II Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo
De 30 de abril a 6 de maio, de segunda a domingo, 11 grupos teatrais – seis de fora do Brasil e demais companhias de cinco estados brasileiros – se apresentarão na II Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, organizada pela Cooperativa Paulista de Teatro, com o patrocínio da Petrobras. Os espetáculos serão realizados no Centro Cultural São Paulo e arredores, no caso de trabalhos de rua. Dois trabalhos com fortes vínculos sociais, o coletivo Filhos da Mãe…Terra, grupo de teatro do MST, e o Centro do Teatro do Oprimido, fundado por Augusto Boal, são convidados especiais da Mostra.
Todos os espetáculos são inéditos em São Paulo. Grande parte desses grupos nunca se apresentou na cidade.
Além das peças, as companhias farão uma Demonstração de Trabalho, apresentando para o público e demais grupos, de forma prática, seus processos de criação.
A Mostra terá dois debates, um sobre Teatro Latino-Americano Contemporâneo e outro sobre Dramaturgia em grupo na América Latina. No primeiro, no dia 1º. de maio às 15 h, participação de Mario Rojas, da Latin American Theater Review - EUA e Vivian Tabares da Casa de Las Americas de Havana. Na segunda mesa, dia 04 de maio às 15h, Raquel Carrio, dramaturga do Teatro Buendia de Cuba, e Sergio de Carvalho, da Companhia do Latão.
Uma banca ambulante disponibilizará publicações teatrais dos grupos presentes e outras do Brasil e do exterior.
A Mostra editará diariamente uma publicação com críticas dos espetáculos do dia anterior, uma em espanhol e outra em português, e também notas e informações sobre o evento.
Todas as atividades da Mostra são gratuitas.
A abertura oficial do evento será no dia 1o. de maio, às 20h, com a presença de Ministros da Cultura, Embaixadores e representantes de instituições culturais dos países participantes.
Por ordem de apresentação, a Mostra terá os seguintes grupos:
30/04 - Coletivo Filhos da Mãe… Terra/MST – Convidado especial da Mostra.
1º/05 – Teatro Buendía, de Cuba – Encarregado de fazer a abertura oficial da Mostra, o Buendia, fundado em 1985, o mais importante grupo de teatro cubano da atualidade, trará 19 integrantes para mostrar Charenton, uma ópera bufa criada a partir do Marat-Sade, de Peter Weiss. A formação de Cuba nunca esteve no Brasil.
02/05 – Tribo de Atuadores Oi Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre – Um dos mais antigos importantes grupos de teatro de rua do país, surgiu em 1977, com a proposta de romper com a distância entre público e artistas. Lúcida e irreverente, a Tribo apresentará a montagem Saga de Canudos, mostrando o caráter político do movimento liderado por Antônio Conselheiro no século XIX.
02/05 – Circo Teatro Udi Grudi, de Brasília – Misturando circo, teatro e música desde que iniciou sua carreira em 1982, vem a São Paulo com o espetáculo OVO, apresentado no ano passado em vários festivais na Europa.
03/05 – Teatro Gayumba, da República Dominicana – Criado em 1976, virá com seus fundadores – a atriz Nives Santana e o ator e diretor Manuel Chapuseaux – para mostrar sua versão de Don Quijote y Sancho Panza, de Miguel de Cervantes. O Gayumba tem grande presença nos festivais internacionais de teatro na Europa e nas Américas.
03/05 – Fábrica de Teatro Imaginário, da Espanha – Fundado em Bilbao em 1998, se apresenta como um laboratório de investigação teatral. Vai mostrar um espetáculo de 2003, Yuri Sam, texto finalizado por Jon Gerediaga, escrito originalmente em euskera, a língua do país basco. A direção é de Ander Lipus, que também interpreta o personagem título. Uma parceria da Cooperativa Paulista de Teatro com a Agência Espanhola de Colaboração Internacional.
04/05 – Associação Teatral Joana Gajuru, de Maceió – Teatro popular, de rua, nordestino. Nunca se apresentou em São Paulo. Vem a São Paulo com 12 integrantes, entre atores e músicos, para apresentar o espetáculo Uma Canção de Guerreiro no Chumbrego da Orgia, de autoria do grupo, com direção de Lindolfo Amaral (fundador do grupo Imbuaça, de Sergipe, que esteve na Mostra de 2006). Uma Canção de Guerreiro traz duas histórias adaptadas da literatura de cordel, mescladas com músicas e danças do folguedo alagoano, além de músicas populares.
04/05 – Escena de Caracas, da Venezuela – Formado por alunos e professores da Companhia Nacional de Teatro de Venezuela, em 1996, trará Mackie, criado e dirigido por Delbis Cardona, a partir de textos e músicas de Bertolt Brecht e Kurt Weill para vários espetáculos (Ópera dos Três Vinténs, Mahagonny, Happy End e outras). No palco, seis atores e atrizes, além de três músicos do grupo E-On.
05/05 – Teatro Sanitario de Operaciones (TSO), da Argentina – O grupo surgiu em 1996, após um seminário dado pelo grupo catalão La Fura Del Baús, em Buenos Aires. Sete atores em cena, misturando-se ao público, interpretarão Mantua, uma criação coletiva a partir do Romeu e Julieta, de Shakespeare. Na estética do grupo, a utilização dos quatro elementos, iluminação elaborada e muito empenho físico. O espetáculo será apresentado em um espaço não convencional, ainda não definido.
05/05 – Grupo de Teatro Piollin, de João Pessoa – Depois da excepcional carreira de Vau da Sarapalha, desde 1992 se apresentando pelo mundo, e de Woyzek, o Brasileiro, de 2002, o Piollin mostra pela primeira vez em São Paulo, A Gaivota (alguns rascunhos), dirigido e adaptado por Haroldo Rego a partir do clássico de Tchekhov.
06/05 – Marias do Brasil, do Rio de Janeiro – Grupo comunitário formado em 1998 pelo projeto Teatro Legislativo do Centro de Teatro do Oprimido, dirigido por Augusto Boal, integrado por dez trabalhadoras domésticas. Eu também sou Mulher!, o segundo espetáculo de Teatro-Fórum do grupo, tem texto criado coletivamente a partir de histórias reais, mostra as razões da intensa migração rumo ao Rio de Janeiro em busca de trabalho e os problemas com saúde e assédio sexual na vida da trabalhadora doméstica. Convidado especial da Mostra.
06/05 – Teatro de los Andes, da Bolívia – Fundado em agosto de 1991, nas cercanias da cidade de Sucre, trará seu mais espetáculo Otra Vez Marcelo, que encerra uma trilogia sobre temas políticos. A peça narra a história de Marcelo Quiroga Santa Cruz, intelectual, parlamentar e ativista boliviano cuja luta a favor da soberania de seu pais – foi fundamental na estatização do petróleo – e contra a ditadura de Barrientos e Banzer, levou a seu desaparecimento e assassinato em 1980. São apenas dois atores em cena: Mia Fabri é Cristina, mulher de Marcelo, que é interpretado pelo também autor e diretor argentino César Brie, teatrólogo reconhecido em todo o mundo.
A Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo – 2007 dá continuidade ao trabalho realizado pela Cooperativa Paulista de Teatro, desde 1997 com a 1a Mostra Brasileira de Teatro de Grupos, seguida da 2a Mostra Brasileira de Teatro de Grupo, em 1998, e que ganhou nova dimensão com a I Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo em 2006, com o patrocínio da Petrobras.
Créditos da Mostra: Realização - Cooperativa Paulista de Teatro
Patrocínio - Petrobras. Lei Federal de Incentivo.
Ministério da Cultura
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