Fim de Festa


Por Vinícius Bertoletti

Acabou-se mais um carnaval, se bem que na minha idade isso não signifique nada. Ser ou não ser carnavalesco deixou de ser a questão. Mas, quando eu era jovem e morava no Rio de Janeiro, eu aguardava com ansiedade a folia de Momo.

Uma coisa interessante é que, quando o carnaval começa, parece que quatro dias são um longo período e a festa vai durar muito tempo. Puro engano, num instante o tempo passa, deixando um resto de ilusão, cansaço e muita ressaca.

O que eu gostava mais em minha juventude não era precisamente o próprio carnaval, mas os meses que o antecediam, repletos de festas pré-carnavalescas, normalmente nos sábados à tarde, no centro da cidade, em Copacabana, ou na Barra da Tijuca. Elas tinham nomes engraçados: Mamãe eu Vou às Compras, Baile da Arrumação, Baile do Emplasto, etc.

Em certa época, meu primo Expedito, que era capitão da Polícia Militar, exerceu o posto de ajudante de ordens do Chefe de Polícia da cidade. Ele me enchia de convites para essas festas e eu me esbaldava a valer.

Eu gostava muito era de brincar na rua, na Avenida Rio Branco, que ficava cheia de foliões, dia e noite. À noite havia os desfiles das escolas de samba nessa avenida. A polícia surgia, afastando os foliões e a escola passava, cercada por cordas e com um abre-alas que dizia: a escola tal saúda o povo e pede passagem. Não era essa riqueza e ostentação de hoje, mas uma coisa mais simples e autêntica, do povo mesmo. O desfile era só no pé, o samba na rua. Trajavam fantasias nas cores da escola, a maioria dos homens com uma roupa de conde: blusa e calça justa de cetim, botas e um chapéu emplumado. Não sei se vocês ainda se recordam do samba:

Encontrei,

Hoje cedo no meu barracão,

Minha roupa de conde no chão,

Fantasia de plumas azuis a rolar…

 

As escolas não tinham carros alegóricos; estes eram das grandes sociedades: Democráticos, Fenianos, Tenentes do Diabo e outras. Eram bem simples, com belas moças fantasiadas a bordo, jogando beijos para     o povo.

Tudo era mais autêntico. Depois surgiram os bicheiros, Castor de Andrade, Anísio David, Capitão Guimarães e outros, investindo muito dinheiro nas escolas de sua predileção e o desfile foi se sofisticando.

Finalmente, Oscar Niemeyer inventou a passarela da Marquês de Sapucaí e o povo deixou de brincar o carnaval na rua, para assistir outros brincarem o carnaval. As escolas passaram a desfilar automaticamente, em um percurso cronometrado, com todos os quesitos dentro de um figurino pré-estabelecido: ala das baianas, mestre sala e porta bandeira, alegorias, etc. Não sei se é saudosismo, mas para mim o carnaval perdeu a pureza, a autenticidade. Virou carnaval para turista. Ou será que sou eu, que fiquei amargo com a idade?

O certo é que não aprecio mais o desfile das escolas, tudo igual que nem um caminhão de japoneses. Mas, quem não conheceu a alegria dos antigos carnavais cariocas, deve achar atraente e divertido o aspecto atual. Como já dizia o bom Shakespeare: Ser ou não ser eis a questão…

Por que o Shakespeare entrou no carnaval? Sei lá, acho que ele estava querendo brincar.

Na próxima crônica, eu vou divulgar um samba muito bonito,       que fiz há muito tempo (até hoje inédito) e que se chama: “Amor de Segunda-Feira”.

Guarapari, 12/02/2016

*Poeta e romancista

 

Retratos de Miguel Ângelo idoso indicam que as suas mãos tinham artrite

Retratos de Miguel Ângelo idoso indicam que as suas mãos tinham artrite

Miguel Ângelo provavelmente tinha osteoartrite, mas a dedicação à arte pode ter mantido as suas mãos funcionais até à morte, em 1564. Essas são as conclusões tiradas por médicos que estudaram três retratos do génio com idade entre os 60 e os 65 anos, feitos por outros artistas.

As pinturas mostram que as juntas pequenas da mão esquerda foram afectadas por mudanças degenerativas não inflamatórias, ainda que retratos anteriores não demonstrem tal deformidade.

«O trabalho intenso e contínuo pode ter ajudado Miguel Ângelo a manter o uso das mãos pelo tempo que fosse possível», declarou Davide Lazzeri, especialista em plástica reconstrutiva e cirurgia estética da Clínica Villa Salaria, em Roma, e um dos autores do estudo publicado no Journal of the Royal Society of Medicine.

Fonte: – Diário Digital

Descobriu-se nova forma de olhar o Universo, considera físico Stephen Hawking

Descobriu-se nova forma de olhar o Universo, considera físico Stephen Hawking

O físico britânico Stephen Hawking afirmou hoje que a deteção das ondas gravitacionais, a última previsão ainda por comprovar das teorias do físico alemão Albert Enstein, abre a porta a «uma nova forma de olhar o Universo».

“A capacidade de as detetar tem o potencial de revolucionar a Astronomia”, disse à estação televisiva britânica BBC o físico teórico de 74 anos, especialista em buracos negros.

A deteção destas ondas, os sinais que grandes cataclismos deixam no Universo, constitui também “a primeira prova de um sistema binário de buracos negros e a primeira observação de buracos negros fundindo-se”, sublinhou Hawking.

“Além de provar a Teoria da Relatividade Geral, podemos esperar ver buracos negros ao longo da história do Universo. Poderemos inclusive ver os vestígios do Universo primordial, durante o ‘Big Bang’”, graças às ondas gravitacionais, salientou o físico.

A investigadora Sheila Rowan, da Universidade de Glasgow, que participou no projeto do Observatório Norte-Americano de Interferometria Laser (LIGO) que detetou as ondas, descreveu o seu trabalho como “uma viagem fascinante”.

“Estamos sentados aqui na Terra observando como as costuras do Universo se esticam e encolhem devido a uma fusão de buracos negros que ocorreu há mais de mil milhões de anos”, observou Rowan.

“Quando ligámos os nossos detetores, o Universo estava pronto, à espera para dizer ‘olá’”, disse a investigadora.

Os cientistas do LIGO anunciaram hoje numa grande conferência de imprensa em Washington que as ondas gravitacionais cuja existência Albert Einstein previu há um século na sua Teoria da Relatividade Geral foram pela primeira vez detetadas de forma direta a 14 de setembro do ano passado.

O anúncio pôs fim a meses de rumores e grande expectativa entre a comunidade científica perante uma descoberta que abre a porta à redescoberta do Universo, desta vez sem necessidade da luz.

As ondas foram detetadas às 09:51 TMG do dia 14 de setembro de 2015 pelos dois detetores do LIGO, um localizado em Livingston (Louisiana) e outro em Hanford (Washington).

As ondas gravitacionais contêm informação sobre as suas dramáticas origens e sobre a natureza da gravidade que não podem ser obtidas de nenhuma outra maneira.

Os físicos concluíram que as ondas gravitacionais detetadas foram produzidas durante a fração final de um segundo da fusão de dois buracos negros num de maiores dimensões. Essa colisão de dois buracos negros tinha sido prevista, mas nunca observada.

Como esse tipo de sistemas é pouco frequente, esse tipo de fontes encontra-se a distâncias de anos-luz. Portanto, a busca de ondas gravitacionais implica tentar encontras os minúsculos efeitos de alguns dos sistemas astrofísicos mais energéticos nas profundidades do Universo.

Fonte: – Diário Digital / Lusa

Ondas gravitacionais são detectadas 100 anos após Einstein prevê-las

Ondas gravitacionais são detectadas 100 anos após Einstein prevê-las

As ondas gravitacionais, cuja existência Albert Einstein previu há um século na sua Teoria da Relatividade Geral, foram detectadas pela primeira vez de forma directa no dia 14 de Setembro do ano passado, o que permitirá um melhor conhecimento do Universo, anunciaram esta quinta-feira cientistas do Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferómetro Laser (LIGO, na sigla em inglês).

Numa grande conferência de imprensa em Washington, os cientistas puseram fim a meses de rumores e de grande expectativa entre a comunidade de investigadores diante de uma descoberta que abre caminho para se redescobrir o universo, desta vez, sem necessidade da luz.

«A nossa observação das ondas gravitacionais cumpre um ambicioso objectivo estabelecido há cinco décadas para detectar de maneira directa este fenómeno e entender melhor o universo», explicou o director do projecto LIGO, David Reitze.

«Além disso, completamos o legado de Einstein no centenário da sua Teoria da Relatividade Geral», acrescentou.

Einstein descobriu na sua Teoria da Relatividade que os objectos que se movimentam no universo produzem ondulações no espaço-tempo e que estas se propagam pelo espaço. Predizia assim a existência das ondas gravitacionais.

As ondas foram detectadas às 9:51 GMT do dia 14 de Setembro pelos dois detectores do LIGO, um localizado em Livingston (Louisiana) e outro em Hanford (Washington), nos Estados Unidos.

As ondas gravitacionais transportam informação sobre o movimento dos objectos no universo, e espera-se que permitam observar a história do cosmos até instantes remotos da sua origem.

Fonte: – Diário Digital

Doenças modernas podem resultar de genes dos neandertais – Estudo

Doenças modernas podem resultar de genes dos neandertais - Estudo

Um estudo hoje divulgado pela revista científica Science mostra evidências de uma «subtil mas significativa» ligação entre o DNA do ‘Homem Neandertal’ e doenças modernas, como a depressão, coágulos sanguíneos e ataques cardíacos.

«A nossa principal conclusão é que o DNA do ‘Homem Neandertal’ influencia realmente os traços clínicos nos humanos modernos», lê-se no artigo, citado pela agência de notícias AFP.

«Descobrimos associações entre o DNA e um vasto leque de traços em doenças imunológicas, dermatológicas, neurológicas, psquiátricas e reprodutivas», acrescenta o estudo.

Fonte: – Diário Digital / Lusa