Brasília Recebe o 10º Encontro de Folia de Reis do Distrito Federal
Por Redação
Desde as 18h desta sexta-feira, 29, que Brasília (DF) é a sede do 10º Encontro de Folia de Reis do Distrito Federal, que acontecerá até domingo, 31, no Parque de Exposição da Granja do Torto. A entrada é franqueada ao público.
O público será brindado com diversas manifestações musicais de raiz, como curraleira, lundu e catira. São 30 grupos, representantes de seis Estados, que fazem parte do programa do Encontro.
Uma das atrações mais esperadas é a da Pastoral de Foliões de Goiás, que realizará uma missa sertaneja.
Lançamentos
Além de danças, serão feitos lançamentos de CDs de música regional e shows, entre outros, com Renato Teixeira, Zé Mulato e Cassiano e Saulo Laranjeiras.
Um dos organizadores do Encontro, Volmi Batista, pede apenas que a comunidade leve alimentos não perecíveis para que os foliões de reis tenham o que comer.
“Até a última terça-feira, tínhamos mais de três mil quilos de alimentos, mas ainda é pouco,” afirmou.
Mais atrações
Além dos 30 grupos de Folia de Reis, a maioria oriundo da zona rural, o programa é rico em atrações musicais. Nesta sexta-feira ocorrerá o show de Zé Mulato e Cassiano, que faz três lançamentos: um CD, um DVD e um CD instrumental.

O público que for ao Encontro de Folia de Reis, no Parque de Exposições da Granja do Torto, encontrará opções culturais variadas.
Também nesta sexta-feira será feita a apresentação do violeiro, humorista e ator Saulo Laranjeiras, que atua no programa A Praça É Nossa, do SBT – Sistema Brasileiro de Televisão.
No sábado, 30, entre outras atrações, o show de Goiano e Paraense. No domingo, 31, o Encontro terá shows de encerramentos a cargo de Galvão e Galvãozinho e Renato Teixeira.
Serviço
O que: 10º Encontro de Folia de Reis do DF,
Onde: Parque de Exposições da Granja do Torto.
Quando: de sexta-feira, 29, a domingo, 31 de janeiro.
Quanto: entrada franca. Os organizadores pedem que o público leve alimentos não perecíveis para o cardápio dos foliões. E que os menores de idade sejam acompanhados dos pais.
Aldo Rebelo Lança Raposa-Serra do Sol – O Índio e a Questão Nacional

O editor Victor Alegria e o deputado Aldo Rebelo: primeiros exemplares de Raposa-Serra do Sol, na Thesaurus Editora. Por Victor Tagore.
Por Redação
Os primeiros exemplares do livro Raposa-Serra do Sol – O índio e a questão nacional, de autoria do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) foram entregues ao autor terça-feira, dia 26, pelo editor Victor Alegria, da Thesaurus Editora.
O livro estará nas livrarias a partir desta segunda-feira e será lançado dia 27 de fevereiro, na Câmara dos Deputados, em Brasília. A publicação reúne artigos, entrevistas e ensaios do deputado sobre o processo de demarcação de terras indígenas na reserva Raposa-Serra do Sol.
Neste processo, que mobilizou índios e fazendeiros em Brasília (DF), durante votação histórica no Supremo Tribunal Federal, pela demarcação, o Estado brasileiro expulsou os não índios da região e criou uma área contínua de 1, 7 milhão de hectares para cinco tribos indígenas.
Como fio condutor dos textos, Aldo evoca a ideia da unidade nacional. “A generosidade de um país continental deve ser ampla e isonômica, ou seja, estende-se a todos os seus nacionais. É tão brasileiro o índio macuxi quanto o colono gaúcho”, escreve num dos artigos selecionados para a edição do livro.
Desconstrução
Para Carlos Lessa, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ que assina o prefácio da obra, “o pano de fundo que envolve as preocupações de nosso autor é a desconstrução do conceito de nação”.
O embaixador Jerônimo Moscardo, que também participa da publicação, lembra em seu texto que iniciativas desnacionalizantes já fizeram parte da história do Brasil e foram derrotadas, como o episódio do convênio da Hiléia Amazônica, de 1950.
“A exemplo de Arthur Bernardes, creio que as teses de Aldo Rebelo prevalecerão”, afirma. Arthur Bernardes se pronunciou, como deputado federal, contrário ao convênio que entregaria mais de um terço do território brasileiro a “interesses mundiais”.
Serviço
Raposa-Serra do Sol – O Índio e a questão nacional estará nas livrarias a partir de fevereiro. O lançamento ocorrerá dia 24 de fevereiro, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília, a partir das 17 horas.
http://www.aldorebelo.com.br/?pagina=noticias&cod=1079
Jacinto Guerra: ‘Qualquer Coisa Que Desperte Minha Atenção e Curiosidade me Inspira’
Por Menezes y Morais *
Jacinto Guerra Jacinto Guerra, professor e escritor, natural de Bom Despacho, Minas Gerais, onde nasceu a 16 de julho de 1935, mora em Brasília e fez curso de Letras em Belo Horizonte, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Contista, cronista, pesquisador, é autor, entre outros, de O Gato de Curitiba (Thesaurus). Jacinto Guerra concedeu esta entrevista por e-mail à Nós – Fora dos Eixos, na qual fala de literatura, o amor que sente por sua aldeia natal (Bom Despacho) e da paixão por Brasília. Confira.
Nós – Fora dos Eixos: Quem é Jacinto Guerra?
Jacinto Guerra: Sou um trabalhador da cultura, mineiro de Bom Despacho, morador de Brasília e um luso-descendente que muito se orgulha de suas origens na pátria de Camões e Eça de Queiroz. Quando criança, morei em Moema e Lagoa da Prata, cidades mineiras muito presentes em minhas memórias de infância.
NFE: Como luso-descendente, quantos pré-nomes teria o seu nome?
JG: Na internet, registro no programa Família RTP, da Rádio Televisão Portuguesa, uma curiosidade interessante: caso voltasse o costume muito antigo de acrescentar os sobrenomes de nossos antepassados ao nosso próprio nome, o leitor estaria lendo uma entrevista com Jacinto Guerra da Silva Machado Alves Pinto Ribeiro de Freitas Mourão.
NFE: Mas a sua realidade é Brasília. Você gosta daqui?
JG: Tenho muito entusiasmo com Brasília, desde os tempos da ousadia do presidente Juscelino Kubitschek ao construir e inaugurar, no Planalto Central, a capital da Esperança. Considero-me um mineiro muito próximo de todos os quadrantes da Pátria, com os olhos e o coração voltados para sua aldeia natal e para o mundo inteiro.
NFE: Dividiu o coração entre Minas e Brasília?
JG: Mineiro-brasiliense, considero-me um “escritor de província”, na expressão muito querida de Cassiano Nunes para os que escrevem e publicam nas diversas regiões do Brasil, fora do eixo Rio-São Paulo, fazendo uma literatura de qualidade sem os privilegiados espaços da mídia nacional e das grandes editoras.
NFE: Você se define como “escritor de província?”
JG: Sim. Sou também um escritor entusiasmado defensor da natureza, que precisamos preservar com muito empenho, em minhas ações do cotidiano, faço tudo o que é possível nesse sentido. Provinciano com muito orgulho, passei grande parte de minha vida em cidades pequenas, numa região de montanhas e planícies, no interior de Minas, onde nasce o Rio São Francisco.
NFE: Você tem alguma religiosidade?
JG: Tenho muita fé em Deus, criador de todas as coisas. Entendo que não existe nada mais importante que a cultura de um povo. Gosto muito de livros, bibliotecas, folclore, museus, festas populares, obras de arte, monumentos antigos e modernos, arqueologia, mas entendo, também, que precisamos valorizar os esportes, cuidar da saúde, influir na política e na vida pública da cidade e do país, enfim, exercer a cidadania com responsabilidade e grandeza.
NFE: O que o levou à literatura?
JG: De origem modesta no interior de Minas, não tínhamos livros em casa nem bibliotecas públicas nos lugares em que morei com minha família. No entanto, meus pais, Antônio Guerra Filho e Ester Pinto Guerra eram pessoas inteligentes, que muito valorizavam a educação e a cultura.
Dona Ester foi minha primeira professora, escrevia bem, tinha uma letra bonita e era muito organizada em suas atividades de educadora em casa e na escola. Meu pai gostava muito de conversar com os filhos, transmitindo-nos suas experiências e seus valores, sobretudo de civismo e de amor à terra natal, sua pátria pequena: Bom Despacho.
Escrevi uma pequena biografia de Antônio Guerra Filho, texto ainda inédito, história de um brasileiro comum, com suas lutas e esperanças ao longo de muitas décadas do século XX. Já a vida de minha mãe encontra-se no meu livro Gente de Bom Despacho – histórias de quem bebe água da Biquinha (Thesaurus, 2003), prefácios de Ronaldo Cagiano e Pedro Rogério Moreira.
NFE: E os estudos?
JG: Iniciei o curso primário numa escola rural de Lagoa da Prata, terra de minha mãe. Depois fui estudar na cidade, como aluno de Maria Belarmina Guadalupe, jovem professora muito entusiasmada com as artes, as letras, o Brasil e, principalmente, a sua e a nossa Lagoa da Prata. Presto homenagem a dona Guadalupe em minha crônica “A invasão do México”, texto literário inspirado nos Quinhentos Anos da Descoberta da América, traduzido para o espanhol por Kori Bolívia e publicado no meu livro O gato de Curitiba – crônicas de viagem (Thesaurus, 2004, 2ª edição), que recebeu o Prêmio BDMG Cultural de Literatura/Banco do Desenvolvimento de Minas Gerais.
No Grupo Escolar Dr.Jacinto Campos, encantei-me com a literatura infantil de Monteiro Lobato e com o incentivo de dona Guadalupe, que despertava em seus alunos o interesse pelos livros e o desafio de escrever corretamente e com certa elegância. Estávamos na década de 1940, governo do presidente Getúlio Vargas. O Brasil encontrava-se em guerra na Europa. No interior de Minas, distante milhares de quilômetros dos campos de batalha, sentíamos, com o mundo inteiro, as preocupações e as dificuldades de um conflito internacional de grandes proporções.
O jovem tenente Joaquim Guadalupe, irmão de minha professora, era um dos oficiais da Força Expedicionária Brasileira, a FEB, que lutava na II Grande Guerra Mundial, nas montanhas e planícies da Itália. Todos os dias, no início das aulas, rezávamos para que a guerra terminasse, com a vitória do Brasil e das forças aliadas, pedindo a volta dos pracinhas da FEB e do tenente Guadalupe. Queríamos sua volta são e salvo para o Brasil e a sua Lagoa da Prata, o que felizmente ocorreu.
NFE: Qual a sua primeira incursão na Literatura?
JG: Num trabalho escolar, ainda quando os brasileiros lutavam na Europa, destaquei-me em primeiro lugar entre meus colegas, ao escrever e enviar para a Itália a melhor carta ao tenente Guadalupe, desejando-lhe breve retorno da Europa, com a paz mundial que todos esperávamos.
Mais tarde, em Bom Despacho, no Ginásio Estadual ( hoje o Miguelão, Escola Estadual Miguel Gontijo), destaco-me novamente, entre meus colegas, com um trabalho de redação sobre “O Brasil no Campeonato Mundial de Futebol”, considerado excelente pelo professor Geraldo Majela de Melo Santos, grande incentivador do livro e da leitura. Era o ano de 1958. As obras da construção de Brasília desenvolviam-se em ritmo surpreendente, empregavam milhares de trabalhadores e entusiasmavam o país, pela ousadia, a modernidade e a beleza. Enquanto isto, em Estocolmo, na Suécia, o Brasil conquistava, pela primeira vez, o Campeonato Mundial de Futebol. Era emoção demais da conta!
Ainda no ginásio, que correspondia aos últimos anos do atual de Ensino de 1º Grau, cheguei a ler, num ano, mais de 40 bons livros e muitas páginas, além de jornais, revistas e almanaques, num sistema de empréstimos entre colegas. Esse hábito consolidou-se com a iniciativa de nossa professora de História, dona Joesse de Melo Queiroz ao fundar a biblioteca do nosso Ginásio Estadual.
NFE: Quando você descobriu vocação para ser escritor?
JG: Com o hábito da leitura veio, naturalmente o interesse em escrever e publicar. Ainda adolescente, aos 16 anos, comecei a escrever notícias de minha cidade para jornais de Belo Horizonte: “O Diário” e, depois, o “Diário de Minas”. Depois do jornalismo, passei a escrever alguns textos mais literários, inclusive para a Rádio Difusora Bondespachense, sempre com muito prazer pelas atividades de redação. Mais tarde, fui trabalhar e estudar em Belo Horizonte, onde fiz o curso de Letras na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Como professor de Língua Portuguesa, ampliaram-se meus contatos com a literatura. Em Patos de Minas e, depois, em Brasília, firma-se a minha vocação literária e a oportunidade de publicar livros.
NFE: Você também envolveu-se com o jornalismo estudantil. Como foi essa experiência?
JG: No final dos anos 1960, em minha terra natal, fui um dos redatores e o diretor-presidente do jornal “0 Bom Despacho”, pioneiro da mídia impressa na cidade da Senhora do Sol. No início da década de 2000, tive outra experiência enriquecedora: desta vez, como editor do Caderno de Cultura do “Jornal MG Turismo”, de Belo Horizonte, empreendimento do meu irmão Antônio Claret Guerra, jornalista e empresário mineiro.
NFE: Como é o seu processo criativo?
JG: Escrevo pelo gosto de escrever. Trabalho bastante o texto, procurando clareza, correção, e elegância, tendo em vista agradar o leitor da melhor forma possível. Na escolha dos temas para uma crônica, um ensaio, um conto, inspiro-me em minhas viagens, leituras, conversas, uma notícia de jornal ou da televisão, qualquer coisa que me desperte atenção e curiosidade. Tenho mais facilidade de escrever no horário da manhã. Quando chega uma idéia, tenho vontade de começar a escrever imediatamente. Se não tenho caneta e papel, escrevo na imaginação como foi o caso de um dos meus trabalhos mais lidos e comentados: o conto-ensaio “Um carnaval diferente”, cujas idéias e toda a sua estrutura foram elaboradas de manhã, em Brasília, numa caminhada em duas superquadras da Asa Sul.

Escultura em bronze (Rio de Janeiro) do poeta Carlos Drummond de Andrade, conterrâneo e uma das leituras preferidas de JG.
NFE: Quais os autores que você mais gosta?
JG: É uma pergunta difícil de responder, porque gosto de muitos autores, de gêneros e literaturas diversas, de língua portuguesa e de outros idiomas. Lembrando Mário Quintana, prefiro não falar dos que ainda vivem, principalmente bons escritores de Brasília, Goiás e Minas Gerais, que estão mais próximos de nós, são nossos amigos e com eles muito aprendemos. Falo, então, de escritores brasileiros e portugueses, de quem já nos despedimos do convívio mais próximo, mas que continuam vivos nos livros e em nossa memória literária: Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Fernando Sabino, Carmo Bernardes, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Bernardo Élis, Raquel de Queiroz, Cassiano Nunes, Cora Coralina, Graciliano Ramos, Fernando Pessoa, Miguel Torga e tantos outros.
NFE: O que os leitores podem esperar do escritor Jacinto Guerra neste 2010?
JG: Continuarei escrevendo minhas crônicas, contos, ensaios, artigos, comentários diversos e, talvez, alguma poesia. Ainda em 2010, pretendo lançar O cavaleiro andante – viagens mundo afora, já no prelo da Thesaurus, com apoio do Governo do Distrito Federal/Fundo de Apoio à Cultura – FAC. No entanto, meu lançamento mais próximo será do livro Uma casa navega no mar – contos, crônicas e pequenos ensaios (Thesaurus, 2008), que está nas livrarias, num evento conjunto com Nilce Coutinho Guerra, minha esposa, que irá lançar Valquíria – contos e crônicas, com prefácio de Santiago Naud, também pela Thesaurus, com apoio do FAC. Nilce é professora de Educação Artística, estudiosa do folclore, autora da coleção Baú de Brincadeiras, com os livros Palavra de Saci, Vamos Brincar, Criança e Como Brincar e Fazer Brinquedos. Pretendo, também, em comemoração do Cinqüentenário de Brasília, continuar minhas palestras e oficinas literárias sobre os meus livros JK – Triunfo e Exílio:um estadista brasileiro em Portugal, já em 2ª edição, e JK – Um comício em Goiás, ensaio histórico sobre o início da campanha presidencial de 1955, quando em Jataí, o então candidato Juscelino Kubitschek prometeu construir Brasília e transferir a capital do País para o Planalto Central.
NFE: Acrescente o que julgar necessário.
JG: Desejo apenas agradecer a oportunidade da entrevista e cumprimentar Victor e Tagore Alegria, administradores e mestres dessa universidade do livro, que é a Thesaurus – e, também, levar meu abraço ao escritor Menezes e Morais, editor da revista Nós – Fora dos Eixos, que tão bem representa os valores universais da cultura, sobretudo para os países e comunidades de Língua Portuguesa em todos os continentes.
* Menezes y Morais é jornalista, professor,
escritor, historiador
e editor da Nós – Fora dos Eixos.
Serviço
Os livros do escritor Jacinto Guerra
podem ser encontrados
na Livraria Virtual da Thesaurus:
Nova República ou a Transição da Ditadura Para o Estado Democrático de Direito no Brasil

Tancredo Neves (mão direita levantada), no momento em que é proclamado Presidente eleito no Colégio Eleitoral: começa a Nova Repúblilca.
Por Menezes y Morais *
Sexta-feira, 15 de janeiro de 2010, a restauração da Democracia completou 25 anos no Brasil, após a interrupção de 20 anos, patrocinada pelo golpe de Estado de 31 de março de 1964, que institui a ditadura militar.
Foi deposto o presidente João Goulart (PTB) – eleito pelo povo, que assumira a Presidência com a renúncia de Jânio Quadros (UDN) – e imposto um regime de exceção, que prendeu, torturou, exilou e matou opositores políticos, considerados comunistas.
No dia 15 de janeiro de 1985 nascia a Nova República, assim chamada por Tancredo Neves (PMDB). A redemocratização também foi fruto da campanha história pelas “Diretas já!”
Eu escutei a expressão “diretas já” da boca do jornalista Hélio Doyle, durante uma assembléia do nosso querido Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF. Pedi a palavra ao presidente (hoje professor da Universidade de Brasília) Hélio Doyle e acrescentei: “Diretas já, diretas sempre!”
Tancredo articulou a Aliança Democrática, que venceu a eleição indireta imposta pela ditadura, que tinha como candidatos Paulo Maluf e Flávio Marcílio (PDS).
Morte de Tancredo
José Sarney (PFL, ex-PDS) foi o candidato à vice-presidente na chapa de Tancredo, que morreu (21 de abril) sem tomar posse. Sarney assumiu a Presidência da Nova República.
É convocada a Assembléia Nacional Constituinte, que elabora a “Constituição cidadã” de 1988, O Brasil passa a ser um Estado democrático de direito.
Foi o deputado Ulysses Guimarães – que morreu num acidente aéreo-marítimo, cujo corpo nunca foi devolvido pelo Oceano Atlântico – quem cunhou a expressão “Constituição cidadã”.
Moinhos de vento
De 1985 até agora a restauração da Democracia brasileira enfrenta os naturais moinhos de ventos, que sinalizam naquela definição histórica do filósofo Platão: é o pior regime político, mas o homem ainda não criou outro melhor.
Entre outros, a nação brasileira assistiu aos escândalos políticos de corrupção ocorridos logo após a redemocratização, no governo do presidente Fernando Collor de Melo (PRN).
Collor, aliás, renunciou para não ser cassado pelo Congresso Nacional, mas ficara oito anos fora da política por determinação do Supremo Tribunal Federal. Atualmente é Senador da República por Alagoas.
Collor ainda tentou safar-se, disse que havia tomado um empréstimo num país latino-americano, cujo avalista teria sido o empresário (e depois Senador pelo Distrito Federal) Luiz Estevam (PMDB).

Fernando Collor de Melo, primeiro Presidente eleito pelo voto direto, após o fim da ditadura militar. A corrupção atinge seu governo e o leva à renúncia.
Estevam, aliás, foi cassado por corrupção e hoje dirige o Brasiliense, time de futebol que criara, após ter os direitos políticos cassados.
Com a saída de Collor do cenário político assumiu o vice-presidente Itamar Franco (PMDB). Durante seu governo, moralizante, explodiu no Congresso um dos maiores escândalos que se tem conhecimento, conhecido como “Anões do Orçamento.”
Corpos crivados de bala
O pivô do escândalo Collor foi o seu ex-tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, cujo corpo fora encontrado crivado de balas, ao lado da amante Suzana, em sua mansão cinematográfica em Maceió (AL).
Durante o Governo Sarney, o seu ministro da Indústria e Comércio, o então deputado Roberto Cardoso Alves (PTB), teve o nome envolvido em três negociadas no espaço de um mês e ganhou “destaque” nas revistas Veja e IstoÉ, entre outros veículos de comunicação de massa.
Em tempo: Sarney não teve nada a ver com o mar de lama, cuja cloaca explodiu apenas durante o seu mandato. Depois de Sarney, também pipocaram escândalos de corrupção durante o Governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), sem o envolvido deste. Aí veio o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Mensalão do PT
Durante o primeiro mandato de Lula, as comportas da corrupção mais típica da democracia parlamentar burguesa se arrebentam e o escândalo de corrupção, que derruba o ministro José Dirceu e leva o Legislativo a caçar alguns mandatos de seus pares, entra para a história republicana brasileira (2005) como o “Mensalão do PT.”
A democracia brasileira com a Nova República chega a 2009, quando explode outro mar de lama, envolvendo o governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-Democratas).
Mensalão do DEM
O “Mensalão do DEM-DF” foi detonado pelo Ministério Público, com a execução da Polícia Federal, com a histórica Operação Caixa de Pandora.
As investigações – para punição dos culpados, com o amplo direito á defesa que somente a Democracia patrona – estão em curso. Mas seja qual forem os resultados a corrupção do DEM-DF já entrou para a história.
Em meio ao mar de lama, a consciência cidadã da Nação resiste e tenta resgatar a ética na política, em defesa da dignidade humana e do patrimônio público.

Itamar Franco assume a Presidência da República com a renúncia de Collor. O Brasil de volta aos trilhos da ética.
O Brasil completa este ano os seus 510 anos de História enquanto Nação, a partir da invasão de 1500 e o marco histórico (1822), com a independência política, que sinaliza em direção à Democracia livre dos grilhões imperiais.
Meio século
Brasília caminha para o seu primeiro cinquentenário, humilhada, porém de cabeça erguida, sem aceitar a impunidade que a maioria pró-Arruda na Câmara Legislativa se auto-acena. Os protagonistas deste escândalo também são chamados de “Quadrilha do Panetone.”
O Brasil não aceita que nenhum tipo de quadrilha, apartidária ou não. E a sociedade brasileira exige punição para os culpados, em nome da defesa do patrimônio público e da ética na política.
Os personagens do mensalão do PT foram declarados réus pelo STF – Supremo Tribunal Federal. Os que compõem a quadrilha do mensalão estão em processo de investigação.
Impunidade, não
O Poder Judiciário não pode alimentar o sentimento de impunidade junto à sociedade. Todo culpado tem que ser julgado – com amplo direito de defesa – e exemplar punição, para que o sentimento de justiça se generalize no senso comum.
É preciso agilizar, fortalecer e democratizar o Poder Judiciário. Toda história tem uma pré-história. O que importa neste lembrete é reforçar a tese: a Democracia no Brasil, 25 anos depois de implantação da Nova República, é uma realidade histórica.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, primeiro operário a chegar ao poder na América Latina: o escândalo de corrupção do "Mensalão do PT" não o atingiu.
A democracia entre nós deixou de ser uma estratégia de setores ortodoxos e sectários, à esquerda e à direita, para ser um fim em si mesma. E não um mero trampolim para a implantação de ditaduras, do capital ou do trabalho.
Socialização da economia
A Democracia é a socialização da política, no sentido aristotélico mais puro.
Quem tortura pratica um ato político. Quem mata não é revolucionário. Quem mata é um assassino. Quem mata alguém porque este não concorda com o seu pensamento político ou religioso não é um Homem, é um monstro.
O que nos vem a lembrança nestes 25 anos de restauração democrática no Brasil é a certeza: a luta da sociedade e sua vanguarda para acabar com a ditadura foi vitoriosa no Brasil e no Mundo. Basta lembrar que as tiranias em nome do capital ou do trabalho ruíram no século XX.
O que este século XXI nos acena, nestes 25 anos de Nova República, é a certeza: precisamos democratizar a economia. Se a democracia é liberdade para todos, a economia não pode ser a ditadura do sistema sobre o povo pobre.
Tampouco sobre a classe trabalhadora, em todos os segmentos da produção das riquezas. Longa vida para a Democracia em todo o Planeta!.
* Menezes y Morais é jornalista, professor, escritor, historiador e editor da Nós – Fora dos Eixos.
Programa Roda de Chora Apresenta um Especial Naipes

Os ouvintes do Roda de Choro, entre outros compositores, poderão escutar músicas de Vivaldi, pelo Quarteto de Brasília. Foto: divulgação.
Por Redação
O Roda de Choro deste sábado, 30 de janeiro de 2010, em sua edição de nº. 245, com produção e apresentação do pesquisador de Música Popular Brasileira, Ruy Godinho,vai ser especial.
Isso porque, garante o apresentador e criador do Roda de Choro, “durante todo o programa, vamos falar sobre os naipes de uma orquestra ou de uma formação instrumental.”
Desta forma, os ouvintes serão agraciados com naipes de percussão (metais e madeira), naipes de sopros (metais e madeira), naipes de cordas, naipes de vozes etc.
Fernando Machado
A produção do programa Roda de Choro convidou o maestro, professor, saxofonista e compositor Fernando Machado, que nos concedeu uma simples, porém esclarecedora aula sobre os naipes.
Na seleção musical, os ouvintes terão, como ilustração: Ney Rosauro (naipes de percussão); Coro e Banda Internacional Nossa Senhora de Fátima (canto Gregoriano) e Coral Encantos (naipes de vozes).
Ouvirão ainda Vivaldi e Quarteto de Brasília (naipes de cordas), Carl Stamitz (naipes de sopro/madeira), Benny Goodman, Banda Mantiqueira e ainda uma Banda de Música (naipes de sopro/percussão).
Serviço
O programa radiofônico Roda de Choro pode ser ouvido por várias emissoras de rádio e também pela internet.
Rádio Câmara, Brasília: www.radio.camara.gov.br (rádio ao vivo), sábados, 12h. Rádio Roquette Pinto, Rio de Janeiro: www.fm94.rj.gov.br terças e quintas-feiras, 14h; quartas e sextas-feiras, às 2h. Rádio Utopia FM, Planaltina (DF), quartas-feiras, 18h. Produção e apresentação: Ruy Godinho. divulgacao2@abravideo.org.br














