licença não-voluntária permitirá fazer dentro da legalidade o que as editoras acusadas de plágios de tradução fazem ilegalmente. E com sanções mais adequadas sendo discutidas na revisão da lei, a prática pode ser desencorajada, como acredita Denise Bottmann.
Por ora, a tradutora já formalizou cerca de dez denúncias, entre elas a que fez o Ministério Público Estadual solicitar que fosse aberto um inquérito contra a editora Martin Claret por violação de direitos autorais. Segundo Luiz Antonio Ribeiro Longo, delegado titular do 23º Distrito Policial, responsável pela investigação, a perícia está analisando as obras.
Procurada, a editora se manifestou através da advogada Maria Luiza de Freitas Valle Egea. Segundo ela, a Martin Claret não confirma que nenhum de seus títulos é plágio, mas afirma que a editora “realizou alguns pagamentos para editoras sobre traduções apontadas como plágio”.
A editora Nova Cultural afirmou que, após averiguação, “determinou a retiradas de circulação e venda de todas as obras nas quais se constatou qualquer suspeita de problemas”, mas não informou o número de títulos com problema. Afirmou ainda que conversou com os tradutores Hernâni Donato e Luiz Costa Lima, cujas traduções de “A Divina Comédia” e “O vermelho e o negro” haviam sido publicadas em nome de outros tradutores.
Entretanto, ainda há muitos tradutores a serem ressarcidos, obras a serem retiradas de circulação e outros plágios a serem confirmados. Em janeiro de 2009, Denise escreveu em seu blog: “eu fico meio assim, sentindo-me uma espécie de Denise, a caçadora de fraudóides. Mas aí penso: não é possível uma coisa dessas; alguém tem de fazer algo a respeito”. Quando tudo terminar, as pilhas de livros plagiados que hoje abarrotam sua estante não poderão ser doados. Talvez ela faça uma fogueira.
Serviço
A revista Caros Amigos é uma publicação mensal da Editora Casa Amarela. Rua Paris, 856, Sumaré · Telefone: (11) 2594. 0355.
www.carosamigos.terra.com.br
Cadeia Também Para os Ladrões de Ideias
Por: Menezes y Morais *
Infelizmente é o que mais se vê hoje em dia são acusações pela prática criminosa do plágio.
Existem poetas, músicos, escritores que, em nome do “diálogo” com outros criadores – que inclusive já passaram para o andar de cima – plageiam, digamos assim, na maior cara dura, não apenas palavras inventadas, mas versos inteiros.
São “piratas”, “vampiros”, gente desonesta que busca reconhecimento com aquilo que não lhes pertencem. Querem ser reconhecidos a qualquer custo.
Na seara da falta de honestidade intelectual, nem mesmos os autores anônimos escapam de serem vítimas dos criminosos sem criatividade e sem caráter. Os ladrões de ideias roubam até mesmo as pixações que lêem nas ruas.
Para esse tipo de gente, não existe aspas. O que existe é o mau caratismo e o ego inflado para aparecer, mesmo correndo o risco de ser descoberto roubando as ideias alheias.
* Menezes y Morais é jornalista, escritor, professor, historiador e editor da Nós – Fora dos Eixos.
