De Paris a Bom Despacho – a poesia universal de Itamar de Oliveira
JACINTO GUERRA* Especial para Revista Nós Fora dos Eixos
Na louvação que dirige a uma de suas musas, o poeta faz uma declaração de amor: “O brilho de seu olhar deve ser compartilhado no céu, na terra e no mar – e o seu sorriso deve ser repartido com gregos e troianos, dividido com os deuses e os humanos”.
Com este micro-poema que transformei em prosa, o professor e jornalista Itamar de Oliveira abre, com luminosidade, as páginas de seu livro Fogo Amigo (Editora Libertas, Belo Horizonte, 2006), agradável surpresa literária que ainda não chegou às livrarias, bibliotecas e salas de leitura.
Até o momento, o novo livro do Brasinha é uma raridade da nossa literatura, também pela sua originalidade cheia de beleza e pelo calor humano de sua mensagem solidária.
No entanto, a poesia desse mineiro – que veio das águas e terras do Lambari e do São Francisco – acaba de chegar às mãos e aos olhos de alguns leitores privilegiados (em Minas Gerais e outras províncias do mundo), antes de alcançar o grande público que merece conhecer e compartilhar com o jornalista-poeta “Tudo de bom / Tudo de puro / Que tiraremos do escuro / Para celebrar a luz”.
Natural da mineiríssima Bom Despacho, a cidade da Senhora do Sol, Itamar é um tipo muito raro de escritor e homem público. Sua formação vem das fontes e das origens mais humildes de nosso povo, construindo uma biografia das mais ricas e interessantes.
Entre suas virtudes, é capaz de amar a terra natal e sua província com a mesma sensibilidade e admiração que devota aos lugares mais emblemáticos do mundo. É o caso de Paris, a capital da França, onde viveu e estudou durante muitos anos, depois de terminar o seu curso superior em Belo Horizonte, na Universidade Federal de Minas Gerais, onde fez sua carreira de professor.
Com o atirador do “Fogo Amigo”, o leitor viaja pela cultura brasileira e universal. Começa na “cidade da Senhora do Sol”, lembra de Dores do Indaiá, a prudência; de Diamantina, muita poesia; de Boa Esperança, a ternura – e de Belo Horizonte que, apesar de centenária, “grande aldeia, planejada, construída para ser capital: hoje, amanhã e sempre a nossa cidade, que trouxemos na viagem, que carregamos na bagagem”.
Mais adiante, Buenos Aires, Moscou, Praga, Montevidéu, Porto Seguro, Cuzco e outros lugares do mundo, que o poeta conheceu em suas viagens e leituras, para mostrar, com sensibilidade e beleza, aos seus leitores.
Vereador em Bom Despacho, assessor de gabinete no Governo de Minas e, depois, secretário de Indústria e Comércio de Belo Horizonte, Itamar de Oliveira prepara-se para nova e merecida conquista na vida pública, lembrando que “o poeta deve transformar a realidade em poesia”, enquanto “o político tem a obrigação de transformar a poesia em realidade”.
Com esse livro singular, quem sai ganhando é o leitor. Então, se ele conhece pequenas cidades de Minas e outras aldeias do mundo, vai nadar de braçadas no Tira-Prosão, perto de Bom Despacho, com o inesquecível prazer de uma leitura das melhores -, poesia que tem a influência benfazeja de Bandeira, Drummond, Vinicius e outros monstros sagrados de nossa literatura.
* Jacinto Guerra é professor e escritor.
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