Livreiros em extinção?
A mídia preocupa-se demais em saber quantos livros se venderam na Feira, quanto foi o faturamento, qual o livro mais vendido e demais perguntas de cunho econômico-financeiro. Mas é preciso mostrar que o “Rei vai nu”. As livrarias estão acabando num ritmo assustador e muitos tentam mostrar que um café, uma doceira, uma casa de chá, por terem 2 ou 3 estantes se transformarem em livraria.
O livro está caro? Sim, mas ficará ainda mais caro se os grandes círculos editoriais transformar o livro num objeto de exposição, com capa dura, plastificações especiais, vernizes, peles e perfumes, complicações para, pela forma, atraírem o consumista fascinado pelo “design”. Não nos admiramos se em breve de dentro de um livro sair uma projeção holográfica de mulher pelada, como nas cervejas, na TV.
Como não deixar as livrarias morrerem? Por falta de espaço, os autores irão vender seus livros de mão em mão pelos bares da vida, ou nos orkutes das banalidades? Com os fornecedores cada vez mais distantes do hábito da leitura? Ou com senhores políticos envolvidos em escândalos de corrupção e enriquecimento ilícito, sem uma lei de incentivo à cultura que realmente venha valer?
Para incentivar a luta e conjuntamente a resistência do livro aos “átilas” do consumismo só há que criar bibliotecas municipais (com verba de 30% para a infra-estrutura e 70% para aquisição da matéria prima, que é o livro); promover a redução ou isenção de IPTU para livrarias; crédito a juros acessíveis, redução do IR durante um período de 15 anos para tornar este negócio rentável (não falamos, é óbvio, do livro didático, de consumo obrigatório, o filé mignon dos distribuidores que atrai já as grandes multinacionais do setor).
Sim, se pode parabenizar o governo Lula pela isenção dos impostos do livro, mas queremos chamar a atenção dos senhores do IR para o patriotismo que há de haver, com relação à transformação que o livro pode causar e servir de instrumento no combate à desigualdades sociais, ao desemprego e violência numa sociedade de analfabetos funcionais, citando Mário Quintana: ” O pior analfabeto é aquele que sabe lê, mas não lê”.
Falta sim, livreiros no mercado, pois é cada vez menor o número de pessoas envolvidas com a “formação intelectual” de leitores, preocupadas com o desenvolvimento ético e cultural da comunidade, imbuídas de socializar o conhecimento humanístico, que muitas vezes sucumbem à ganância e ao descaso das grandes redes livreiras promotoras do efêmero, do modismo e do descartável.
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