“Tu país esta feliz” do poeta brasileiro Antonio Miranda estréia na Venezuela
Depois de trinta e cinco anos da primeira estréia no “Ateneu de Caracas” o espetáculo “Tu pais esta feliz”, escrito pelo poeta brasileiro Antonio Miranda, volta à cena levando centenas de venezuelanos ao delírio. Em cartaz com bilheteria esgotada na primeira semana, a peça caiu como uma bomba no circuito cultural daquele país na estréia no dia 28 de setembro. O poemário, que foi sucesso internacional em sua primeira edição de 1971 ficando três anos em cartaz, é uma das obras consagradas de Antonio Miranda, 66 anos, homenageado nas comemorações do aniversário do grupo Rajatabla, a maior fundação de teatro da Venezuela. O poeta brasileiro recebeu também na Argentina e no Peru o reconhecimento por seu trabalho sendo lembrado em solenidade do Goethe Institut de Lima, ao lado de nomes como Bertold Brecht, Píer Paolo Passolini e José Arguedas.
Segundo Miranda, que atualmente é professor titular na Universidade de Brasília (DF), a peça é um grito de protesto oportuno e mexeu com o público não só por causa da situação política do país vizinho, mas por insurgir com o discurso atual da eufórica juventude da América Latina. “Diante do que assistimos nos países deste bloco, é preciso quebrar certas barreiras e a cultura é o melhor caminho. Não conheço provocação maior que a estética do teatro”, afirma o poeta, conhecido por sua linguagem instigante e polêmica. Ao protestar contra a violência urbana no Brasil, por exemplo, publicou em 2004 (Thesaurus editora), o poema “São Fernando Beira-Mar”, imediatamente reproduzido na rede por milhares de internautas, e publicado também na Argentina. Há na Internet pedidos para que sua leitura seja feita também no Congresso Nacional.
A primeira versão de “Tu país está feliz” foi montada pelo diretor argentino Carlos Giménez (1946/1993) com músicas do venezuelano Xulio Formoso, que também participa da versão atual da peça. Na primeira turnê o trabalho foi levado a outros países na América Latina e Europa e teve adaptações de grupos menores na Colômbia e Peru. Para o atual diretor da Fundação, Francisco Alfaro, o espetáculo acompanha as tendências do século XXI “Revisamos los textos y los poemas y nos dimos cuenta que tienen una vigencia absoluta por su canto de protesta y por su rebeldía”, declara Alfaro lembrando que o teatro é apenas o reflexo de um país, como afirmava Federico García Lorca e o próprio Carlos Gimenez.
by Elmira Simeão (jornalista e professora da Universidade de Brasília)
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