ORQUESTRA DE VIENA EM BRASÍLIA, GOIÁS E MINAS GERAIS

Por JACINTO GUERRA*

 

Abril de 1997. A famosa Orquestra Strauss, de Viena, Áustria, chega ao Brasil para uma série de apresentações em nosso País. As cidades escolhidas ficam no Planalto Central e nas montanhas e vales de Minas Gerais: Goiânia, Brasília, Juiz de Fora, Bom Despacho, Ouro Preto e Belo Horizonte.

 

Situada na rota de turismo Belo Horizonte – Araxá, Bom Despacho é a menor das cidades em que os músicos de Viena apresentaram-se, com muito sucesso, há exatamente dez anos. A famosa orquestra que veio da Europa encantou os auditórios das cidades brasileiras – desde o esplendor barroco da antiga Vila Rica até a modernidade de Brasília. Em Bom Despacho, a emoção e os aplausos tiveram um encanto muito especial. Foi um espetáculo em praça pública, em contato direto com o povo, nas escadarias de uma das mais belas igrejas de Minas Gerais: a Matriz de N.Sra.do Bom Despacho!

 

Com o pseudônimo de Tainá, uma jovem escritora da cidade registra o acontecimento: “As pessoas iam chegando aos poucos à Praça da Matriz. A Banda de Música do 7º Batalhão já estava lá enfeitando a noite com suas melodias. Quem chegava observava e dizia: - Como gosto de ver a banda tocar. Outra dizia: - Fico com vontade de aplaudir, mas não sei se devo…”

 

A escritora continua seu relato, dizendo que “a beleza daquela noite não parava aí”. Ao lado da Banda de Música, perfila-se, também, o Coral ‘Voz e Vida”, orgulho dos bondespachenses, que fizera sucesso em Brasília, na Feira do Livro, inclusive em apresentação especial para o Presidente da República, Itamar Franco.

 

Quando a multidão já ocupava todos os espaços frente à escadaria da Matriz chega, sob os aplausos do povo, a Orquestra Strauss de Viena, que veio de Juiz de Fora e hospedara-se no Hotel JB, na Rua da Olaria, na encosta de uma das colinas históricas da cidade.

 

Tainá fala a respeito dos músicos de Viena: “O pérola, o vermelho e o dourado de suas roupas davam a impressão de serem personagens de um conto de fadas.” Das escadarias da Matriz, via-se a multidão, centenas de pessoas, aproximando-se cada vez mais, todos querendo ficar bem próximos do inusitado espetáculo de arte e beleza.

 

Com os músicos e seus instrumentos perfilados e organizados frente ao povo, rompe-se o silêncio e a expectativa do momento, com uma surpresa emocionante: os acordes do Hino Nacional Brasileiro! O nosso Hino Nacional, “tocado ali por gente vinda de tão longe! Foi um presente recebido com muito orgulho e carinho pela multidão, que parecia representar todo o Brasil e sua gente.

 

Emocionada, a escritora diz: “Pela primeira vez , ouvi o Hino ser aplaudido e cantado ao mesmo tempo. Confesso que minha voz não saía. Ficou presa na garganta, surpresa com tamanha emoção! Uma e mais outra e muitas músicas vieram. Bonitas de se ouvir e sentir.”

 

As pessoas, de todas as idades e classes sociais, irmanavam-se num mesmo sentimento de alegria e de civismo. Era a magia da arte falando um idioma universal. Quando o maestro começava a guardar as partituras, Tainá lembra que “um ah!…suspirado, como que ensaiado, brotou da multidão”. Imediatamente a mensagem foi entendida e atendida.Mais duas músicas encantaram o povo na Praça da Matriz.

 

Quem fala, de novo, é a escritora de Bom Despacho, que tão bem registrou momentos de grande beleza e emoção: “E o carisma, a receptividade dos bondespachenses se fez sentir: aplaudiu sem pressa, sem vontade de parar”. Pediu e ganhou autógrafos. Despediu-se, depois, com um misto de alegria e de saudade.

 

No Ipê Campestre Clube, uma sala de visitas da cidade, acontece um Baile Vienense, com a música e a arte dos discípulos de Strauss. A todos envolvendo num clima de encantamento, uma senhora chegou a exclamar: - Parece que estamos no céu!

 

A Orquestra Strauss de Viena deixou, com certeza, muita gente de alma lavada naquela noite. Em sua crônica, Tainá manifestou o sentimento de gratidão aos organizadores de um dos eventos culturais mais belos e emocionantes já realizados em Bom Despacho – ao longo de quase um século – como cidade e município de Minas Gerais: “Certamente, há muito tempo uma emoção tão feliz não me fazia chorar. Valeu. Obrigada”.

 

Jacinto Guerra, professor e escritor, foi secretário de Cultura e Turismo de Bom Despacho (1997 – 2000), no primeiro mandato do prefeito Haroldo Queiroz.

Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários

Nenhum comentário.

Comente este artigo

(obrigatório)

(obrigatório)