“Tem horas que penso estar correndo atrás do vento”

Entrevista concedida a João Carlos Taveira

ensaio_capa_marco_polo.jpgCom o relançamento do livro Cinza da Solidão marcado para o dia 19/06 (terça-feira), a partir das 20h, no projeto Terças Literárias que acontece a cada terceira terça-feira do mês no Bar Raízes, o escritor M.P.Haickel falou nesta entrevista sobre literatura, amor, política, juventude e vida profissional.

Natural de São Luís do Maranhão, M.P.Haickel é terceiro filho de Marco Pólo Haickel e Maria das Graças Serrão, nascido no dia 8 de maio de 1971. Formado em Letras pela Universidade Federal do Maranhão, fez sua estréia no circuito literário alternativo de Brasília com o livro Poemas de um Amor ao Ocaso (1994); logo em seguida publicou Liberem Maria Joana, livro de conto, e na seqüência vieram: Poemas Apócrifos (1996) e No Jardim do jaz mim, livro de contos (2000). Trabalhou no Jornal Pequeno, onde inicialmente publicou seus folhetins, obtendo grande repercussão na capital maranhense. Escreveu para diversos jornais da ilha ao mesmo tempo. Em 2003 teve o folhetim O Amor de Mariano foi selecionado para a Mostra Nacional de Literatura Carlos Drummond de Andrade, organizada pela UNE e realizada em Recife. Escreveu também os folhetins: O Funcionário, A Procissão dos Ossos, Jogo Duplo, A Dor, O Segredo de um Mistério e Homem é Tudo Igual. Em 2005 retorna a Brasília e no início de 2007 lança seu primeiro romance Cinza da Solidão, que marca sua estréia no circuito profissional com distribuição para todo o Brasil. Atualmente é editor da revista eletrônica Nós Fora dos Eixos (www.nosrevista.com.br) e escreve matérias especiais para a revista Meio Ambiente e Consumo.

João Carlos Taveira – Cinza da Solidão é sua estréia no romance, depois de mais de uma dezena de livros publicados nas áreas da poesia, do conto e da novela. Como tem sido sua aceitação por parte dos leitores?

Marco Polo – No caso desse livro, Cinza da Solidão, a aceitação tem sido muito boa, até porque o livro é um romance e esse gênero impõe poucas restrições. O público tem delirado bastante porque a história é dinâmica, sem abstrações intelectuais, numa linguagem simples, com personagens vibrantes e sem deixar de ser um alerta, um grito, ou melhor, uma declamação feita por um poeta de uma geração que viu o Brasil sair de uma trágica ditadura militar, para logo em seguida cair nas mãos de civis que foram cúmplices e parceiros dessa mesma ditadura. As pessoas têm gostado da leitura principalmente por ser a seu modo uma visão panorâmica da recente história democrática do país, isso sem falar dos intrigantes casos de amor que perpassam a trama.

JCT – No seu entender, qual o ponto alto de seu romance? Quais suas características básicas?

MP – Este romance foi feito no velho estilo do folhetim literário; primeiramente foi publicado no jornal capítulo a capítulo, seguindo a velha fórmula de sucesso, amanhã continua… são ao todo 47 capítulos divididos em duas partes. Uma coisa muito legal é que o livro não é narrado por uma só pessoa (ou personagem). Na verdade ele começa com uma narrativa de um músico (Dérick) que se apaixona por uma atriz mambembe (Lúcia), que vai despertar o amor no poeta (Zeto) e assim consagrar uma das características do romance moderno que é o triângulo amoroso. Daí em diante a trama vai se desenvolver paralela com a ação principal do romance, que é a realização de um vídeo para o Festival de Cinema de Brasília, com a direção de um estudante de cinema da UnB, que é o Alênca. A idéia é com a realização do vídeo de cunho social, aproveitando a abertura política no início da década de 90, e a possível premiação no Festival para montar uma produtora independente e assim poder lançar o livro do poeta Zeto, a música do Dérick, que assim vai produzir arte, viver de arte… que é o sonho de toda juventude, ou seja, fazer a revolução dos costumes através da arte.

JCT – Existe uma razão para a escolha de Brasília como cenário de sua trama?

M.P.Haickel: falta uma política social para os jovens brasileirosMP – Brasília é patrimônio cultural da humanidade. É uma obra de arte viva, pulsante e nova. Acho também que quando escolhi a capital para cenário, tinha de mostrar ou pelo menos tentar explicitar os dramas de uma cidade que nasce com um futuro grandioso, mas sem um passado… e isso reverbera na própria concepção da capital. É uma cidade de poder, mas que não tem ainda características de uma metrópole por exemplo. Não tem uma geração, uma história dentro da história do país. É aquela coisa moderna, mas que assume posturas antigas, arcaicas. Mas bem sabemos que Brasília também é capital da República, da política, da vontade do novo… e isso acaba por influenciar e contaminar muita gente na esperança de uma mudança de costumes, de comportamento; talvez daí a escolha… afora o fato de Brasília ser, hoje, um dos maiores laboratórios do país, no plano da arte, da literatura, da arquitetura, da música… aqui as coisas fervilham já há algum tempo, mas está faltando um boom… e esse boom quando vai se dar, é o que todo mundo não faz sequer idéia… só com bola de cristal…

JCT – No romance, dá para perceber com facilidade que o foco principal é a juventude, com seus dramas e conflitos. Embora o tenha escrito há mais de dez anos, sua visão continua a mesma?

MP – Minha visão mudou, sim, é claro… as coisas não permanecem as mesmas durante tanto tempo. Mas as denúncias que retrato no romance, como o descaso com a juventude, a falta de uma política social voltada para os jovens, o fato do jovem ser presa fácil para o narcotráfico, isso em nada mudou, o jovem continua refém e órfão desse sistema atual. Agora o engajamento político do início dos anos 90, como nas campanhas de Diretas Já, Voto aos Dezesseis, o próprio impeachement do Collor, isso mudou muito, e o que é pior, para a resignação. Parece que o jovem de hoje já nasce abortado, castrado, sabe… não se vê falar de movimentos sociais, existe um vácuo nisso tudo… não se fala mais em grêmio estudantil, o movimento universitário hoje é uma coisa inodora, você não vê mais os estudantes nas ruas, em busca de avanços e justiça social… na verdade, no meu modo de ver, as pessoas estão cada vez mais voltadas para si mesmas, para a vaidade e o egoísmo, sabe aquela coisa, de que está todo mundo a fim é de fazer um concurso público, assumir um cargo onde não se faz nada e tem-se uma rentabilidade segura no final do mês, nem que para isso as pessoas sejam infelizes no ambiente de trabalho ou mesmo deixem de lado o espírito empreendedor, coisa típica da juventude. Desse assunto eu falo um pouco mais na novela literária O Funcionário, que narra a estória de um músico que abre mão (temporariamente) da carreira de músico para conseguir a estabilidade e quem sabe até comprar um bom instrumento musical para que venha a se destacar. Mas a bem da verdade é que o tempo passa e quando na aposentadoria, que ele já tem o melhor saxofone do mundo para se destacar onde for, perde o tesão de tocar, visto que já não tem mais nem a juventude e nem a vontade de vencer como músico; é novamente a resignação que vai falar por ele…

JCT – Você faria as mesmas críticas às questões políticas pós-ditadura?

MP – Veja bem, Taveira, o livro Cinza da Solidão é uma denúncia da falta de política adequada à juventude brasileira, o que torna o jovem presa fácil para muita coisa, até mesmo para ser recrutado pelo narcotráfico. Agora é também uma história romântica, folhetinesca, de emoções desenfreadas, de muito suspense no final de cada capítulo, e que tenta resgatar uma parte da história recente do país. O início dos anos 90 foi marcado pelo movimento social, pelo embate político, com o povo na rua, hoje o que se vê? É escândalo em cima de escândalo, roubalheira, falcatruas, as mais diversas situações em que o povo é lesado, roubado, esfoliado, e o incrível é que ninguém faz nada, parece que assistimos a tudo impassíveis, os políticos da antiga arena, MDB, UDN, o próprio PT envolvidos em escândalos financeiros de milhões e ninguém faz nada, o poder da mídia parece até que banalizou as denúncias, o judiciário corrompido, o executivo então nem se fala… parece que falta um basta em toda essa situação, mas é como costumo dizer cá com meus botões: pior que a covardia é a resignação de um povo… e é bem isso o que está acontecendo. Então respondendo à sua pergunta, é como brada um dos personagens no romance: “Reprodutores de escravidão” – é bem isso que tanto a elite como os atuais detentores do poder fazem. Não se investe em educação…

JCT – Qual foi o processo de criação adotado na concepção do livro?

MP – A simplicidade. Uma das coisas que me deixou confiante na hora de publicar este trabalho, foi ver que as pessoas acompanhavam durante a publicação diária nos jornais. Tinha gente que ligava, me dava idéias ou sugestões, outros criticavam a forma que eu dava a um ou outro personagem… e o principal mesmo, o que mais me motivou foi ouvir de várias pessoas que, após lerem a história, viam o quão é fácil escrever um romance. Aí eu disse: bingo! Se as pessoas estão achando que é fácil escrever e que podem escrever uma história após lerem a minha, então o livro é motivador, está escrito de maneira simples, e fazer o simples é que é o mais complicado. Então eu acho que chegou ao ponto… está na hora de publicá-lo.

JCT – Como você vê o mercado de livros no Brasil para este tipo de literatura?

MP – O livro foi lançado recentemente. No início de abril, ou seja, está cedo para se tirar conclusões. Agora eu venho trabalhando a idéia há um ano e meio ou dois. Quanto ao mercado de livros no Brasil, acho que passa por um momento muito delicado. Com a globalização chegou também a desnacionalização da literatura, ou seja, os livros que chegam primeiro ao grande público são livros das grandes editoras que investem pesado para nos empurrar goela abaixo situações que não nos dizem nada de interesse coletivo, mas sim de questões subjetivas e pessoais. Quando eu por exemplo vejo a lista dos mais vendidos nos principais jornais do país, lá não tem sequer um brasileiro figurando, quando muito aparece lá o Paulo Coelho, que tem uma assessoria de imprensa só para ele, se duvidar. Outra questão que vale a pena ressaltar é a inclusão das livrarias nacionais pelo capital estrangeiro, como é caso da Ediouro, da antiga José Olympio, da Record, e assim de tantas outras que se deixaram incorporar pelas grandes editoras e que não tem interesse em investir na prata da casa. É muito melhor chegar com uma fórmula pronta, que se dar ao trabalho de lançar novos autores, por exemplo. Também tem a morte das pequenas livrarias com o surgimento das grandes redes nos shoppings, etc. Ora, antigamente o livreiro era responsável pela formação intelectual da comunidade, hoje, isso fica a cargo dos marqueteiros que transformam lixo em ouro e o que se vê é o nome de dois ou três estrangeiros dominando a lista dos dez livros mais vendidos no país. Agora tem saída, sim… tá tudo dominado, como diz a música, mas tem sempre uma esperança de que o povo brasileiro desperte desse transe por que passa e não se dá conta, tal a pressão exercida pelo cotidiano e pelas necessidades mais vigentes.

JCT – Agora fale um pouco de sua visão sobre divulgação e distribuição, com relação a esse mesmo mercado.

MP – Uma coisa todo mundo concorda. Livro é caro em nosso país. Mas o que ninguém lembra é que o país tem dimensão continental e que qualquer envio de livro para outro estado eleva o custo do livro em quase o triplo do valor de capa. Os descontos em consignação para as grandes redes chegam a 55% do valor do livro. Isso por si só já é uma barreira e tanto. Mas nem tudo é dificuldade. Hoje com o advento da Internet isso tem melhorado muito no que diz respeito à divulgação da obra. É fácil fazer uma pesquisa nos principais sites voltados para literatura e a partir daí traçar uma estratégia de divulgação. A criação de blogs gratuitos, salas de bate-papo, grupos de pesquisa e uma infinidade de e-mails que você pode capturar na net e divulgar seu trabalho. Outra coisa também é que os sites, embora sem aquela coisa da instituição dos meios de comunicação tipo jornal, revista e televisão, aos poucos vêm se firmando como ferramenta de comunicação de massa e isso com custos reduzidos e sem aquele velho problema de falta de espaço, o que acontece muito com os jornais que acabam por priorizar anunciantes em vez de notícias. A questão da distribuição também tem melhorado muito, hoje pela Internet você pode garimpar quais os distribuidores de livro por estado e assim focar seu objetivo. Antes da Internet tudo isso era muito mais difícil. Agora, é claro, nada disso invalida o esforço pessoal de participar em eventos do tipo bate-papo com escritor, palestras, oficinas, encontros literários, encontros universitários de estudantes de letras, venda direta dos livros nos bares, e espaços culturais da cidade. Sem isso, todo trabalho acaba caindo por terra.

JCT – Quais as dicas que você daria para os iniciantes nesse gênero? Ou não existem fórmulas?

MP – Há quem diga que o romance assim como o rock e artes em geral, tenha exaurido todas as formas. Isso desde Joyce com o Ulisses, mas acredito que não, ainda tem muita coisa por fazer… e como bem sabemos isso tudo é um ciclo, é coisa dos apocalípticos de plantão que vivem pregando o fim de tudo. Mas um bom romance sempre vai ter público. Quanto às dicas são inúmeras, entre elas a simplicidade na hora de escrever. Com isso eu não quero dizer que você vai fazer um trabalho fraco, sem estilo literário ou requintes, quando eu me refiro à simplicidade é a da linguagem acessível, mas sem se perder no chulo, observar bem o encadeamento das ações, afinal é a sucessão de fatos que vai dar um ritmo para a leitura. A utilização de diálogos curtos e verossímeis, nada daquela coisa de um diálogo de parágrafo inteiro, interminável… o leitor tá cansado de inverdades, ele quando vai ler uma história a prioridade é para uma leitura prazerosa, envolvente, com um final surpreendente, que o leve à reflexão, mas sem a dureza do fato tal qual é… a literatura é uma arte, e como tal leva ao lúdico e não ao rancor, ou ódio, essas coisas que se você não estiver atento ao escrever acaba respingando no leitor.

JCT – Para finalizar: M.P. Haickel por Marco Polo.

MP – Enquanto escritor, acredito estar tentando fazer as coisas certinhas, como devem ser. Tem horas que penso estar correndo atrás do vento, que esse negócio de ser escritor é uma coisa insólita em nosso país, mas também não, eu recebo um e-mail fazendo um comentário legal sobre o livro e então renovo as esperanças. Ultimamente tenho me dedicado também a outras atividades que têm me dado bastante prazer; estou me preparando para ir para sala de aula, sim, porque embora formado em Letras, sempre trabalhei escrevendo para jornais e revistas, e esse tipo de experiência era coisa que não tinha ido além do estágio, não porque eu queira, é que não sobrava muito tempo para exercer essa atividade que requer muita dedicação. Mas agora tem me sobrado tempo, e eu já não estou full time internado na redação de jornais, brevemente estarei lecionando Literatura numa escola… também não dá mais para voltar atrás… é como meu pai me ensinou, só existe uma maneira de ganhar dinheiro sem ser trabalhando: fazendo o que gosta… e eu tenho feito muitas coisas de que gosto nesta área… entre elas: escrever o que sinto e penso a respeito da realidade e, por que não dizer, das coisas que estão ao meu redor, mesmo que para isso pague um preço alto, como este momento em que pela profissão de escritor tive que me afastar da mulher amada e dos meus filhos… Mas sei que isso não vai ser para sempre, e tão logo consiga meus objetivos estaremos todos juntos novamente para passarmos o dia inteiro na praia como nos velhos tempos.

O livro Cinza da Solidão já está à venda para todo o Brasil através do site da Livraria Cultura, no endereço: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1860415

ou se preferir pelo site da Thesaurus Editora : http://www.thesaurus.com.br/produto.asp?produto=1569




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Comentários

já tenho o cinza do mp haickel. sujeito bacana.
recomendo.
mas, agora, quero saber como faço para mostrar meus contos para minha estréia pela thesaurus (se bem que sai na coletânia do ronaldo). hein, hein?

Mão é só dar um pulinho na editora, e trazer seu material para conversar comigo, com Tagore ou com o editor Victor Alegria…
Abração…
M.P.Haickel

Putz há quanto tempo hein!! Só mesmo pela net pra gente entrar em contato,
sai no JP um release falando sobre o relançamento e lá fui eu conferir a entrevista. Ficou boa, mas essa tua cara, heheheeh!
Rapaz, saudades!
força pra continuares lutando e um abração
se cuida cabra

Putz Lu..quanto tempo realmente. Já lá se foram um ano e alguns dois mêses. Mas sabe como é, como dizia a galera do Mará: só a luta muda a vida… que bacana, camarada. Também tô a fim de dar um pulinho aí na ilha, mas por enquanto é só vontade. Mas fica aí o abração do seu amigo e poeta Marco Polo.
Te cuida, camarada… e o curso de jornalismo?

iaí M.P, como é que tú tá cara, beleza pura, tive a grata supresa de sacar um release no jornal pequeno, sobre o lançamento do teu novo trabalho. Valeu! continue galgando os teus ideais. um abraço

Ah… não acredito que esse Luís é o meu velho amigo Abutre… agora papai e tudo… tamos filhão, na batalha… vamos vê se não perdemos o contato… o livro tá rolando na net… em breve quero fazer o lançamento na terrinha, com os amigos…
valeu, abração…

Amigo Marco Polo: Uma das coisas boas que aconteceram, quando da edição de meu primeiro livro, recentemente, foi conhecê-lo: uma pessoa simples, acessível e muito interessante pelo que tem a dizer sobre a conjuntura nacional e, especialmente, sobre as dificuldades que o escritor novato encontra atualmente para divulgar sua obra.
Ainda não li seu “Cinza da Solidão”, mas sua entrevista ao grande poeta Taveira,tornou obrigatório fazê-lo. Gostei do tema escolhido. Concordo inteiramente com você, a juventude no Brasil anda abandonada: Lê pouco, pensa pouco. Seus referênciais são, no melhor dos casos,jogadores de futebol, cantores sertanejos e de rock, artistas da Globo e modelos. O sonho das meninas é fazer um “book”. Recentemente, uma jovem que auxiliava em minha casa declarou-me que pretendia ser modelo. Apesar de não ver nela nada que a pudesse qualificar para tanto, guardei silêncio para não magoa-la.
O papel que você desempenha na Editora Thesaurus, como editor da revista “Nós Fora dos Eixos” é dos mais meritórios. Você é o contato da editora com o mundo exterior, sem o que os livros permaneceriam nas pratileiras. Nas conversas com os escritores de primeira viagem que o procuram, sua boa vontade em divulgar sua obra e as informações que lhes trasmite sobre o mercado editorial, são de grande valia.
Seu apego à Lideratura, sua capacidade de captar os problemas de nosso dia-a-dia e, por certo, sua simpatia, o tornarão cada dia mais um personagem importante na vida literária de Brasilia.

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