Em Louvor ao Poeta
Jarbas Júnior*
Poeta é título, brasão de grandeza humana, artista dotado de todas as outras sensibilidades, talento criativo por excelência, alma capaz de ouvir e entender estrelas. Sonho, imaginação, sentimento, ideal, crença: cabe o Olimpo todo em sua lira e o homem comum das ruas também. Intérprete das Vozes interiores, arauto dos mitos, vive entre as Flores do mal e os lírios do campo; traz Vida nova para as Almas mortas. Poeta sem adjetivos, para quem é digno do cognome. Como Píndaro para Alexandre Magno, como Bashô para o Japão (onde o poeta não se curva para o Imperador). Poeta só! Quem é? É o poeta João Carlos Taveira! Ministro? Doutor? Magistrado? Tem investiduras, dinheiro, prestígio político, poder? Não. Poeta unicamente, leu? Não sabe a Arquitetura do Homem? (sua mais recente obra) Ele vive a poesia de suas Poesias; culto, sensível, lúcido espírito! Notável artista da palavra, poeta em tempo integral. Mas a poesia não se revela sem sacrifícios necessários e indispensáveis, sem obstinada dedicação ao Belo e ao Bem; pois a Arte poética exige dor, coragem, desapego, vontade de ser Píton de Endor, cúmplice dos deuses, de Apolo délfico principalmente. É estigma ou condição: poeta não deve ter nem facilidades nem regalias materiais. Camões, por exemplo. Pois, quando conheci o poeta João Carlos Taveira na Thesaurus Editora, pensei: mais um aposentado rico de Brasília, de vida financeira tranqüila, agora, valente beletrista pronto para ofuscar o Parnaso inteiro com as suas Obras poéticas, ledo engano; o poeta nem jornalista era, vivia de revisões. Quer dizer, um bardo em estado puro, sem privilégios, sinecuras, e nem editora de projeção nacional. Autor, porém, dos primorosos poemas de Arquitetura do Homem, versos que são revelações inspiradas do título acima, o DNA lírico da condição humana, do código verbal formador do discurso poético; o Antropocentrismo da capa simboliza que o poeta é a medida real, entre Bergson e Kant, de todas as artes e utopias.
Vejo muito nas academias tantas de Brasília, bravos versejadores de namoro com a poesia e, com raras exceções, não sabem soneto nem verso livre. Escrevem e publicam prosa fraca em forma de poema, aleijados de ouvido, ignoram os artifícios mágicos da rima na melodia da estrofe. (É só lembrar da Canção do Exílio de Gonçalves Dias.) E nesta proposição do ritmo ligado ao sortilégio verbal, observo no estilo do poeta João Carlos Taveira: decassílabos perfeitos, sóbria elegância metafórica, sintaxe harmoniosa, bastante qualidade no lavor do soneto. Poeta tão distante desses poetastros de arcádia. Inteligência vivaz, voz de grande declamador e de baixo-barítono (expert em óperas). Afável, grande e nobre. Tem defeitos? Talvez, fora do soneto!
Poeta João Carlos Taveira empolga também como crítico de literatura da estirpe e têmpera de Agripino Grieco. Honesto, justo e veraz.
Admiro essas vidas dedicadas à Poesia. Quarenta anos de colóquio com as Musas, tantos livros lidos. Às vezes, homenagens, lauréis, prêmios da ABL ou de concursos literários; triunfos miúdos, o sonho do sucesso, da consagração nacional ainda longínquo, o público leitor pequeno local; quem sabe em outra edição venha o reconhecimento. Mas isso só decepciona quando a vaidade é imensa, do tamanho da empáfia, do ego inflado de balão, da soberba enfatuada. Sei o poeta João Carlos Taveira exemplo de êxito relativo e nobilitante nessa questão, sua poesia não depende de exterioridades levianas, dos aplausos efêmeros de circunstância, é resultado do que ele sente e é, ao escrevê-la: poeta! O que vem depois do poema concebido, é destino, Claro enigma, Caminho para a distância; o Sentimento do mundo que julgue! Porque sua natureza de poeta se realiza por si mesma, é congênita, é sua tendência íntima inata. Não precisa ele de palco iluminado, mídia, Estética da vida, para ser suficiente e expressivo. Sísifo mais do que Narciso! Pois a realização de um soneto antológico vale mais do que Mil e uma noites de autógrafos, porque nada supera a glória de criar uma obra-prima, compensa Cem anos de solidão! O poeta João Carlos Taveira é admirável por isso, seu intelecto, cultura, conhecimento, intuição, espiritualidade que põe a serviço da Poesia, da Mensagem que tira dela, da sua Invenção de Orfeu; o que lhe importa é o livro Arquitetura do Homem ter Alguma poesia… o resto é silêncio!
* É poeta, romancista e professor de Literatura.
Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários
Nenhum comentário.
Comente este artigo