Escritor e jornalista Lira Neto lança livro-reportagem biográfico sobre a cantora Maysa Matarazzo

O escritor e jornalista Lira Neto será figura central de debate e lançará o livro “Maysa: Só numa multidão de amores” – uma reportagem biográfica sobre a cantora, compositora, atriz e apresentadora de TV brasileira Maysa Matarazzo (1936/1977) –, na próxima edição do programa Literato, a ser realizada no cineteatro do Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – 2º andar – Centro – fone: (85) 3464.3108), na próxima terça-feira, 19, a partir das 19 horas.

A obra percorre minuciosamente todas as etapas (e traumas) de uma trajetória marcada por amores, viagens, conflitos com a mídia, tentativas de suicídio, crises de alcoolismo e internações em clínicas para desintoxicação.

Do convívio com o pai notívago e hedonista ao casamento com o magnata André Matarazzo (que impunha à esposa o recato das tradições familiares), da identificação visceral com a música romântica à assimilação das novidades estéticas trazidas pela Bossa Nova, o autor compõe uma narrativa em que a fidelidade aos fatos e o exaustivo trabalho de prospecção permitem detalhar também o contexto sociocultural em que Maysa se tornou um personagem célebre.

Juntamente com Lira Neto, participam da conversa o jornalista Roberto Maciel (mediador e debatedor) e o professor-doutor, sociólogo e pesquisador musical Dilmar Miranda (debatedor), além da platéia presente ao cineteatro do CCBNB-Fortaleza, que poderá encaminhar perguntas por escrito aos três convidados.

Maysa: história de vida e trajetória artística

Nascida numa rica e tradicional família do Espírito Santo, Maysa Figueira Monjardim Matarazzo (São Paulo, SP, 6 de junho de 1936 – Niterói, RJ, 22 de janeiro de 1977) passou a infância no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, brincando de roda e jogando futebol com as crianças da vizinhança.

Casou-se aos 18 anos com o empresário André Matarazzo, 20 anos mais velho e um dos herdeiros da família Matarazzo (milionários industriais paulistas, descendentes do Conde Matarazzo).

O envolvimento com a música, no entanto, veio bem antes. Desde a adolescência já gostava de cantar em festas familiares, compor algumas músicas (aos 12 anos compôs o samba-canção “Adeus”), além de tocar piano.

Em 1956, já grávida do seu único filho (que se tornaria o diretor de cinema e telenovelas da TV Globo e da extinta TV Manchete, Jayme Monjardim), conheceu o produtor Roberto Corte-Real que, encantado com a sua voz, quis contratá-la imediatamente para gravar um disco.

Maysa pediu então que ele esperasse o nascimento de seu filho. Quando este completou um ano de idade, a cantora gravou o primeiro disco, intitulado “Convite para ouvir Maysa”, lançado em 20 de novembro de 1956 pela gravadora RGE.

Depois de dois anos de casamento, Maysa e André Matarazzo, que se opunha à carreira artística da esposa, se separaram. O fim do casamento abalou profundamente a cantora, levando-a à depressão. A partir dessa época, começou a ter problemas com a bebida e a se envolver em casos amorosos explorados pela mídia.

Passou a cantar no João Sebastião Bar, no bairro da Consolação, e a apresentar o programa Encontro com Maysa, na TV Record (Canal 7), em São Paulo. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a se relacionar com a turma da Bossa Nova, com quem pôde expandir referências musicais. Excursionou ao lado do pianista Pedrinho Mattar, lotando casas de espetáculos em todo o País.

Suas composições, bem como as canções escolhidas para o seu repertório, eram sob medida para uma voz incomum, com forte viés melancólico, e se tornaram emblemáticas do gênero fossa ou samba-canção.

Ao lado de Maysa, destacam-se Nora Ney, Ângela Maria e Dolores Duran. O gênero, comparado ao bolero, pela exaltação do tema amor-romântico ou pelo sofrimento de um amor não-realizado, foi chamado também de dor-de-cotovelo. O samba-canção (surgido na década de 1930) antecedeu o movimento da Bossa Nova (surgido no final da década de 1950), com o qual Maysa já foi identificada.

Mas este último representou um refinamento e uma maior leveza nas melodias e interpretações, em detrimento do drama e das melodias ressentidas, da dor-de-cotovelo e da melancolia. O legado de Maysa, ainda que aponte para dívidas históricas com a Bossa Nova, é o de uma cantora mais dramática e a voz mais arrastada do que as intérpretes da Bossa Nova e, por isso, aproxima-se antes do bolero.

A interpretação de Maysa tornou célebres canções como “Felicidade infeliz”, dela própria, “Solidão” (Antônio Bruno), “Bom dia, tristeza” (Adoniran Barbosa/Vinícius de Moraes), “Tristeza” (Haroldo Lobo/Niltinho), “Ne me quitte pas” (canção em francês, do belga Jacques Brel) e “Bloco da solidão” (Jair Amorim/Evaldo Gouveia), além de “Adeus”, “Agonia”, “Marcada”, “Meu mundo caiu”, “Não vou querer”, “Ouça”, “Resposta”, “Rindo de mim”, “Tarde triste” e “O barquinho”, entre outras.

Contemporânea da compositora Dolores Duran, Maysa compôs 26 canções, numa época em que haviam poucas mulheres exercendo essa atividade. Todas foram gravadas no CD Maysa por ela mesma, que alcançou grande sucesso. Maysa interpretava de maneira muito singular, personalista, com toda a voz, sentimento e expressão. Um canto gutural, ensejando momentos de solidão e de grande expressão afetiva.

Um dos momentos antológicos desta caracterização dramática foi a apresentação, em 1974, de “Chão de estrelas” (Silvio Caldas/Orestes Barbosa) e de “Ne me quitte pas”, em 1976, no programa Fantástico da TV Globo. Maysa trabalhou ainda como atriz no teatro e na televisão, atuando nas novelas “O cafona”, ao lado de Francisco Cuoco, e “Bravo!”, com o ator Carlos Alberto (com quem manteve relacionamento amoroso). O estilo Maysa exerceu influência nas gerações seguintes, com grande ascendência nas obras de Simone, Leila Pinheiro, Fafá de Belém e Ângela Rô Rô, entre outras.

Em 1977, um trágico acidente automobilístico na Ponte Rio-Niterói encerrava a carreira e o brilho da estrela, que foi um dos maiores mitos da música brasileira. O acidente aconteceu quando ela se dirigia ao município de Maricá, onde tinha uma casa, plantada nas areias, ao lado das residências do ator Carlos Alberto e do pesquisador musical Ricardo Cravo Albin. Foi precisamente dirigindo-se à casa deste último que ela sofreu, numa manhã ensolada de sábado, o desastre de carro que a vitimou, quase ao chegar a Niterói, antiga capital fluminense.

O autor Lira Neto

Lira Neto, jornalista, nasceu em Fortaleza em 1963. Nos anos 1970 e 1980, publicou poesia alternativa e pertenceu à chamada “geração mimeógrafo”. Mora em São Paulo e tem artigos, reportagens e entrevistas editadas em vários jornais e revistas brasileiros, como Aventuras da História, Contigo!, KEY, Sexy, VIP, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, e no site No Mínimo. É autor, entre outros livros, de Castello – A marcha para a ditadura (2004) e O inimigo do rei – Uma biografia de José de Alencar (2006), este último publicado pela Editora Globo.




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Comentários

Bom dia Lira Neto
Eu fazendo uma pesquisa, tive a maior surpresa em deparar com a biografia da Maysa Matarazzo, eu tinha muito vontade de saber sobre a vida da mesma e agora realizei o meu sonho.
Lira Neto você está de parabéns por esta obra maravilhosa.
Queria saber onde encontro este livro aqui em Santos.
Um Feliz Ano Novo que Deus o proteja.
Luiza Vieira

Acabei de ler o livro “Maysa”. Adorei. Parabéns para o autor por essa leitura deliciosa, porque Maysa era uma delícia na sua rebeldia, nas suas histórias e na sua voz.

Parabens !!!

Onde posso encontrar este livro ?. Qual é a editora?

Oi. Eu sou estudante de jornalismo e para uma disciplina estou pegando dados para elaborar um artigo sobre livro-reportagem no Brasil e em Minas Gerais. Porém, eu não sou de Minas, apenas moro aqui e pouco sei sobre jornalistas e escirtores daqui. O senhor poderia me ajudar com nomes de alguns escritores mineiros especializados em livros-reportagens? Obrigada e parabéns pelo trabalho.

Espero ansiosamente que este libro sea traducido al español. Maysa es un personaje de singular importancia para mí. Agradecería que se me proporcionasen los títulos de las 29 canciones compuestas por Maysa,(tal, lo que se afirma en el artículo) a los efectos de poder separarlas delresto en mis archivos.
Tengo alguna obra escrita sobre esta notable mujer, y ahora desearía hacer algo referente a su obra.
Gracias

Adorei o artigo! Bem escrito e bom de ler. Desperta completamente o interesse no assunto e no livro. Parabéns!Quem sabe você não coloca umas fotos…
um abraço,
Carmen

Bem…
assistindo a minisérie fez com que eu ficasse com, muitas curiosidades sobre essa lina cantora!
Mais fiquei tão abalada com sua história e o fim trágico…
Eu lendo fico imaginando tantas coisas…
De verdade isso me chamou muito atenção.
Muito bom esse artigo bem explicado, resumido.
Meus parabéns, pla essa gran obra.
Elen

O seu artigo está maravilhoso eu estou encantada com a história de Maysa uma pena não tê-la conhecido,quanto ao seu livro vou comprar para ficar mais encantada com a Maysa e sua história, nossa muito gracioso tudo que estou vendo na TV.

Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mas li um escrito por Eduardo Logullo Maysa meu mundo caiu- Na bossa e na fossa. No próximo mês com certeza começarei a ler o “Maysa: só numa multidão de amores”. Sou capixaba e como todo capixaba tenho orgulho da família de Maysa ser do estado, pois para mim ela é um exemplo de personalidade forte.

Simplesmente fantástico. Parabéns. Assisto o seriado, mas, tenho que ler este livro. Gostaria de saber mais sobre André Matarazzo, se era bisneto do Conde??? Sou escrito (não famoso ainda),mas acho que uma minissérie sobre os Matarazzo também seria interessante.
Abraço e sucesso.

Assistindo a minissérie, fiquei com muita curiosidade sobre Maysa… muito bom sua obra, pena que tenha acontecido aquele final trágico com a mulher. Parabéns

sempre fui fã da maysa…ela era maravilhosa…linda!!!

Maysa teve uma grande influencia na musica popular brasileira no estilo de samba canção e bossa nova.

Eu,quando vi o primeiro capitulo da mini série dela ,eu virei fã.
Começei a pesquisar tudo sobre ela,tudinho mesmo.
e pretendo seguir os passos dela.
isabelle

Caro Lira Neto,
Eu era fâ incondicional de Maysa e, na época, lia tudo que saía nos jornais e revistas. Tive quase todos os seus Lps e de tanto ouví~los, acabaram se gastando. Muitos anos depois, estudei astrologia e sempre tive vontade de ver o mapa astral de Maysa. Se vc tiver, nos dados biográficos, a HORA de nascimento dela, poderia, p.favor me enviar via e-mail? Faço pesquisa de personalidades com provável distúrbio de bipolaridade. Vou comprar seu livro. Se nele tiver este dado é só me informar. Muito grata,
Sonia Queiroz

Maysa era uma pessoa EGOCENTRICA,MIMADA,DEVASSA!!Tinha uma vaga noção sobre ela,mas não sabia que era tão mau caráter!Fico triste que nosso país fique agora adorando a ´memória de uma pessoa com este PERFIL!Não acho que era uma mulher à frente de seu tempo como por exemplo foi Leila Diniz ou como qualquer outra mulher que tenha participado contra a Ditadura Militar no País!Repito:OH mulher egoísta essa Maysa!

Ana

Excelente trabalho, Lira Neto!!! Em quanto tempo você realizou esse trabalho e quais as maiores dificuldades que você encontrou?

eu acho a maisa uma mulher lutadora esperta e canta muito bem
amo a maisa
so nao gostei dela ter deixado o seu filho num instituto sosinho
e o que eu acho!!!!!!!!!

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