Jarbas Júnio lança sua jangada ao mar

Jarbas autografou o livro no Carpe Diem do Pier 21O escritor, professor de literatura, Jarbas Júnior, lançou ontem, 13/12, o seu mais recente livro: “A jangada de Orson Welles” no Carpe Diem do Pier 21, no Lago Sul. O romance narra a passagem de Orson Welles pelo Brasil durante a 2ª Guerra Mundial; nas filmagens do Trampolim da Vitória, quando rompe com a RKO, sua produtora, e inventa roteiro próprio, filmando os aspectos mais relevantes da realidade brasileira: seus tipos mais pitorescos e o heroísmo intrépido do jangadeiro cearence.

O livro que foi publicado pela Thesaurus Editora, contou com o apoio da Secretaria de Cultura do GDF, através do FAC 2006. O autor dias antes deu uma pequena entrevista para a Revista Nós Fora dos Eixos, que abaixo reproduzimos a seguir:

Revista Nós Fora dos Eixos: Jarbas de que se trata esse seu novo trabalho literário?

Durante o lançamento, Jarbas aproveitou para conversar com os leitoresJarbas Júnior: É um romance ambientado no Ceará, que narra a trajetória do grande cineasta norte-americano pelas plagas brasileiras, principalmente pelo Nordeste, especificamente pelo Mucuripe, Ceará, Fortaleza… e o livro tráz uma combinação da educação literária com a aventura do cineasta com seus amores e aventuras no quando de sua passagem pelo Ceará. E ao mesmo tempo o despertar de uma vocação literária da protagonista do romance Cecília Novaes faz a todas as mulheres envolvidas com Literatura, desde esposas de romancistas e poetas, como também as escritoras e poetisas. Então é uma obra interessante que discute três assuntos importantes: a vocação religiosa, o talento imensurável de orson Welles e o despertar literário da protagonista Cecília Novaes. Em suma, é uma obra comprometida com a tese do Academicismo Literário estabelecido atualmente no ambiente cultural e eartístico do Brasil.

RNFE - Engraçado, eu pensava que o movimento academicista corresse por fora desse circuito literário…

O autor autografa livro A Jangada de Orson WellesJJ - Não… por causa da proliferação dos cursos de Letras…Nós temos hoje, meios de iniciação para a arte de escrever, claro que isso no sentido técnico, no sentido de códigos de linguagem. Claro que nada substitui a vocação que tanto pode ser para o ensaio, ou crítica literária, bem como para o romance e a poesia, ou teatro… então nesses ambientes acadêmicos, dos cursos de Letras disseminados pelo nosso país, é possível assimilar com todo esse arsenal de valores estéticos e usar isso em Literatura. E as características principais do Academicismo são: a busca da linguagem correta do ponto de vista sócio-lingüístico, o ecletismo de temas e tendências, a busca do universal através da evolução dos textos ou através dos temas que pertencem a todos os homens, ethos e povos… em síntese é esse o perfil do Academiciscmo.

RNFE - Tem alguma outra marca que caracteriza este romance?

JJ - O romance apresenta também uma dubiedade, ao reunir aspectos da prosa e da poesia. Isso Luciano já tinha feito no Classicismo Greco-Romano. É então uma obra com aspectos lucianicos, ou seja essa mistura de gêneros não é novidade na literatura, mas é incomum no romance. Então começa um livro que é um romance e termina com um livro de poesia, porém estes poemas são poesias da própria protagonista do romance, a Cecília Novaes.

RNFE - Isso pode ser considerado como característica dessa nova Literatura, ou melhor, a literatura contemporânea, devido a falta de um inimigo comum a todos? Por isso essa busca por temas diversificados? Por exemplo, na década de 70 os escritores tinham um inimigo comum, que era a ditadura, hoje não se tem mais esse inimigo comum a todos. Daí essa busca por temas mais diversificados, das minorias?

JJ - Isso… chega a ser uma retomada do próprio Renascimento, no sentido da arte, porque a poesia não precisa ter uma função, nem a literatura de uma maneira geral. Ela precisa ser artisticamente válida, quando ela consegue ser artisticamente válida, então qualquer literatura se torna uma obra de referência, com processo, data que ultrapassa o tempo… um exempo é a poesia do Maiakovisky que mesmo com a queda do sistema continua rompendo o tempo, de alto valor literário. É esse ponto que importante observar, porque a literatura chamda comprometida e engajada atendia uma necessidade ideológica em que havia guerra fria, ou que havia a tensão capitalismo versos capitalismo. Então essa busca passa a ser agora no que é mais pertinente em termos de criação literária, o que vale é a obra que tem um discurso, porque Literatura é discurso.

RNFE - No caso, você é adepto daqueles que acreditam que o que interessa na obra é a história e não a mensagem? Ou seu livro tem uma mensagem e qual é essa mensagem que o livro transmite?

JJ - Primeiro a preocupação com o discurso. O discurso sendo bom a obra terá uma mensagem. A base de tudo é o discurso, porque literatura é discurso. Então no caso desse meu romance a proposta é discutir… não é passar uma mensagem inqueitante ou instigadora, mas sim discutir idéias, promover idéias, na verdade é a provocação, afinal discurso é provocação acima de tudo. As grandes obras da Literatura Universal são obras de provocação, que vai comungar com o autor a sua veleidade literária, a sua predisposição para a criação literária, a sua conciência ideológica, porque todo autor tem sua consciência ideológica, isso sem ser partidária ou isso declarado com nenhuma corrente filosófica ou político social. E por último o sentido de estesia, de prender o leitor, por que dentro do discurso tá a mensagem e dentro da mensagem tá a proposta ideológica. A obra vale pelos seus méritos que lhe são inerentes nas suas qualidades literárias e não com seu compromisso com alguma corrente de pensamento que exista por aí.

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