Joselita Rodovalho lança livro no Carpe Diem

Foi ontem, 30/09, no Restaurante Carpe Diem, o lançamento do livro “O Atual Sempre” - de Joselita Rodovalho, um ensaio psicanalítico sobre o inabitável vazio da vida cotidiana. O livro revela que não sabemos lidar com a angústia e que evitá-la ou entorpecê-la não a elimina. Joselita expõe ao leitor que a angústica é a mola propulsora da obra humana e reconhecê-la, em nós, é a única saída. Conhecendo-a, poderemos suportá-la: não podemos viver sem ela e nem podemos viver com ela.A angústia surge do impasse subjetivo frente à “escolha forçada” que obriga o sujeito a mover-se para o “traalho escravo” de sua própria existência. O resultado da tarefa de exasutão da sobrecarga premente da vida é que decidirá sobre a utilidade de sua destinação.

Este princípio nos leva à convicção de que a angústia não está diretamente vinculada às conseqüências das enfermidades sexuais, morais e psíquicas. Não é, portanto, efeito, e sim, causa dos resultados psíquicos da decisão do sujeito pela escolha que deverá fazer. Logo, o fato importantíssimo a ser revelado é que a angústia, fundamento dos sintomas clínicos de qualquer patogenia psíquica, não deriva de nenhuma fonte psíquica. Ao contrário, ela é reultante de fatores quantitativos das excitações interiores constituindo-se deste modo como força propulsora, ou, melhor dizendo, uma força convocatória. É a mais profunda dor subjetiva que desperta o sujeito para a sua vontade (Lust) de existir.

A angústia está, portanto, na raiz incosciente de toda a criação. É o único “Senhor” que imperiosamente comanda nosso interior. E como tal, demanda trabalho de nossa mente. Como revelou Freud, não estava previsto no projeto da natureza que o ser humano viesse ao mundo para ser exclusivamente feliz, ele é resultado de uma probabilidade, daí a prova de sua existência ser meramente contingencial. E a angústia como predicado universal da vontade, compulsão oca, significa todo o esforço misterioso do querer viver e tentar ser feliz, porque não?

net3.jpgNo entanto, a angústia também apresenta um lado positivo para o sujeito por viabilizar a escolha da liberdade para viver; porém, suprimido de toda a plenitude da vida, tendo que, em sua solidão inerente, cavar com as próprias mãos as condições de um gozo que lhe permita uma sobrevivência viável, apenas “punida” pela limitação da morte real.

A desorganização mental estabelecida pelo impasse da angústia, ao criar o vazio de referências, provoca um desregramento subjetivo, mas é somente por essa via que se pode chegar à possibilidade da escolha referida acima: “ou cede ou passa”. Ceder é o mesmo que restaurar um novo narcisismo, como ocorre na insensatez das guerras e revoluções de que temos notícias na trajetória da humanidade. É trocar um antigo ideal por um mais atualizado e permanecer na mesma coisa. O passe já é mais dispendioso para o sujeito, porém, menos destrutivo e sangrento. É como diz Jean Allouche (1998), “poder passar para uma outra coisa… Sempre”. Passar para outra coisa é destituir o ideal e cair na real, como se diz hoje em dia. Única possibilidade de mudança interna. Trata-se, pois, muito mais, de uma grandiosa evolução interna, uma subversão interna, do que uma revolução exterior.

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