Teorema do macaco infinito

Imagine um numero infinito de macacos digitando aleatoriamente  em um teclado durante um espaço de tempo infinito…O teorema diz que alguns macacos iram criar ao invés de um texto incompreensivo de letras, criaram um texto qualquer,inclusive a obra completa de Shakespeare.

A ideia um tanto quanto ”absurda”,na verdade representa uma forma popular de descrever um evento improvável. E pode ser usado de diversas formas,como calcular como ocorreu a formação da molécula do DNA, incrivelmente  complexa,  a partir de interações aleatórias entre substâncias químicas simples. A questão é que apesar da improvável formação do DNA, como o universo é imenso e muito antigo, a possibilidade de formação foi possível.

Então macacos podem escrever um texto do nada?

Improvável mas não impossível. Há a possibilidade matemática e isso já pode tornar tudo possível. Para ser menos ”absurdo” vamos pensar em apenas uma palavra; ”banana”, qual a possibilidade  de algum macaco digitar essas 6 letras na primeira tentativa? Com um número infinito de macacos e um tempo infinito, se torna completamente possível a palavra ”banana” ser escrito por algum símio.

Claro que as obras completas de Shakespeare são muito mais complexas que apenas 6 letras, mas exatamente o mesmo raciocínio é aplicável.Assim dando o tempo suficiente,um ou até mais macacos sentados na frente de uma maquina de escrever tem a possibilidade de escrever Romeu e Julieta pelo menos…

 Fontes; maycontainmaths e wikipédia in Mundo Varável

Cientistas encontram água-viva misteriosa na região mais profunda dos oceanos

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Image captionCientistas identificaram gênero do animal, mas não sua espécie

Uma equipe de biólogos marinhos registrou imagens de uma misteriosa água viva durante uma expedição na região oceânica mais profunda da Terra.

Com 2,55 mil quilômetros de extensão, a Fossa das Marianas, localizada ao sul do Japão, marca a fronteira entre duas placas tectônicas. Tem apenas 69 quilômetros de largura, mas chega a uma profundidade de até 11 mil metros.

O time da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês), uma agência do governo americano, registrou a água-viva enquanto ela flutuava a 3,7 mil metros abaixo da superfície do Pacífico.

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Image captionÁgua-viva estava a 3,7 mil metros de profundidade

Ela tem um formato esférico e dois tipos de tentáculo. Os cientistas só conseguiram identificar que ela pertece ao gênero crossota, mas não sua espécie exata.

Acredita-se que as linhas vermelhas em seu corpo sejam seus canais radiais, que fazem parte do sistema digestivo do animal. Os círculos ovais amarelos seriam gônodas, responsáveis por armazenar gametas para sua reprodução.

Expedição

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Image captionFossa das Marianas é a região oceânica mais profunda da Terra

Desde 20 de abril, pesquisadores da agência americana estão à bordo do navio Okeanos Explorer para investigar a uma área de proteção natural localizada nessa região do Pacífico.

Até o momento, já foram feitos cinco mergulhos de exploração, em que também foram registrados outros animais que vivem nas profundezas do oceano e coletadas amostras do leito do mar.

Dividida em três etapas, em que serão exploradas diferentes regiões das fossas, a missão faz parte de uma empreitada maior, com três anos de duração, para conhecer melhor regiões do Pacífico. A expedição será encerrada em 10 de julho.

Fonte: – BBC Brasil

Cientistas obtém visão inédita de início da vida em embriões

James Gallagher
Editor de Saúde da BBC News
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Image captionCientistas conseguiram simular quimicamente o ambiente de um útero para observar embriões

Cientistas anunciaram um avanço no desenvolvimento de embriões humanos em laboratório que pode melhorar tratamentos de infertilidade e revolucionar nosso conhecimento sobre os primeiros estágios da vida.

Pela primeira vez, embriões atingiram uma etapa além do ponto em que normalmente são implantados no útero.

A pesquisa realizada no Reino Unido e nos Estados Unidos foi interrompida logo antes dos embriões atingirem o limite legal de 14 dias de vida para o desenvolvimento de embriões em experimentos científicos.

Mas alguns cientistas já pedem que este limite seja alterado, uma demanda que levanta diversas questões éticas.

Mistério

Os primeiros estágios da vida humana ainda permanecem um mistério, mas, no estudo publicado pelas revistas Nature e Nature Cell Biology, os pesquisadores conseguiram estudar embriões por um tempo maior do que já havia sido feito antes.

O prazo de uma semana costumava ser o limite, com cientistas sendo capazes de cultivar um óvulo fertilizado até o momento em que normalmente são implantados no útero.

Mas os autores do estudo encontraram uma nova forma de imitar quimicamente o ambiente de um útero para que um embrião continuasse a se desenvolver até atingir a segunda semana.

Isso requer uma combinação de um meio rico em nutrientes e uma estrutura na qual o embrião pode se “implantar”.

Os experimentos foram encerrados propositalmente no 13º dia, pouco antes de ser atingido o limite legal, mas bem além do que havia sido conseguido anteriormente.

Momento crucial

Universidade de CambridgeImage copyrightUniversidade de Cambridge

Image captionÁ esquerda em roxo e à direita em lilás, o epiblasto se desenvolve no embrião

A pesquisa já está permitindo vislumbrar como um embrião dá início ao processo de autorreorganização para se tornar um ser humano.

Trata-se de um momento crucial, no qual muitos embriões apresentam defeitos em seu desenvolvimento ou não conseguem se implantar no útero.

O estudo permitiu, por exemplo, que pesquisadores observassem em embriões com dez dias a formação do epiblasto, uma aglomeração bem pequena e crucial de células que formam um ser humano, enquanto as células ao seu redor se encarregam da criação da placenta e do saco vitelínico.

Magdalena Zernicka Goetz, da Universidade de Cambridge, disse que “nunca esteve tão feliz” como quando cultivar de forma bem-sucedida estes embriões.

“Isso nos permite entender os primeiros estágios de nosso desenvolvimento e o momento em que o embrião se reroganiza pela primeira vez para formar o que no futuro será um corpo”, disse ela à BBC.

“Não conhecíamos estes estágios antes, então, isso terá um impacto enorme nas tecnologias de reprodução.”

Dilema ético

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Image captionAlguns cientistas defendem que limite legal para cultivo de embriões deve ser revisto

Um acordo internacional determina que embriões não devem ser desenvolvidos além de 14 dias em pesquisas científicas. O novo estudo chega perto deste limite, e alguns cientistas já argumentam que ele deve ser revisto.

“Em minha opinião, já havia motivos para permitir a cultura de embriões além de 14 dias antes desta pesquisa aparecer”, diz o geneticista Azim Surani, do instituto de pesquisa Gurdon, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

O prazo máximo foi estabelecido há décadas. Acredita-se que, neste ponto, o embrião torna-se um “indivíduo” já que não é mais possível que ele forme um gêmeo.

Daniel Brison, professor de embriologia e células tronco da Universidade de Manchester, no Reino Unido, também argumenta que talvez seja necessário reconsiderá-lo.

“Dado os possíveis benefícios para novas pesquisas sobre infertilidade, a melhoria de métodos de reprodução assistida e para evitar abortos precoces e outros problemas na gravidez, pode haver motivos para rever este limite no futuro”, afirma.

Fonte: – BBC Brasil

Seis meses após lama da Samarco, solidão assombra últimos moradores de vilarejo de Minas

Júlia Dias Carneiro
Enviada especial da BBC Brasil a Mariana (MG)
Julia Carneiro/BBCImage copyrightJulia Carneiro I BBC

Image captionElias Geraldo de Oliveiras continua morando em Paracatu de baixo, distrito destruído pela lama

“Parece que a gente estava em um mundo e agora está em outro”, diz Elias Geraldo de Oliveiras enquanto percorre o vilarejo de Paracatu de Baixo, agora uma cidade fantasma, arrasada pela onda de lama que botou tudo de cabeça para baixo na região seis meses atrás.

O vilarejo foi o segundo distrito de Mariana, em Minas Gerais, atingido pelo desabamento da barragem da Samarco – empresa que tem as gigantes Vale e BHP Billiton como acionárias.

O colapso da barragem do Fundão vomitou um volume de 20 mil piscinas olímpicas em resíduos de produção de minério de ferro que correram cerca de 700 quilômetros até desaguar no mar, na costa do Espírito Santo.

Elias passou seus 43 anos de vida em Paracatu de Baixo. Ao contrário das cerca de 140 famílias do vilarejo rural, ele não aceitou a acomodação temporária oferecida pela Samarco em Mariana, enquanto se aguarda uma definição sobre onde as casas serão reconstruídas.

Ele insistiu em ficar no vilarejo – ainda que ele só exista em sua memória.

Cidade fantasma

O cenário ao redor é mesmo de outro mundo. Ao longo dos meses, a lama secou. Formou uma camada de aspecto meio lunar, um piso avermelhado e arenoso cerca de 3 metros acima do que antes se entendia por chão, cristalizando tudo onde está: tudo fora do lugar, uma desordem que Elias mapeia como ninguém.

“Está vendo aquele telhado ali? Era daquela casa”, diz apontando para o que resta das duas estruturas. A carcaça de madeira repousa a cerca de 20 metros das paredes que restaram. “Quer ver onde foi parar a minha moto?”, pergunta. Sobe morrotes de barro seco até chegar ao que parece o resto de um cômodo, e lá está metade de uma moto enterrada na lama, a cerca de 40 metros de onde estava antes. “Era novinha. Uma moto muito boa.”

Julia Carneiro I BBCImage copyrightJulia Carneiro I BBC

Image captionParacatu de Baixo foi o 2º distrito de Mariana atingido pelo desabamento da Samarco

Paracatu de Baixo também era uma comunidade “muito boa”, diz. “Era o lugarzinho melhor aqui da região. Fim de semana aqui era cheião de gente. Dia de semana tinha escola à noite, era movimentado.”

É essa lembrança que mantém Elias ali, morando na casa da irmã, localizada na beira da comunidade e que por isso ficou de pé. Alguns poucos vizinhos solitários, não mais que dez, insistem em ficar também, como ele.

Ele descreve de onde viu a onda de lama chegar, gesticulando como se ela novamente estivesse invadindo a cidade. Ao contrário de Bento Rodrigues – o distrito mais atingido pela queda da barragem, onde 19 pessoas morreram –, Paracatu recebeu o aviso de antemão; Elias disse que ajudou a salvar muita gente. Ninguém da comunidade morreu, apesar do cenário apocalíptico.

Ele diz que começou a se acostumar com a destruição. “Vai cicatrizando. A gente vai acostumando, acha que está tudo bem. Mas não está.”

É de noite que a saudade aperta. É muito silêncio.

Julia Carneiro I BBCImage copyrightJulia Carneiro I BBC

Image captionUm dos últimos moradores de Paracatu, Elias diz que noite no lugar é “solitária demais”

Solidão

“De noite é difícil. Isso aqui tudo é escuridão. Entendeu? É solitário demais. Você ouve só cachorro urrar, sentindo falta das pessoas. Tem hora que vejo lanternas na escuridão e são pessoas saqueando as casas. A gente fica triste.”

Elias costumava cuidar de uma fazenda vizinha, que foi atingida pela lama. Agora está desempregado. Está usando um jaleco da Samarco, mas nunca trabalhou lá – ganhou em algum momento da vida e usava no trabalho para proteger os braços do sol forte de Minas.

Ele não culpa a empresa pelo desastre, e diz que a Samarco não pode sair de Mariana – cuja economia é sustentada em boa parte pela empresa. Considera que faltou fiscalização das autoridades públicas. “Os outros falavam que essa represa ia arrebentar. Mas a gente não esperava. Confiava na Samarco.”

Enquanto percorre o que restou do vilarejo, ele mostra o bar que tinha o melhor pastel de Paracatu, onde a comunidade se reunia à noite; a creche que tinha acabado de ser inaugurada, tingida de vermelho-ocre pela lama; a escola, que atraía gente de cidades vizinhas para as aulas noturnas; os instrumentos musicais que usavam todos os anos para a festa de folia de reis; e a casa em que cresceu e onde morava com o pai e a madrasta.

É uma mistura de telhas e vigas caídas, cobertores e toalhas tingidos de marrom, um fogão enterrado na lama, o capacete da moto de Elias ainda visível no que era seu quarto. Se alguém ainda estivesse lá dentro, a lama estaria até o pescoço.

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Image captionMoradores de Paracatu viram onda de lama chegar e conseguiram escapar, diz Elias

Família

“Ali era casa do meu irmão, ali era casa do meu irmão, ali, outro irmão…” diz ele enquanto aponta para todos os lados, indicando o que sobrou das casas ao redor. Os vizinhos eram todos parentes. Ele faz a conta na cabeça e jura ter cerca de 30 irmãos, frutos de três casamentos do pai, de mais de 80 anos.

“Fiz questão que meu pai ficasse em Mariana, porque aqui estava sem recurso, sem estrada, sem médico. Mas ele está chateado. Vem quase todo dia aqui visitar. Chora muito”, conta.

Após o acidente, os moradores desabrigados das comunidades atingidas foram levados para abrigos temporários em Mariana, depois a hotéis. Mais recentemente, eles receberam casas alugadas pela Samarco pelo período inicial de um ano.

Comissões de moradores de Paracatu e Bento Rodrigues estão tendo reuniões frequentes com a empresa para definir onde Paracatu será reconstruída. Alguns terrenos no entorno do vilarejo estão sendo considerados.

Julia Carneiro I BBCImage copyrightJulia Carneiro I BBC

Image captionComissão de moradores está fazendo reuniões para definir onde distrito será reconstruído

“Aqui era tudo parente. Se adoecesse um, todo mundo corria e ajudava. A comunidade sempre foi unida. Agora ninguém se vê mais. Está todo mundo separado”, lamenta Elias.

Ele diz não querer uma casa em Mariana – nem consegue pensar, no fundo, em uma casa em qualquer outro lugar longe daquele vilarejo cercado por morros verdes.

“A casa nossa é simples, a gente queria uma casa do mesmo jeitinho. Gostaríamos de refazer as casas no mesmo lugar”, afirma, sentado nos escombros que viraram seu lar. “Mas infelizmente não tem como.”

Fonte: – BBC Brasil

Professor de Princeton faz sucesso com publicação de ‘currículo de fracassos’

Da BBC Mund

Image captionDesde que publicou currículo, psicólogo recebeu centenas de cumprimentos por ter dado a todos ‘uma grande lição’

Um professor de uma das universidades mais famosas do mundo, a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, está fazendo sucesso com um currículo em que faz o oposto do que normalmente se costuma fazer – relata apenas os fracassos de sua carreira.

Em geral, currículos – em especial de acadêmicos – relatam uma vasta trajetória de cursos concluídos, diplomas, doutorados, pesquisas, publicações e reconhecimentos.

Mas Johannes Haushofer, professor associado de psicologia em Princeton, divulgou em sua conta no Twitter um currículo em que relata apenas as ocasiões dos cargos que disputou e não levou, dos prêmios que não ganhou, ensaios que foram rejeitados por publicações acadêmicas e pedidos de financiamento de pesquisas que não foram aprovados.

Com a iniciativa, Haushofer recebeu apoio de colegas, estudantes e centenas de usuários de redes sociais.

Universidade de PrincetonImage copyrightUniversidad de Princeton

Image captionO professor Haushofer disse que seu currículo de fracassos conseguiu mais sucesso que seus trabalhos acadêmicos

“Fracasso em muitas coisas que tento fazer. Mas, frequentemente, estas decepções são invisíveis enquanto os sucessos sempre são notados”, diz o professor na introdução de seu “currículo de fracassos”.

Formato e categorias

Haushofer elaborou o documento utilizando o formato conhecido dos currículos e dividindo-o em categorias, como “programas de estudo para os quais não me qualifiquei”, “cargos acadêmicos e bolsas que não consegui” e assim por diante.

Em uma última categoria, que chamou de “metafracasso”, Haushofer incluiu um pouco de humor.

“Este maldito CV de fracassos recebeu muito mais atenção do que todo o meu trabalho acadêmico.”

Desde que publicou a lista, na semana passada, o psicólogo – que também tem doutorado em economia – já recebeu centenas de cumprimentos por ter dado a todos “uma grande lição”.

Muitos afirmaram que Haushofer é um “otimista”, “inspirador” e “inovador”.

Convite

Getty

Image captionA Universidade de Princeton é considerada uma das melhores dos EUA, junto com outras instituições como Harvard e Yale

O “currículo de fracassos” de Haushofer foi inspirado em um artigo da neurobióloga Melanie Stefan, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, publicado na revista Nature em 2010.

“Faça seu próprio currículo de fracassos. Você verá que ele será seis vezes maior do que um currículo normal. Mas você vai se lembrar de verdades perdidas, a essência do que significa ser um cientista e pode ser que você inspire um colega para que ele esqueça a rejeição e comece de novo”, escreve ela no texto, pensando em uma forma de lidar com experiências de rejeição na vida acadêmica ou profissional.

Haushofer contou em entrevista ao jornal americano The Washington Post que seguiu o conselho de Stefan e registrou por escrito, em 2011, todas as vezes em que fracassou em sua carreira.

O objetivo era enviar o documento para um colega que estava passando por um momento ruim.

Mas, na semana passada, Haushofer decidiu tornar o documento público em sua conta no Twitter.

“Só espero que isto seja uma fonte de perspectiva (para outras pessoas) quando as coisas não estejam caminhando tão bem, especialmente para os estudantes e jovens pesquisadores”, afirmou o professor ao The Washington Post.

Fonte: – BBC Brasil