Carta ao poeta João Carlos Taveira

Todo homem que, em si, não traga ritmo,

que a música não atinja logo o seu íntimo;

seu espírito desvive vazio em noite obscura,

seus afetos são negros como a desventura!

Toda ave saúda a luz do dia

em transe de álacre melodia!

Que música tem a beleza

na paisagem matinal acesa!

Viva o esplendor encantado da lira!

dissipa pesadelos; Davi toca, e tira

do Rei Saúl todos os medos; Orfeu…

A Flauta Mágica… Moisés fendeu

o mar, cantando santos mantras; Josué

derrubou as sólidas muralhas de Jericó,

tocando trombetas; pois tudo o que é

grande e belo desafia a mudez do pó!

Mais do que as perenes Pirâmides do Egito

ou as Sete Maravilhas do mundo antigo;

a lira, a flauta, a harpa, o místico grito

de glória humana ressuscitando Lázaro

que retorna das tristes sombras do jazigo,

porque ouviu a celeste música amiga da voz

de Jesus – o trinado sacro de Íbis, o pássaro

divino, ordenando vida de Apolo a todos nós!

17.9.2007 – Jarbas Júnior

Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários

Nenhum comentário.

Comente este artigo

(obrigatório)

(obrigatório)