Livro será lançado em Havana, no dia do aniversário de Fidel Castro
Em breve entrevista a Nós Fora dos Eixos, o escritor, jornalista e professor de língua portuguesa e literatura brasileira, Edmílson Caminha, que nasceu em Fortaleza, Ceará, em 1952, falou um pouco do seu novo livro: Brasil e Cuba, modos de ver, maneiras de sentir, que será lançado em Havana, no dia do aniversário de Fidel Castro. Edmílson Caminha é consultor legislativo da Câmara dos Deputados, por concurso público de provas e títulos. Colaborou na imprensa de Fortaleza, Teresina, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Brasília. Publicou Palavra de escritor (1995); Inventário de crônicas (1997); Villaça, um noviço na solidão do mosteiro (1998); Lutar com palavras (2001); Drummond, a lição do poeta (2002) e Pedro Nava: em busca do tempo vivido (2003). Abaixo, a breve entrevista concedida ao pelo autor numa de suas visitas à Thesaurus Editora.
Nós: Edmílson Caminha, fale um pouco sobre o livro que será lançado pela Thesaurus Editora…
E.C.:Esse livro, na realidade, não é propriamente sobre Fidel. Veja bem, eu sempre me interessei por Cuba. Sempre tive um interesse muito grande por Cuba e me veio a idéia de fazer o seguinte. Ao longo de três décadas, a partir de 1970, muitos brasileiros escreveram sobre Cuba, brasileiros que foram a Cuba numa época em que era difícil o acesso, até porque não havia vôos diretos, e mais do que difícil era perigoso, porque o sujeito quando voltava era interrogado pela polícia para saber o porquê de ele ter ido a Cuba … Basta dizer que o passaporte brasileiro tinha um carimbo que dizia que não era válido para Cuba. Então para se ir a Cuba tinha que se fazer uma peregrinação. Tinha que ir primeiro ao Peru e, de lá, fazer conexão para Cuba. Muitos brasileiros viajaram nesta época, entre eles Fernando Morais, que escreveu o livro intitulado “A Ilha”, Ignácio de Loyola Brandão, Antonio Callado e Frei Betto, que fez uma longa entrevista com Fidel, publicada em um livro intitulado “Fidel e a Religião”… Então eu li todos esses livros e me ocorreu uma idéia que acredito não ter ocorrido a ninguém. Por que não comparar as múltiplas visões dessas pessoas sobre Cuba? E comparar pra quê? Para ver as divergências e as convergências.
A visão desses autores é sempre favorável ou há restrições? Daí surgiu a proposta do livro, que é uma leitura comparada de obras publicadas sobre Cuba no Brasil. Com o título: “Brasil e Cuba, modos de ver, maneiras de sentir”, justamente porque são muitos os modos de ver Cuba, e muitas as maneiras de sentir.
Nós: Depois desse primeiro momento, qual rumo seguir?
E.C.: Veja, o livro deu um trabalho imenso, basta dizer que é um livro de 200 páginas e quase 600 notas de rodapé, porque a leitura foi minuciosa, cuidadosa, sobre as diferentes visões de brasileiros sobre Cuba. É uma homenagem prestada a Cuba, país que sempre me interessou, e, ao mesmo tempo, uma contribuição, ainda que modesta, para o diálogo que deve haver entre os povos. Isso porque só acredito no futuro quando há diálogo entre nações e povos. Mesmo quando há dificuldades, acredito que aí é que devemos nos unir.
Nós: O que está sendo preparado para o lançamento desta obra?
E.C.: O livro será primeiramente lançado em Cuba, em Havana, porque este ano de 2006 é um ano muito importante para Cuba. Nele, os cubanos comemorarão os 80 anos de Fidel Castro. No dia 13 de agosto, o Fidel estará completando 80 anos, e, imagino, receberá uma grande homnagem na praça da Revolução, o espaço público onde correm esses eventos. Logo após estarei de volta ao Brasil e aí lançarei o livro, aqui em Brasília.
Nós: Com esse trabalho você acaba por enveredar para um estudo de literatura comparada no país, coisa que não se vê com freqüência…
E.C.: Sim, e o que explica essa carência de obras de literatura comparada no país, é o fato de serem projetos que dão muito trabalho, que requerem múltiplas leituras anotadas, e depois escrever sobre aquilo. São projetos trabalhosos, cansativos. Este mesmo que faço sobre Brasil e Cuba acabou assumindo uma dimensão muito maior do que eu esperava. Se no princípio eu achava que iria trabalhar com oito livros, no final cheguei a mais de vinte… É aquela história: a gente sabe como começa e não sabe como termina, então a coisa acaba adquirindo uma dimensão muito maior. Mas fico muito feliz por publicar o livro, e mais ainda por lançá-lo com o selo da Thesaurus, o que é uma garantia de qualidade.
Nós: O livro vai ser bilíngüe?
E.C.: Não. A princípio não, mas acredito que em Cuba haja pessoas que vão se mostrar interessadas em fazer a tradução, com o que o livro poderá cumprir uma boa carreira…
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Vou ler esse livro.
Sou um estudioso de Cuba.