Salomão Sousa apresenta sua safra de poesias, dia 15 no Carpe Diem

SALOMÃO SOUSA, poeta goiano radicado em Brasília desde 1971, lança em 15 de maio, no Carpe Diem (104 Sul, Brasília), a partir das 19 horas, o livro Safra quebrada, que reúne, de forma revisada, os sete livros que publicou desde 1979, e inclui dois inéditos (O marimbondo feliz —, poemas quase infantis; e Gleba dos excluídos, que traz poemas que foram ficando de fora dos demais livros ao longo destes quase 30 anos de fértil percurso literário).

O autor começou ainda em Silvânia (GO), na infância, a batalha com a poesia para se defender da solidão. Passou antes de tudo pela poesia engajada com a terra, se com ela lutou com as mãos. Passou pela poesia marginal na época da ditadura, se era do militarismo espreitar e abandonar — e a poesia tinha que sair da estreiteza em que vivia dentro do Concretismo e da práxis. Agora se encontra na pós-vanguarda para batalhar pela recuperação das aliterações e ressonâncias. Bibliografia: A moenda dos dias, l979, DF; A moenda dos dias/O susto de viver, Ed. Civilização Brasileira 1980; Falo, 1986, DF; Criação de lodo, 1993, DF; e Caderno de desapontamentos, 1994, DF; Estoque de relâmpagos, Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária, 2002,DF; e Ruínas ao sol, Prêmio Goyaz de Poesia, Ed. 7Letras, 2006.

Além desses livros, organizou as antologias Em canto cerrado (de poesia) e Conto candango, com escritores de Brasília. É um dos 47 poetas incluídos no número que a revista portuguesa Anto dedicou em 1998 à literatura brasileira em comemoração aos 500 anos da descoberta do Brasil. Está inserido − entre outras − na Antologia da nova poesia brasileira (1992), de Olga Savary; e na A poesia goiana do século XX, de Assis Brasil.

O poeta Brasigóis Felício, que, juntamente com Esmerino Magalhães Jr., apresentou o livro Falo — em texto preparado para a quarta carta de Safra quebrada, e que não pôde ser aproveitado no fechamento do livro, diz:

 

“Salomão Sousa vem, há anos, lavrando a lira da vida, na agricultura de signos a que se dedica com afinco, desde quando deixou Silvânia, no solarengo rincão goiano, para mirar miragens, nas larguezas e potencialidades de Brasília. Em sua bagagem de sonhos levou consigo a poesia, que amou desde a juventude, como defesa contra a solidão. A ela tem sido fiel, em largos anos de serviço e estudos. Desde A moenda dos dias, passando pelos premiados Estoque de relâmpagos e Ruínas ao sol, fincou compromisso com a vida e a difícil arte da poesia – e vem construindo um sólido caminho criador.

A coragem de dizer o que pensa, e o infatigável aparelhar-se enquanto leitor e poeta-crítico — são traços marcantes de sua personalidade enquanto ser humano e intelectual. Esta Safra quebrada reúne momentos da lavoura de signos, que vem erguendo sempre igual a si mesmo, embora sempre diferente. Sua dicção lhe é própria. Não é expropriada de lavra alheia, embora não oculte a angústia da influência que lhe vem de vozes fortes da lírica brasileira e universal. Como argonauta da linguagem, e Sísifo da criação poética, Salomão Sousa vem perfazendo uma jornada em que não faltam sensibilidade e integridade. Como o gauche itabirano, segue a lutar com palavras mal rompe a manhã, mesmo sabendo ser esta a luta mais vã.”

 

Na orelha da edição de Safra quebrada, é aproveitada trecho de uma entrevista de Salomão Sousa ao escritor Carlos Herculano Lopes, que circulou no caderno Pensar, do jornal Estado de Minas, que dá um pouco da compreensão do que o poeta pensa sobre a poesia contemporânea :

 

“Os poetas que nasceram no período em que eram lançados Invenção de Orfeu (52) e Morte e vida severina (65) — livros que sintetizam as experiências dos diversos períodos da poesia brasileira —, terão de se ajustar a novas linguagens, se quiserem participar, de forma renovada, da modernidade poética. Morreram as vertentes da poesia marginal, da poesia processo e do concretismo, além da falsa poesia de protesto praticada na vigência do regime militar. O poeta que insistir nalguma dessas vertentes estará assinando o termo do próprio funeral. Para se inserirem no panorama atual, o poeta que nasceu naquela época terá de se ajustar às linguagens daqueles que nasceram até vinte anos depois. Isto não significa que a obra anterior desse poeta não tenha cumprido o seu papel ou que não tenha funcionalidade no presente, pois aquele que fez a poesia dos anos 70 a 2000 contribuiu para a abertura das portas das buscas que são feitas hoje. Vim dessas vertentes, e, para que satisfizesse de forma mais calorosa o processo crítico e mesmo para que dele me aproximasse, tive de buscar novas alternativas para a minha poesia, buscas estas que culminaram no livro Ruínas ao sol. Mas, para isso, tive escarafunchar muito, e me auxiliou bastante a descoberta do aspecto trágico da poesia inglesa e da sutileza de Ossip Mandelstam, Eugenio Montale, Rilke… Em sua trajetória, o poeta tem de se alimentar de todas as afluências poéticas que puder abarcar sob o risco de cair na secura da esterilidade.

 

Como fortuna crítica, Safra quebrada traz um artigo inédito de Ronaldo Costa Fernandes sobre Ruínas ao Sol:

 

“Salomão Sousa utiliza-se de linguagem pessoal e demonstra não ter influência forte ou deixar-se levar para uma “imitação” das grandes linhagens da poesia brasileira. Este é um dado inusitado na poesia brasileira, onde se percebem claramente as influências e tendências do poeta. Há uma sucessão lógica e imagens curtas, mas que carregam consigo um universo imagético muito mais amplo e audacioso. Não existe lugar-comum, e a dicção sólida e unificada, sem perda de ritmo.”

 

E, ainda, um artigo de Ronaldo Cagiano, que foi publicado em livro e em diversos jornais:

 

“O poeta Salomão Sousa tem plena consciência de que a criação é exercício de liberdade e leva às últimas conseqüências essa via do espírito inquieto, tal como se adotasse aquele sentimento já exposto por Mário Benedetti: “Só quando transgrido alguma ordem, a vida se torna respirável.” É mais ou menos isso o que precisa ser a leitura e é isso o que percebemos nos livros desse poeta goiano que traz em si o itabirano “sentimento do mundo’, e que, apesar de deixar escapar, como Drummond, um certo descontentamento com o que se passa por aí, é capaz de marejar os olhos diante da rosa que nasce no asfalto, porque ela diz mais que as bombas na Bósnia e tem mais eficácia que a maioria dos imbecis que ditam as normas por aí.”

 

De artigo de Ana Maria Ramiro, publicado no último número da revista Literatura, editada no Ceará por Nilto Maciel:

 

“Ruínas ao Sol (editora 7Letras), do poeta goiano radicado em Brasília, Salomão Sousa, vencedor do prêmio Goyas de Poesia de 2006, é um desses exemplos de obra renovada/renovadora, ainda raros no atual cenário poético nacional, e que levam o leitor para além da visão estático-linear, estimulando-o a vôos mais altos, a experiências poéticas mais profundas, através de um vasto jogo especular formado por fragmentos de imagens menores, à maneira de um pictograma.”

 

Ligia Cademartori, no caderno Pensar do Correio Braziliense, disse por ocasião do lançamento de Estoque de relâmpagos, que:

 

“…a particularidade de sua poesia não reside nos efeitos de som e, sim, na organização das imagens. A profusão delas provoca o leitor para que procure as relações que estabelecem e, por esse modo, descubra a mitologia autoral que as ordena. Ao extrair força poética do substantivo, Salomão Sousa compõe sua própria lição de coisas. Nem todas imediatas, é verdade. Algumas são inalcançáveis. Mas, no radical contraste entre certas imagens pode-se encontrar essenciais efeitos de sentido e o provável princípio que preside as expressões figuradas. Pois a linguagem não faz concessões. Concisa e avessa ao vôo livre, essa é poesia de linhagem auto-reflexiva. O encadeamento de imagens, para muitos poetas, é mero jogo com o significante, quase um brinquedo. Não é o caso de Estoque de Relâmpagos. Nele observa-se dupla tendência. Uma, em direção ao cósmico, ao telúrico. Outra, ao nada, ao silêncio. Mira a grandiosidade, o espetacular, mas acolhe as faltas e as insignificâncias.”

 

Para mais informações: http://www.safraquebrada.blogspot.com/ ou pelo e-mail: salomaosousa@yahoo.com.br




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Comentários

Prezado Escritor SALOMÃO SOUSA:

Estou organizando um CD com crônicas e poemas de autores goianos lidos por Iberê Monteiro. Muito gostaria de incluir neste trabalho o soneto “Espécie de Balada da Moça de Goiatuba”, de José Godoy Garcia, cujos herdeiros não consigo localizar. Ajude-me, por favor. Solicito-lhe, pois, a gentileza e a preciosa colaboração de enviar-me, quanto antes, a título de cortesia e de apoio cultural, a respectiva autorização.

Serão feitas 500 cópias, que serão enviadas, gratuitamente, a entidades culturais que, no Brasil e no Exterior, poderão divulgar a Cultura Goiana junto a um grande público.

Nem eu nem Iberê Monteiro (que, a suas expensas, gravará o CD) receberemos qualquer pagamento advindo do CD, que não será vendido, mas distribuído gratuitamente, pois se trata de um trabalho essencialmente cultural, sem fins comerciais nem lucrativos, realizado com extrema seriedade e honestidade.

No aguardo de sua autorização, muito lhe agradeço a gentileza e a colaboração, ao mesmo tempo que lhe envio votos de felicidades e êxito em suas atividades — pessoais e profissionais.

Cordialmente, com gratidão,

ADOVALDO FERNANDES SAMPAIO
Caixa Postal 5284
ACF Quatro
74025-970 GOIÂNIIA,. GO

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