Polícia carioca torna a realizar chacina em nome do combate ao tráfico
Pouco mais de três meses depois da operação realizada no conjunto de favela do Complexo do Alemão que resultou em 44 mortos, a polícia carioca realizou nesta quarta-feira (17) outra ação, desta vez na Favela da Coréia, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Na ação doze pessoas morreram entre elas uma criança de quatro anos.
Para o deputado estadual (Psol-RJ) Marcelo Freixo, as ações da polícia militar carioca fazem parte de uma política de segurança que promove chacinas nas favelas sem mudar a realidade do tráfico e sem levar desenvolvimento social para esses locais.
“A partir de hoje você pode ter certeza de que nada será alterado na realidade de qualquer morador do Rio de Janeiro, nem na comunidade, nem fora dela. O que mudou no complexo do alemão depois daquela operação? O tráfico deixou de existir? A educação pública foi garantida? A saúde agora funciona? O Estado retomou o controle daquele território e as suas leis estão valendo? Não. Nada disso.”
A polícia do Rio de Janeiro é considerada uma das mais violentas do mundo. Marcelo afirma que somente este ano já foram registrados 680 casos de pessoas mortas pela polícia em nome de uma política de segurança ineficaz.
“O que se observa muito claramente é que não se combate o crime. O que se combate são os setores pobres e a favela. As armas e as drogas não são produzidas ali dentro e todos sabem disso. Por que não vai na fonte do lucro? Favela tem muita arma, droga e tem muita miséria, é um exército de esfarrapados.”
De São Paulo, da Radioagência NP, Juliano Domingues.
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