É hoje o lançamento do livro Ecolingüística
Tudo pronto para o lançamento do livro Ecolingüística, do professor Hildo Honório do Couto, que será realizado hoje, 13/03, no Restaurante Carpe Diem, a partir das 19h. Com formação em fonologia, uma disciplina técnica dentro da Lingüística, o pesquisador e professor Hildo Rocha, editor da revista Papia de línguas crioulas e que atua na área de língua e meio ambiente, está publicando o livro Ecolingüística pela Thesaurus Editora, um trabalho inédito no Brasil, que deve chegar às livrarias no mês de março, falou com exclusividade à Revista Nós Fora dos Eixos, a respeito deste tema, que tem despertado interesse na população, ainda mais depois do relatório sobre o meio ambiente publicado pela ONU, na semana passada. Abaixo os melhores momentos da entrevista realizada na sede da Editora Thesaurus, em Brasília.
Professor Hildo Rocha o que é ecolingüística?
Hildo - Como o próprio título nos indica, o prefixo Eco já diz, é a disciplina que trata das relações entre língua e meio ambiente. Sendo que, há no mínimo três meios ambientes da língua, sendo o primeiro e mais conhecido o meio ambiente social da língua, que é a sociedade, representado pela fala. Todo mundo pensa nisso quando estuda essa questão. O segundo é o cérebro, nós sabemos que fisicamente a língua está é no cérebro, ela não está no ar. Então o cérebro é o segundo meio ambiente onde a língua se localiza e o terceiro ambiente da língua, que é aquele que me interessa diretamente é o meio físico, o território e as pessoas que estão nesse território.
E como surgiu seu interesse por esse tema?
Hildo: Eu nasci na roça… Morei em fazenda até os 14 anos de idade, não conhecia cidade e vivia em íntima sintonia com a natureza. Depois me mudei para a cidade, fui estudar, fiz faculdade, fui dar aulas no ensino médio, fazer mestrado, doutorado na Alemanha e me distanciando cada vez mais desse contato com a natureza, mas a coisa sempre ficou lá no fundo me incomodando, aí quando eu cheguei a fase em que já me aposentei, e possa fazer aquilo que realmente me dar prazer, resolvi assumir aquilo que está lá na minha raiz, que é estudar esse relação telúrica, umbilical com a natureza física e mostrar que quem trabalha com a língua também pode trabalhar com o meio ambiente.
E qual seria o conceito de aplicabilidade do conceito de ecolingüística dentro da nossa sociedade hoje?
Hildo: Há vários mal entendidos em relação a Ecolingüística, assim como a todas as disciplinas novas. A primeira é achar que seria desnecessária, que é apenas mais um modismo. Eu discordo disso radicalmente porque a Ecolingüística estuda as relações entre língua e meio ambiente e nesse caso nós estamos diretamente inseridos, porque somos nós que usamos a língua e como a gente sabe, a maneira pela qual nós falamos do mundo tende a direcionar a nossa maneira de tratar o mundo. Então se nós falamos mal de determinada coisa a tendência é querer destruir aquilo ou não tomar medida nenhuma. Aqui a gente começa a entender porque a Ecolingüística é importante: é uma maneira daquele que trabalha com a língua, ou melhor, o lingüista, se engajar nesse movimento, não propriamente de defesa do meio ambiente, até porque o meio ambiente não precisa de defesa, e sim da defesa de nós mesmos, porque a Natureza vai tomar o seu curso, quer queiramos ou não.
Professor o senhor poderia falar sobre o ineditismo deste estudo para o Brasil?
Hildo: Essa disciplina surgiu de uma proposta original de um americano no início da década de 70 e hoje ela é mais praticada na Alemanha e em alguns outros países nórdicos. Já no Brasil, creio que seja a terceira pessoa a falar nesse assunto. Quanto à obra publicada, esse é certamente o primeiro livro. É uma disciplina inteiramente nova e necessária, porque ela vem preencher uma lacuna, contrario ao que alguns pensam, que ela seria desnecessária, visto que o assunto que ela aborda já seria estudado pela sociolingüística, pela psicologia, pela neurologia… a Ecolingüística representa um novo ponto de vista, uma nova perspectiva que o lingüista assume frente ao mundo. Quer dizer, não basta falar do mundo de uma maneira correta pra que ele não seja maltratado, é preciso também que eu me coloque numa postura correta e a postura correta é a leveza da vida. Eu acho que ninguém no mundo seria contra a vida e colocar-se numa perspectiva ecológica é postar-se em defesa da vida e isso é fundamental. Ou seja, o lingüista vai continuar estudando a língua, o sociólogo vai continuar estudando a sociedade, o psicólogo vai continuar estudando a mente das pessoas, como usualmente se ouve por aí, cada um vai continuar estudando sua árvore, mas sem se esquecer que elas fazem parte de uma floresta.
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