Corpo humano ganha lugar de destaque em exposições de artes visuais no CCBNB-Fortaleza
O corpo humano ganha lugar de destaque como meio de expressão artística em duas exposições no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – fone: (85) 3464.3108).
São elas: a individual “O Mergulho”, com a cearense Milena Travassos; e a coletiva “Confrontações Poéticas”, reunindo trabalhos da carioca Gabriela Maciel, a brasiliense Valéria Pena-Costa e o cearense Yuri Firmeza. As duas exposições têm curadoria do artista visual e professor Solon Ribeiro.
Na abertura das exposições, amanhã (terça-feira, 23), às 19 horas, Gabriela Maciel apresentará uma performance, com a colaboração do DJ Dudu Llerena. Gratuitas ao público, as mostras ficam em cartaz até o próximo dia 3 de março.
O Mergulho – A exposição “O Mergulho”, de Milena Travassos, se desenvolve no ressalto de um lugar e de um corpo que se tornam mais sutis e predispostos a um deslocamento de sentido.
O corpo e suas ações são pensados para subverter um lugar previamente escolhido, executando ações em um contexto improvável. A exposição remete a questões recorrentes nas obras da artista: lugar, corpo e descontextualização.
Ampliando as margens da pesquisa poética, Milena elege o vidro transparente como suporte e cria objetos que mantêm com o espaço uma cumplicidade – objetos que absorvem e expandem o lugar que os acolhe.
Com prazer e segurança, a artista mergulha num universo onde o domínio do fazer é questão primordial para atingir o sublime. No início era o verbo a ser decodificado, agora é o corpo que transcende o objeto.
Milena constrói uma estética onde o corpo ganha lugar de destaque, e encena pequenas mitologias que a colocam para além do ritual da auto-representação. A artista se integra à paisagem e nos oferece a possibilidade de atravessar o espelho do real.
Confrontações poéticas – Múltiplas são as atitudes e significados que o corpo ganha na produção de Gabriela Maciel, Valéria Pena-Costa e Yuri Firmeza. Em determinados trabalhos, o corpo do próprio artista se desnuda numa ação performática para a fotografia e o vídeo; em outros, se apresenta camuflado em objetos.
A carioca Gabriela apresenta uma instalação que dialoga com o espaço que ocupa, realizada a partir da ação constante de entrelaçar nós sobre telas de proteção de obras, além de fotos digitais e uma performance na abertura (com o DJ Dudu Llerena).
Por sua vez, a brasiliense Valéria Pena-Costa constrói, com ironia e humor, um objeto mecânico denominado “O que fazer nas sobras do tempo”, que tem por função desfazer incessantemente uma veste de crochê, conduzindo a uma evidente inversão da utilidade da máquina/arte. Já na instalação “Segredos em quatro paredes”, a artista elabora um diálogo onde projeções de bocas insinuam um texto inaudível.
No trabalho do cearense Yuri Firmeza, o registro fotográfico não se reduz a um mero meio documental: é pensado poeticamente. Nas fotografias das performances, o corpo do artista se mescla a uma árvore, e em outra a silhueta do artista, desenhada na parede, é escavada – tornando-se um lugar onde o corpo é acolhido.
Buscando a liberdade da Música – Gabriela Maciel apresenta diversos objetos escultóricos realizados a partir da ação constante de nós sobre telas de proteção de obras – material utilizado para envolver as construções em reforma e proteger as pessoas que passam por perto, como também filtrar restos e poeiras.
Nó após nó, Gabriela engendra seres dotados de essência. Numa ação quase alquímica, de transmutação do material, a artista liberta o tecido de sua identidade para – através de um embate corporal – torná-lo ser desejante de um diálogo com o espaço que o acolhe.
É o início de uma aventura com jogo de espelhamentos, onde seres denominados de “criaturas” conquistam diversos suportes onde as fronteiras entre o desenho, a escultura, o vídeo, a fotografia e a performance são abolidas.
O trabalho nos revela criaturas, quase animais-máquinas dotados de um máximo de potência em busca do exterior, e com um alvo bem preciso: mover o espectador de sua inércia. Faz parte do processo do artista proporcionar ao espectador novas percepções visuais, táteis e auditivas.
Como a Matemática nos ensina, Gabriela Maciel reduz um processo complicado a uma sucessão de passos simples – mas se é simples assim, é porque busca a liberdade da Música.
Segredos – Nas pesquisas desenvolvidas por Valéria Pena-Costa, há sempre um segredo a ser desvendado. A artista trabalha na fronteira do não-dito, com algo que se encontra para além dos limites da linguagem. No vídeo “Quatro estações”, bocas balbuciam palavras e reclamam por cúmplices para desvendar o mistério do segredo.
Já no objeto intitulado “O que fazer nas sobras do tempo”, a artista coloca em cena um corpo frágil e um vestido de crochê desfiado por um pequeno mecanismo. Desnudado do corpo e destituído de sua função de objeto de desejo, o vestido se apresenta como a metáfora do corpo a ser despido. A serviço de um antiespetáculo, a vestimenta revela um corpo enigmático, cujo segredo jamais será desvendado.
Corpo funde-se à paisagem – Em todas as ações desenvolvidas por Yuri Firmeza, existe uma indagação existencial, uma reflexão sobre o ser/estar, sobre as possibilidades de atuação. Entre a proteção de um espaço para abrigar o corpo das intempéries da vida ou se despir do corpo social e partir em busca de intensidades – mergulhado em um exercício de afirmação dessas mesmas intempéries –, o artista supera a dicotomia entre o interior e o exterior.
Nas estratégias desenvolvidas, o artista funde-se à paisagem e, como num casulo, aguarda a ocasião de romper o estágio entre a segurança do repouso e a liberdade da aventura. Projeta-se para fora de si, em busca de um embate corpo-a-corpo com a linguagem, de uma vida concebida como arte.
Serve-se do seu corpo como uma estratégia estético-política, e a fotografia se apresenta como instrumento privilegiado para esse ritual da auto-representação. O registro se confunde com a ação. “O corpo se apresenta como motor da obra”.
Tido como prisão da alma e palco dos desejos sexuais, o corpo humano é desvendado. A imagem do nu masculino como objeto estético ainda desestabiliza os códigos.
(Textos de Solon Ribeiro – curador)
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Por gentileza, gostaria de saber se vocês conhecem algum lugar para eu montar um feirão de automóveis aí em Fortaleza. Trabalho com eventos, preciso achar um lugar grande! para uns 80 carros.
Agradeço a atenção de vocês, boa tarde. (caso conheçam, favor responder com cópia para elaine.goncalves@repeventos.com.br)
Obrigado.