Mensagem a um amigo
Caríssimo Herondes Cezar,
É madrugada em Palmas. Tudo calmo às margens do rio Tocantins. Lá fora, silêncio e quietude. E, dentro de mim, um sentimento bom, que é um misto de alegria e excitação. Estou em estado de graça.
Cheguei ao hotel por volta de 22h30. Tomei banho, lanchei, ouvi música (Sinfonia nº 1 de Mahler e um lindo disco da dupla Pena Branca & Xavantinho) e resolvi dormir. Mas, dada a agitação do meu espírito, o sono acabou indo pras cucuias. Aí, resolvi ligar o computador e escrever para alguns amigos sobre o que aconteceu aqui.
Aproveito para comer uma maçã, que ficou à minha disposição sobre a mesa da sala de jantar, enquanto envio os e-mails. Agora chegou a vez de enviar este para você, contando um pouco da experiência que tive esta noite aqui em Palmas.
A cerimônia de entrega dos prêmios aos cinco primeiros colocados no 1º Concurso Nacional de Poesia da Academia Tocantinense de Letras, seguida do lançamento da antologia de poemas de 33 participantes selecionados, foi de altíssimo nível. Nada de vaidades, egolatrias, cafonices. Tudo transcorreu com elegância e comedimento, o que me causou grande e grata surpresa. O pessoal daqui sabe das coisas. Fiquei impressionado com a habilidade com que a escritora e professora Isabel Dias Neves (Belinha), presidente da ATL, conduziu a solenidade. Confesso que há muito eu não via em ocasiões como esta tanta moderação, clareza, objetividade.
A minha participação no evento, conforme avalio, foi magnífica. Em primeiro lugar, li aquele texto que preparei com muito carinho e consegui aperfeiçoar graças à sua ajuda. Para você ter uma idéia do resultado, conto-lhe, não sem uma ponta de orgulho, que fui aplaudido calorosamente, por um tempo além da minha expectativa.
Em seguida, passei à leitura de poemas dos membros da Comissão Julgadora: um de Aglaia Souza, um de Salomão Sousa e um meu (“Exilado”), para uma platéia atenta e silenciosa. E tenho a sensação de que eu estava no meu melhor dia: a voz limpa, o ritmo cadenciado e o clima muito propício.
Ao final, assim que a mesa se desfez, inúmeras pessoas se aproximaram de mim para me cumprimentar, tirar fotos, conversar. Foi aí que, além de receber cumprimentos efusivos e posar para fotos, tive ocasião de manter diálogos inteligentes sobre poesia e vários outros assuntos de interesse dos interlocutores.
Ah, ia me esquecendo: antes da cerimônia, ainda nos bastidores, dei entrevistas para a televisão e jornal locais. Tudo com a presteza e a solicitude que o momento exigia.
Atribuo o êxito da minha visita a Palmas, primeiramente, ao trabalho diligente da escritora Isabel Dias Neves (Belinha) uma anfitriã impecável! Depois, por ter tido a sorte de contar com a prestimosa colaboração do historiador Mário Ribeiro Martins, um verdadeiro gentleman, que foi ademais um cicerone atencioso nas minhas visitas aos pontos turísticos da cidade.
Resumo da ópera: retorno a Brasília amanhã (aliás, hoje), no vôo das 17h50, com a alma lavada e a sensação do dever cumprido. Poucas vezes, em minhas andanças literárias, tive oportunidade de conhecer uma cidade tão bela e um povo tão hospitaleiro como este que se estabeleceu, por feliz escolha, às margens do grande rio Tocantins. José Godoy Garcia teria adorado estar aqui. E creio que você também.
Amigo, desculpe-me pelo alongamento desta mensagem, que se pretendia breve. Percebo que agora o sono já bate às portas das “minhas retinas tão fatigadas”. Receba um abraço cordial e o meu muito obrigado por tudo. Do seu admirador João Carlos Taveira (*)
P.S. Aproveito para reenviar-lhe o texto da palestra, com pequenas alterações e acréscimos, em azul, para o obséquio de sua apreciação, pois pretendo publicá-lo. (Palmas, TO, 21-X-2006, às 3h50.)
(*) João Carlos Taveira é poeta e crítico literário.
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