Frio, flores, tons e rubiácea!
Crônica semanal de Orlando Muniz
Nunca tinha sentido tanto frio aqui no planalto central. O mês de junho – já atravessando para o seu final – nos surpreende com doses cada vez mais frias de um clima seco e que penetra por veias despreparadas para tão baixas temperaturas. A Cidade por vezes se encobre por um manto de névoa branca que esconde suas belezas como por vergonha de não ter abrigo para tanta gente que sofre ao relento por entre seus imensos jardins e gramados. O lago se esconde amparado por uma nuvem de vapor produzida pelos primeiros raios da manhã fazendo daquele singelo espelho algo assim meio embaçado que não combina com o azul meio cinza que insiste em não se colocar como moldura da pintura natural.
O frio trás também alguns prazeres para a carne e para alma. Comer bem, apreciar um bom vinho e um café bem quente, faz com que as roupas grossas, recém saídas do armário, componham um conjunto completo de prazeres e beleza para noites que necessitam de reforço extra para o clima de deserto que envolve o Planalto Central.
O inverno também combina com uma boa música. Sentar-se para apreciar um jazz bem apurado, faz esquentar ouvidos moucos que se agarram a tons e notas mais graves na expectativa de uma sonoridade que acordará corações desaquecidos e fará da lei do silêncio uma imensidão de toques e acordes inesquecíveis. Vale também chorar nos bandolins e cavaquinhos de algumas esquinas desta cidade sem cortes. São mestre de cordas e menestréis de acordes que falseiam por entre quadras a nos empurrar goela abaixo para mais uma saideira de qualidade.
No ardor do frio, vale degustar um bom vinho derramado na acidez de aromas e sabores para ser apreciado com o vagar e para o deleite de quem o admira. A Cidade possui uma rede de casas bem montadas com especiarias que legam conforto e bem estar nas noitadas de inverno. Tudo isso com bom papo e fina harmonia pode ser misturado aos prazeres das massas e fondues que faria Baco morrer de inveja.
Para compensar os estragos da secura e do frio, parece que a natureza se compadece dos que aqui habitam e fará brotar em breve nos milhares de pés de Ipês Rosa, as flores que irão adornar, os agora gramados cinza, compondo uma paisagem bucólica, mas de extrema elegância.
Bastam pequenos toques de harmonia neste deserto e logo a Cidade está preparada para nos conceder prazeres e sensações que somente uma noite fria pode propiciar.
Vale o conselho de que não adianta reclamar muito, até porque por aqui os espaços são difusos e seus lamentos no máximo podem ser ouvidos no dia seguinte!

Orlando Muniz é escritor
Orlando Muniz é autor do livro Armazém Brasil e está com novo livro no prelo Máscara das Palavras.
2ª Gincana Universitária testa conhecimentos cientificos e culturais de futuros médicos
Game patrocinado pelo Exame premiará a equipe vencedora com R$ 2.500
Já virou tradição em Brasília. Pelo segundo ano consecutivo, o Exame Medicina Diagnóstica/DASA, em parceria com a Associação Médica de Brasília (AMBr), realiza a Gincana Universitária, no próximo dia 4 de julho. A competição cientifico-cultural premia estudantes que estejam no último ano do curso de Medicina e a faculdade vencedora levará R$ 2.500 para investir nas comemorações de formatura.
Três instituições de ensino do Distrito Federal participarão do game: Universidade de Brasília (UnB), Universidade Católica de Brasília (UCB) e Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central (Faciplac). Além da troca de experiências clínicas, os universitários testarão também conhecimentos culturais. A gincana é importante para a auto-avaliação dos estudantes, mas serve também como um momento de descontração nessa fase tão difícil que é a conclusão do curso, explica a médica Flávia Segatto, do Exame Medicina Diagnóstica.
Com cinco participantes em cada equipe, as faculdades serão pontuadas não só pelas respostas às perguntas, mas também pela animação da torcida. Serão 12 questões, científicas e culturais, relacionadas aos diagnósticos de doenças, poesia e música. Existe a necessidade de que os futuros profissionais não se restrinjam somente aos corredores dos hospitais, mas que mantenham também atividades culturais, focadas principalmente na humanização, afirma o gestor de Negócios da marca, Alexandre Lemos.
O júri será composto por médicos e pelo gestor de negócios do Exame, além também do Dr. Moretzsohn, curador da exposição cultural O Diagnóstico é Uma Arte, projeto que permite aos médicos apresentem seus trabalhos pessoais, como pinturas e esculturas. A idéia serviu como incentivo para abordar mais temas relacionados à cultura na gincana universitária.
As escolas de medicina receberão uma carta-convite com o regulamento da gincana e as inscrições serão efetuadas centros acadêmicos. O evento será realizado no auditório do Sindicato dos Médicos, com entrada liberada para os estudantes e a torcida.
Serviço:
2ª Gincana Universitária
Data: 04/07/2009, a partir das 9h30
Local: Auditório do Sindicato dos Médicos, SGAS 607, Ed. Metrópolis, Cobertura 1, Asa Sul
Contato: cmarketing@dasa.com.br
Sobre o Exame Medicina Diagnóstica
Desde 1975 no mercado de Brasília, o laboratório Exame oferece os melhores serviços na área de Medicina Laboratorial. Hoje com 19 unidades no Distrito Federal sendo duas funcionando 24 horas e uma delas aberta ao público. O Exame conta com uma equipe especializada de médicos patologistas clínicos e profissionais qualificados, entre eles farmacêuticos, bioquímicos, biólogos e biomédicos, para prestar apoio e consultoria a pacientes e médicos. Em 2006, o Instituto Datafolha confirmou que o laboratório Exame marca da Diagnósticos da América DASA S/A. é o laboratório preferido dos médicos do DF: 91% deles indicam o Laboratório Exame.
Sobre a DASA
A DASA é a maior empresa de medicina diagnóstica na América Latina em termos de receita bruta e população e a quinta maior rede no mundo. Com mais de 12 mil colaboradores, atende aproximadamente 55 mil pacientes por dia em 328 unidades. Processa em média, 6,5 milhões de exames por mês. Oferece mais de três mil tipos de exames de análises clínicas e diagnóstico por imagem. Atualmente, o grupo é formado por 20 marcas em treze estados – Delboni Auriemo, Lavoisier e Maximagem, em São Paulo; Bronstein, Lâmina e MedImagem, no Rio de Janeiro; Club DA, em São Paulo e Rio de Janeiro; Pasteur e Exame, em Brasília; MedLabor, em Brasília e Tocantins; Curitiba Santa Casa e Frischmann Aisengart, em Curitiba; Laboratório Álvaro, em Cascavel e Foz do Iguaçu; CientíficaLab, no Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro; Image Memorial, em Salvador; VITA Lâmina, em Florianópolis; Atalaia, em Goiás; Cedic e Cedilab no Mato Grosso; e LabPasteur e Unimagem, em Fortaleza.
*Informações atualizadas em maio de 2009.
Afinal, quem é Bráhman?
Por Wagner Villa Sresthas (José Araújo Wagner) e Hilda Rádhá Govinda (Hilda Cipriano De Acácia) *
Teísmo Védico Vaishinava afirma que, embora Bráhman a Jivãtma (1) seja espírito, quantitativamente ela é eternamente não idêntica a Bráhman (3) (Parabrahman-Deus).
Chandobhih, a enciclopédia dos textos védicos compilada originalmente no idioma sânscrito, que foi adulterada no período do domínio Asoka na Índia, mas que foi reconstituída com os achados arqueológicos do sábio Sir Caetânia Mahaprabhu, entre 1486-1534, usa a palavra Bráhman para definir simultaneamente:
A alma individual;
O aspecto impessoal e onipenetrante do Supremo;
A Suprema Personalidade de Deus; e finalmente,
O Mãhatattwa, ou seja, a soma total da energia material.
De acordo com a literatura védica vaishinava, qualitativamente toda alma espiritual ou Jivãtma, (1) Bráhman é igual à Parabrahman, (3) Bráhman-Deus.
O filósofo Sankarãcharya (788- 820 d.C/Índia), sem levar em conta a métrica vedanta (diferencial quantitativo), equiparou, em todos os aspectos: 1) Bráhman-Jiva (alma) a Parabrahman (3) Bráhman-Deus. “Para construir a sua filosofia, Monista-Sãriraka-bhãsya, Sanka-àcherya mudou aleatoriamente os prefixos e os sufixos dos códigos originais do Vedanta-Sutra, compilados por Vyãsadeva (oito mil anos antes da era cristã)”. Ele interpretou que Aham (Eu) do Bhagavad-Gita refere-se a (2) Bráhman Impessoal. Porém, Vyãsadeva explica que Aham refere-se diretamente a Parabrahman (3) Bráhman Supremo/Bráhman-Deus (Edição Sri Caitanya Carytámrta-Iskon).
Srila Prabhupada, o tradutor do Bagavad-Gita original de Vyãsadeva para a língua inglesa, declara:
“Daivini Prakrtim significa a energia Superior, a energia Divina. Esta energia material temporária também é indiretamente Bráhman-energia Divina. Na verdade, tudo o que existe é Divino, porque tudo provém do Parabrahman-Deus, os cientistas materialistas e os filósofos impersonalistas dizem que tudo é energia (2) Bráhman, e isto é verdade. Tudo é Bráhman - mas nem tudo é a mesma coisa”.
Sankarãcharya afirma que todas as existências são produtos da ilusão e são falsas, já que a única verdade é o (2) Bráhman Impessoal. Ele conclui que o corpo material confunde-se com a entidade viva (1) Bráhman-Jiva/alma espiritual. Portanto, ele define a liberação da Jiva dos ditames da natureza material (Moksa) em termos da Jiva/alma (1) Bráhman abandonar seu sentido ilusório de individualidade e, subsequentemente, fundir-se no (2) Bráhman Supremo impessoal.
Sir Caetânea Mahaprabhu, o fundador da Escola Vaishinava, considerado pela maioria dos acadêmicos transcendentalistas como o Avatar da Idade Dourada (10.000 anos de idade dourada aberta dentro da atual Era da Kaliuga, a partir do ano de 1.500 d.C, promovendo uma superação crítica do sistema de Sankarãcharya. Ele afirmou que:
“A teoria da ilusão da Escola Mãyãvãda (escola que influenciou o filosofo espanhol naturalizado francês Papus) é definida baseando-se no fato de que a teoria da emanação causaria uma transformação da Verdade Absoluta. Se é este o caso, Vyãsadeva teria se equivocado. Sancarãcharya habilmente formulou a sua Teoria da Ilusão como sendo uma crítica ao Sistema de Vyãsadeva”.
Entretanto, o Mundo ou a Criação Cósmica não é falso, como a Escola Mãyãvãda sustenta. Ele simplesmente não tem Existência Permanente. Algo não-permanente não pode ser considerado falso, no entanto, a concepção de Sankarãcharya de que o corpo material é o Eu, certamente é errônea.
Pranavana (OM) ou Omkãra nos Vedas é o Hino Primordial. Este som transcendental é idêntico à forma do Parabrahman Supremo Deus, todos os hinos védicos baseiam-se neste Pranavana Omkãra. Tattavmasi nada mais é que uma palavra secundária nas literaturas védicas. Sripãda Sankarãcharya deu mais ênfase à palavra secundária tattvamasi do que ao Princípio Primordial Omkãra.
Ainda de acordo com Vyasadeva, Bráhman não é Parabrahman.
Identificamos que, na leitura correta da esquerda para direita, na escrita sânscrita, a trilogia Bráhma-Shiwa-Visno, corresponde à forma Visno-Shiwa-Bráhman. A trindade cabalística 1-2-3 corresponde à sequência aparentemente contraditória:
3=1 (três corresponde a 1); 2=2(dois corresponde a 2); e 1=3 (1 corresponde a 3).
Na tradição Vaishinava Védica, Sir Visno é uma expansão plenária de Parabrahman a Suprema Personalidade de Deus. Logo, Visno é (3) Parabrahman - o Pai de Bráhman e Shiwa. Bráhman não é uma expansão plenária ou uma expansão limitada de Visno. Bráhman é Jivátma, como todas as almas, SAC-CI D-ÁNANDA-VIGRAHAH (pronúncia sati-dananda-vigrará), ou seja, cheia de eternidade e Bem Aventurança.
Seguindo a leitura Sânscrita da esquerda para a direita, Shiwa ocupa o mesmo segundo lugar, enquanto Bráhman ocupa a terceira posição. O fato da potência energética de Shiwa chegar a 86% da potência energética de SirVisno explica porque o mesmo se fixa sempre em segundo lugar.
Qualitativamente, Bráhman, Shiwa e Visno são semelhantes. Quantitativamente, SirVisno, sendo uma expansão plenária de Bráhman/Parabrahman-Deus, é sempre superior a Bráhman e a Shiwa.
Dentro do Mundo material onde vivemos, Bráhman é a pessoa mais velha, logo ele é considerado o Pai, ou a pessoa responsável pela criação dos elementos materiais disponíveis. Bráhman não é Deus, mas o semideus mortal criador do céu material, da Terra e da nano tecnologia também disponível a semideuses e a seres humanos. A matemática é uma das expressões da mente do Semideus Bráhman. A natureza material é uma estrutura matemática. Não há dúvidas de que a ciência dos homens é uma extensão da ciência dos Semideuses. Não há dúvidas de que nós os humanos somos um produto da tecnologia material de Bráhman, onde a alma temporariamente habita.
Por definição, Vyasadeva explica que toda a Jivátma pode atingir até 86% da energia potencial de Visno. Sendo que entre os semideuses, a partir de Bráhman, Shiwa é o único que consegue atingir este nível, movido pelo modo da misericórdia pelas outras entidades vivas materialmente corporificadas dentro do Brahmananda.
A matéria comum que representa os 4% do Universo de Bráhman (Brahmananda) é formada a partir de núcleos de prótons e elétrons periféricos, responsáveis pela bagagem dos elementos Hidrogênio, Carbono e Ferro que caracterizam a Era da Kaliuga.
* Wagner e Hilda são escritores, autores do livro Brasília, a Cidade Mais Inteligente do Mundo. Contato: wagnerhilda@gmail.com
Thesaurus anuncia Novo Dicionário Analógico da Língua Portuguesa, de Kurt Pessek
A Thesaurus Editora está anunciando, para outubro de 2009, o lançamento do Novo Dicionário Analógico da Língua Portuguesa, do escritor Kurt Pessek. A obra terá cerca de 1.200 páginas, duas mil palavras-chaves e 815.609 verbetes, adequados às novas regras ortográficas da Língua Portuguesa.
“Trabalhei nesta pesquisa por volta de 26 anos. Comecei a escrever a lápis, mas quando comprei um computador a coisa melhorou. E melhorou mais quando lançaram os dicionários virtuais Aurélio e Houaiss, entre outros”, diz Kurt Pessek.
Expressões brasileiras
“Meu dicionário - acrescentou - serve para duas coisas: lembrar termos brasileiros ao escritor ou mostrar outras expressões, e, também, para ampliar o vocabulário dos estudantes. Os dicionários dão sempre uma oportunidade para o indivíduo conhecer novos termos”.
Pessek é um apaixonado por dicionários deste a infância. “Eu tenho mais de 40 dicionários de todos os tipos, expressões gaúchas, nordestinas etc., até um dicionário de peixe. Gosto muito de dicionários. Eu tenho todos os dicionários analógicos que saíram no Brasil”.
Por que essa paixão? O dicionarista responde:
“Desde pequeno eu tenho paixão por dicionário. Eu via uma palavra e guardava. Sempre cultivei o hábito de anotar palavras no final do livro, para depois ir atrás do significado. Desde jovem”.
Outros gêneros
Agora que o Novo Dicionário está no prelo, o dicionarista trabalha outro projeto literário, sobre o qual, por enquanto, prefere manter silêncio. Leitor inveterado, filho de professor, Kurt Pessek, 74 anos, nasceu no Rio de Janeiro, é tenente-coronel aposentado do Exército e vive em Brasília desde 1984.
Ele também escreve outros gêneros literários: “Tenho três livros publicados: um deles foi premiado - Descaminhos da Liberdade - pelo Instituto Nacional do Livro e Secretaria de Educação. Ganhei o concurso e o livro foi editado por Geraldo Vasconcelos. São ensaios. Eu chamo de história romanceada”.
Por quê?
“Por causa de alguns personagens que a gente inclui que nunca existiram, são personagens ficcionais, para fazer a junção de peças que faltam na história, em certos acordos, certas decisões etc. E a gente então nomeia alguns personagens, mas não muda a história. O que aconteceu, aconteceu, mas dá uma espécie de romance”.
Para KP, é fácil misturar ficção com realidade. “Aprendi com os mineiros: com maionese, qualquer um come capim. A história pra mim é um relato jornalístico. É muito cruel”. Ele também escreveu outro romance de cunho histórico, Os Patriotas:
“Os Patriotas fala sobre a revolta de 1610 na Bahia. Ouve uma revolta, depois o Rei mandou rasgar todos os documentos, botar uma pedra em cima do assunto. Muita coisa ficou omitida. Acabaram com uma figura interessante, em 1600, tivemos o Juiz do Povo nas câmaras, mas com a revolta de 1610 a Coroa Portuguesa mandou acabar com essa profissão”.
M. P. Haickel tenta resgatar a tradição do Folhetim no século XXI
Por Menezes y Morais
O poeta, contista, romancista e professor M. P. Haickel está com um livro novo na praça: O Amor de Mariano, que reúne os contos e as novelas No jardim de jaz mim, A Procissão dos Ossos, A morte percorrendo o sistema, Jogo Duplo, Homem é tudo igual, Os patifes, A dor, O segredo de um mistério, e O funcionário. Haickel chama esses textos de folhetins.
O Amor de Mariano (2009) e o romance Cinza da Solidão (2007), foram publicados pela Thesaurus Editora, com o apoio do Fundo da Arte e da Cultura (FAC). Maranhense de nascimento, formado em Letras pela Universidade Federal do Maranhão, M. P. Haickel estreou na Literatura em Brasília, como poeta, com o livro Poemas de um Amor ao Acaso (1994). Em 96, publicou Poemas Apócrificos, todos de forma independente.
Brincando de Escritor
Para Nós Fora dos Eixos, M. P Haickel, que, além de sala de aula, vende sua obra de mão-em-mão pelos bares de Brasília, respondeu questionário por e-mail, falando sobre sua vida e obra. Confira a entrevista.
Você tem quantos anos?
Trinta e oito anos, completados no dia 8 de maio de 2009, ocasião também em que lancei o livro O Amor de Mariano, no Bar Raízes, na CLN 110, no Plano Piloto.
Escreve desde quando?
Desde pré-adolescente, por volta dos 14 anos de idade.
Por que você escreve?
Já nessa idade, escrevia o casamento da brincadeira de quadrilha da minha rua. Adorava participar destas brincadeiras, assim como também gostava de cantar as músicas dos festivais de sucessos, Jessé e tantos outros, daquela época.
Você começou como poeta, pelo menos em matéria de publicação, mas há 13 anos só tem publicado ficção. A Poesia lhe abandonou ou foi você quem deixou a Poesia de lado?
Acho que deixei a Poesia de lado devido à profissionalização. Todo mundo é poeta, na minha concepção. A Poesia tem um mercado muito melindroso, muito apático em nosso país, embora seja a mãe das artes, sempre tive a sensação que ainda está por se fazer, falta corporificar…
Lembro-me de uma conversa com um amigo poeta, Fernando Abreu, onde ele dizia que pelo fato de a Poesia ser feita com a alma, com o sangue e até mesmo com carvão, fica difícil de mensurar, de se cobrar por ela… Diferente de um quadro, em que você tem os materiais, a tinta, a tela, que tudo isso representa um custo; na poesia isso tudo é muito relativo, quando se quer fazer uma poesia, se escreve em qualquer papel, com qualquer caneta, não vai interferir tanto no resultado, pode-se fazer tanto com uma Bic, como com uma Monblanc…
Personagens Populares
Como você se define como escritor?
Contemporâneo… Nesse trabalho último, um tanto porta-voz, já que escrevia folhetins para os jornais, escutava muito as histórias das pessoas nas praças, depois do expediente na redação. Gosto de usar uma linguagem simples, às vezes coloquial, gosto de me fazer entender pelas pessoas, sempre lutei pela popularização da Literatura Brasileira, sou professor, lido com isso no dia-a-dia…
Geralmente as críticas publicadas a respeito do meu trabalho alardeiam que meus personagens são pessoas do povo, não são nobres, nem intelectuais, são pessoas simples, minhas histórias são compilações populares, histórias que minha avó me contava dos tempos de eu menino, outras que reescrevo de pesquisas a respeito do inconsciente popular, ou mesmo de nossa tradição, que aos poucos estão se perdendo com a globalização, com os importados japoneses, com os pastiches da televisão, que substitui a figura carinhosa e sábia que era representada pelos nossos avós…
Linguagem do Folhetim
Por que a escolha do gênero folhetim?
A idéia de trabalhar com o folhetim surgiu ainda nos tempos da universidade, numa aula de Literatura Portuguesa IV. A professora tinha passado uma atividade de análise literária do livro Seara de Vento, de Manoel da Fonseca. Lembro que me chamou atenção, além do enredo, a construção da história, sempre com um suspense ao final de cada capítulo, as emoções desenfreadas, a vida dura retratada com palavras fortes, envolventes, o desfecho apoteótico, e ao mencionar isso em sala de aula, a professora me falou que tudo isso eram características de uma literatura voltada para o consumo diário, nos periódicos… Que a esse tipo de literatura era empregado o nome de “folhetim”, que vinha acompanhada das palavras mágicas “amanhã continua”, posto que devesse prender o leitor até o desfecho…
Aquilo me chamou atenção, já que nessa época trabalhava em jornal, escrevendo críticas literárias, resenhando livros, e estava ficando cansado disso. Então perguntei, por que não existe mais esse tipo de literatura em nossos jornais? Ela deu de ombros e me falou: Boa pergunta, responda você, que trabalha em jornal diário!
Aquilo ficou martelando e aguçou minha curiosidade. Daí pesquisando descobri que o folhetim é uma fórmula, que migrou inicialmente do jornal para o rádio e posteriormente, no final do século XIX, tornou-se numa indústria cultural e até hoje ocupa os horários nobres da televisão.
Resolvi então me aventurar em escrever um folhetim para saber se ainda tinha algum feedback nos jornais e para o meu grande espanto tive uma resposta incrível, as pessoas acompanhavam cada episódio, opinavam, ficam chateadas quando eu, por uma razão visceral, tinha que matar um personagem, ou então dar um fim trágico, ou feliz para cada história; depois veio a campanha de incentivo à leitura Leia Mais, já que ao final de cada capítulo, publicava a história completa em edição de bolso e punha à venda nas bancas, e daí comecei a vender mil, dois mil, três mil exemplares dos livretos; houve casos de folhetins que chegaram à casa de cinco mil exemplares…
Depois foram surgindo os primeiros convites para publicar através de pequenas editoras, e finalmente o convite para publicar pela Thesaurus Editora, vir morar em Brasília novamente, então saí de São Luís e estou agora divulgando o livro para todo o Brasil.
Você não acha o folhetim um gênero fora de moda? Ou não existe essa de moda, em matéria de literatura? Por quê?
Minha monografia foi encima desse tema, intitulada “O Folhetim enquanto fenômeno literário”. Todos os nossos escritores tidos como clássicos, desde o Romantismo, até meados dos anos 1870, escreveram em forma de folhetim.
Cada vez mais os escritores estão sendo assassinados pelo silêncio, devido principalmente pela desnacionalização de nossa Literatura. Hoje, o cenário nacional revela autores estrangeiros nas poucas páginas destinadas aos cadernos literários nos jornais. O que deixa o escritor brasileiro sem muita alternativa de vitrine. Ou ele vai escrever músicas ou fazer roteiro pra cinema.
No meu caso, eu como trabalhava em jornal, resolvi promover o resgate desse gênero como uma forma de me manter na vitrine, e pelo visto deu resultado. O que prova que todo mundo gosta de uma história bem contada. Desde que o mundo é mundo sempre teve a figura do contador de histórias, e se ela vem recheada de suspense, emoção, romance, sempre vai ter um público cativo. Nunca vai sair de moda.
A diferença é o suporte que na modernidade vem através da televisão ou da internet, com os blogs que tem também promovido o surgimento desse gênero.
O Amor de Mariano
Como está sendo a receptividade junto ao público do seu novo livro?
Como disse anteriormente, durante a publicação em jornal foram milhares de exemplares vendidos em bancas de revistas. A diferença é que agora eu reuni todos num só volume e tenho tido o apoio de uma editora de alcance nacional e internacional, como a Thesaurus.
Na verdade o trabalho em sala de aula tem me deixado pouco tempo para trabalhar o livro como gostaria… Mas agora vem as férias de julho, então vou poder me dedicar mais à literatura e aí sim, vou poder mensurar com mais exatidão. Mas de uma maneira em geral, tem sido acolhido com muito entusiasmo, não pela crítica especializada, ainda, mas pelos alunos, que tem me revelado grandes surpresas, alegrias e até mesmo me enchido de entusiasmo e esperanças.
O que você está preparando de novo, em matéria de literatura?
Por hora nada. Quero curtir um pouco mais esse trabalho, já que agora ele alcançou um nível excelente. Pra ser sincero, tem sido a realização de um sonho vê-lo publicado por uma editora cult, como a Thesaurus, e pensar que inicialmente eu fazia livro por livro em casa, de maneira artesanal, acreditando num sonho, e agora saber que o livro está à venda para além das fronteiras de minha terra natal, em nível nacional, acho que preciso acompanhar mais o desenvolvimento desse “filho que agora começar a caminha com suas próprias pernas” e estar atento a ele, antes de pensar em novas histórias…
Nunca gostei de escrever para a gaveta… Recebi uma proposta de escrever um roteiro para cinema, ainda estou estudando a proposta… Mas ainda é cedo para falar em novo trabalho.
Serviço
O Amor de Mariano - M. P. Haickel - Série Folhetins Literários - Thesaurus/FAC, Brasília (DF), 2009. Cinza da Solidão - Uma história romântica - M. P. Haickel - Thesaurus/FAC, Brasília (DF), 2007. Pedidos: www.thesaurus.com.br


