Livro fala sobre a Ética Política
Luciano Benévolo de Andrade acumulou conhecimentos, experiências e observações, com os quais pode expressar, com convicção e de forma sintética, as conclusões sobre os fatos que continuam acontecendo na vida pública. Publicou, no final do ano de 2006, o livro A Ética Política, em que evitou argumentos de autoridade, para não comprometer vivos ou mortos e na esperança de que as gerações futuras possam conscientizar-se de que o bem público não é propriedade particular.Segundo a Transparência Internacional, o Brasil, que em 1995 ocupava o 37º lugar no ranking da corrupção, passou, em 2005, para o 62º; e, em 2006, desceu para o 70º, entre 163 países pesquisados. O livro é um convite para que os homens honestos tomem a iniciativa de transformar o país numa nação desenvolvida e decente.
Graduado em Direito e Administração de Empresas, o autor, nascido em 1929, possui diversos cursos de especialização e extensão universitária e lecionou Direito Administrativo, Tributário e Constitucional nas Faculdades de Administração de Administração e Economia, da Universidade Católica do Paraná, Associação Universitária do Distrito Federal (AUDF) e Escola de Administração Fazendária (ESAF). Exerceu os cargos de Delegado do TCU no Paraná, Procurador da Fazenda Nacional, subchefe para Assuntos Jurídicos do Gabinete Civil da Presidência da República e chefe de gabinete de conselheiro do Tribunal de Contas do DF. Além de inúmeros trabalhos em revistas especializadas, publicou os seguintes livros: Do Princípio da Concorrência e o Ajuste Direto e Curso Moderno de Direito Administrativo. Tem no prelo Contratação Temporária, estudo crítico da Lei nº 8.745/93 e suas alterações. Esteve na redação da Revista Nós Fora dos Eixos e nos deu a seguinte entrevista:
NFE – Como surgiu o livro Ética na Política? Luciano Benévolo de Andrade – Esse tema da ética na política foi algo que me preocupa, desde a mocidade..Com a vivência no setor público, a questão se acentuou. Acho que a ética é algo que todos têm na mente. Afinal todo mundo pensa, ainda que superficialmente, sobre esse assunto. Desde criança, ouço dizer que, nos tempos de antigamente os homens eram sérios. Agora o problema está-se avolumando… As atitudes na atividade pública não são recomendáveis. Todos presenciamos e sabemos. Ultimamente os escândalos surgem no Brasil e no exterior como um pesadelo avassalador. Parece fantasia!Tudo por falta de ética.. A corrupção é o grande motor da política e da vida pública, de modo geral. E não é só no Brasil. O fenômeno é universal. Em alguns países mais, noutros menos. Ainda há pouco, foi publicado um estudo que relaciona o grau de corrupção em mais de 100 países e os respectivos índices. Da mesma forma que o despudor é generalizado, de outra parte, são generalizados desconforto e preocupação. Pois também existe muita gente de consciência reta.Agora que tenho mais tempo, na aposentadoria, resolvi voltar a escrever. Preparei um texto sintético das conclusões a que cheguei. O livro é um alerta para a mocidade que vai ingressar na vida pública. Conhecer os procedimentos na política é o melhor caminho para fazer as coisas corretas, se o jovem está realmente compenetrado e tem intenções sérias. Não basta a boa fé, que é fundamental, mas, às vezes, é marcada por forte dose de ingenuidade. E, claro, acredito que o que escrevi vai desagradar a muita gente.
NFE – Em termos de linguagem, o livro foi escrito para os jovens?LBA – É uma linguagem corrida, sem metáforas, sem adjetivos, advérbios, de capítulos bem curtos e sintéticos. Tanto que o livro é pequeno, com pouco mais de 90 páginas.
NFE – E por que o senhor acha que o livro não vai agradar os políticos?
LBA – Porque no livro afirmo que, na generalidade, todo político é corrupto. E isso vai desagradar muita gente.
NFE – Não existe um caso de político que não seja corrupto que o senhor cite no livro, que tenha uma trajetória ilibada na vida pública?LBA – Nesse livro eu evitei citar nomes. Só quando estritamente necessário. Evitei também argumentos de autoridade. Fundado em fatos concretos, como é a ciência que se preza, é um livro teórico. Evoco apenas um episódio ocorrido no início da República. Mesmo assim, como exemplo do que chamo o homem de Diógenes. Como é sabido, Diógenes, filósofo grego, andava nas ruas, em plena luz do sol, com uma lanterna acesa, procurando, sem achar, um verdadeiro homem, quer dizer, íntegro. Verdade ou mito, a estória é emblemática. Evitei qualquer alusão que pudesse ser mal interpretada. Minha intenção não é ofender ninguém e, sim, expor uma realidade cruel.
NFE – O livro privilegia um ponto de ética realista? Não quer julgar nem condenar ninguém, mas sim, analisar com isenção sobre a questão da ética na carreira pública? LBA – Sim. Eu procurei falar o mínimo possível na política do Brasil. Claro que você acaba falando um pouco aqui e ali, mas eu busquei generalizar porque esse fenômeno é universal. Ocorre tanto nos países de primeiro mundo como nos subdesenvolvidos. Às vezes penso, sem qualquer conotação religiosa, que a maldição faz parte da natureza humana. Não desenvolvi esse aspecto. Mas o penúltimo capítulo é sobre a fatalidade e deixa claro que a corrupção é uma contingência da condição humana.
NFE - E qual o trato final que o senhor apresenta no livro?LBA – Mantenho uma tênue esperança de que, ainda havendo alguns homens que sabem resistir, façam alguma algo para frear a corrupção. Também aponto uma saída que sei que jamais será adotada. É o que chamo de voto negativo. Há uma certeza: o povo em geral é muito mais ético do que as elites! Se fosse instituído o voto negativo, o que aconteceria? O povo teria a oportunidade de dar um não a qualquer candidato inconveniente. Um número expressivo de não importaria em repetir a eleição, com exclusão dos reprovados, e até em cassar o mandato dos políticos que não se encaixam no padrão de ética exigido para a função pública.
NFE – Interessante essa idéia do voto negativo… fale um pouco mais para os nossos leitores.LBA – O voto negativo é o último capítulo do livro. Evitaria que os políticos envolvidos em casos de corrupção, voltassem à vida pública. Pois são esses a maioria dos legisladores que nos impõem impostos pesadíssimos e outros ônus.
LBA – O voto negativo é o último capítulo do livro. Evitaria que os políticos envolvidos em casos de corrupção, voltassem à vida pública. Pois são esses a maioria dos legisladores que nos impõem impostos pesadíssimos e outros ônus.Ficha Técnica:
Título: A Ética Política
Nº de páginas: 92
Formato: 14 x 21 cm
ISBN: 85-7062-543-X
Preço: R$ 20,00
Editora: Thesaurus
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