Afinal, quando ocorre o início da vida de um ser humano?
A polêmica em torno de quando podemos interromper o desenvolvimento de um embrião humano, objetivando a utilização de células tronco, vem gradativamente envolvendo toda a sociedade. As questões estão sendo dirigidas, principalmente, no sentido de identificar quando inicia a vida de um ser humano.
Embora esses debates sejam intensos, se observa que ao invés de uma convergência de opiniões, está ocorrendo o contrário, ou seja, as divergências aumentam e as posições se radicalizam. Talvez esteja chegando a hora de repensar toda a nossa relação com as demais formas de vida animal .
A maior dificuldade de estabelecer um só entendimento em assuntos dessa natureza está, principalmente, na falta de referenciais comuns entre os protagonistas desses debates. Nem sequer o significado de “vida” está definido ou acordado entre eles. Como então discutir sobre o momento em que a vida humana inicia?
Na tentativa de participar construtivamente dessas questões faremos algumas considerações tomando como base as idéias e os conceitos emitidos no livro “Nossas inteligências – Elas decidem!” [1].
Vamos iniciar considerando “vida” o estado de atividade funcional peculiar aos animais, vegetais, algas, fungos, protozoários, bactérias e vírus, seres que apresentam os chamados fenômenos vitais, quais sejam: a digestão, a circulação, a respiração, a excreção, a reprodução e a interação dessas funções.
Toda a vida é administrada por um ou mais centros de decisão que desenvolvem suas atividades com limitadas autonomias e competências. Centros de decisão esses, que denominamos de “Inteligências”.
As diferenças existentes entre os seres vivos resultam principalmente do fato de possuírem diferentes Inteligências ou de apresentarem Inteligências com desempenhos diferentes. Analisemos melhor esse assunto.
Considerando que a vida na terra teve uma origem comum [2], podemos dizer que os seres humanos apresentam três diferentes Inteligências, a Inteligência Genética (a inteligência das células), comum a todos os seres vivos, a Inteligência Emocional, comum a todos os animais e a Inteligência Racional que só os animais racionais apresentam.
A Inteligência Genética responde pelo “ser” , de forma que, “somos” animais racionais: homens ou mulheres, jovens ou idosos, altos ou baixos etc., por imposição genética. A Inteligência Emocional responde pelo “sentir”; assim sendo, “sentimos” medo, segurança, vaidade, vergonha, calor, frio, simpatia, antipatia, amor, ódio etc., por decisão emocional. Enquanto que a Inteligência Racional nos faz “ter consciência” das coisas, de tal modo que “temos consciência” de que sabemos alguma coisa, como também temos consciência do que somos e sentimos por desempenho racional, portanto sem a Inteligência Racional não teríamos consciência de coisa alguma.
Do ponto de vista cronológico, obviamente, a Inteligência Genética foi a primeira, pois surgiu com a vida na Terra, consequentemente, descendemos de células tanto quanto as demais formas de vida, em outras palavras somos todos oriundos do mesmo berço. Essa Inteligência, a cada nova geração, agrega novas informações à sua memória (DNA), que possibilita a evolução natural das espécies e as suas sobrevivências.
Aos poucos, milhões de anos depois do início da vida, por contingência natural da sobrevivência, alguns agrupamentos de células desenvolveram lideranças, ou seja, algumas células estrategicamente posicionadas na estrutura do grupo passaram a decidir pelo conjunto. Surgia, então, um novo centro de decisão, o cérebro do organismo, ou a Inteligência Emocional, e com ela os animais.
Na espécie humana, esse agrupamento de células inicia com a fecundação, ou com o encontro de duas células especiais, o espermatozóide e o óvulo. A partir da fecundação as células passam a multiplicar-se orientadas pelas informações dos seus DNAs e, aos poucos, vão dando forma aos órgãos que compõem todo o organismo do indivíduo, incluindo os órgãos da Inteligência Emocional.
No mesmo ritmo lento das transformações genéticas, milhões de anos depois, alguns animais estimulados pelas condições físicas e ambientais começaram a desenvolver aptidões novas, de caráter cognitivo, utilizando novas células cerebrais e, assim, surgiu a Inteligência Racional e com ela os seres humanos.
As mesmas fases evolutivas da “espécie” humana estão presentes na evolução de um “indivíduo”. Inicialmente são apenas células, espermatozóides e óvulos, portanto, vidas com somente Inteligências Genéticas. Com a fecundação surge um novo agrupamento de células que rapidamente se multiplicam e desenvolvem suas lideranças. Lideranças essas formadas por células especiais que vão decidir pelo conjunto todo e que constituem a Inteligência Emocional; surge, assim, um novo indivíduo, um animal. Mais tarde, um ano após a fecundação, começam aparecer novas células, novas aptidões, surge a Inteligência Racional, temos aí, então, o homem.
Se esse desenvolvimento for interrompido antes da fecundação, ocorrerá, apenas, a interrupção de vidas celulares ou vegetais, que apresentam somente Inteligências Genéticas. Agora, se o desenvolvimento for interrompido depois da fecundação, estaremos impedindo o desenvolvimento de um novo indivíduo. Se ocorrer antes da formação da Inteligência Racional, estaremos interrompendo uma vida animal, e, se for após a formação parcial ou integral da Inteligência Racional estaremos interrompendo a vida de um homem, com desempenho também parcial ou integral da atividade racional.
Portanto, deixando de lado os preconceitos próprios da nossa atividade racional, originados de um passado de pouca informação, um embrião humano é uma vida animal que pode vir a transformar-se numa vida humana, mas ainda é, tão somente, uma vida animal. Se o homem se julga no direito de dispor de vidas animais, como ocorre com propósitos diversos como: pesquisa, diversão, alimento etc., não há razão plausível para tratar um embrião de forma diferente, a não ser, alguma, motivada por puro preconceito. Se essa idéia nos causa repulsa, o que é perfeitamente natural, talvez seja o caso de repensar toda a nossa relação com os demais animais, o que, evidentemente, está se tornando cada vez mais necessário e seria muito bom que ocorresse neste momento.
Por Urbano José Pibernat Villela, autor de Nossas Inteligências: elas decidem
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Eu queria tirar um adúvida munha???
No meu 2º grau minha professora de Biologia me explicou que todo ser humano no começo, lá na gestação, é do sexo feminino…
é verdade????