Saiba como aprovar seu projeto no FAC


16/11/2007

Conselheiro do FAC Marbo GiannacciniEste ano o FAC teve as inscrições de projetos prorrogados até o dia 30 de novembro. A equipe do Jornal Livros & Cultura entrevistou o Conselheiro do FAC Marbo Giannaccini. Professor universitário, militante do teatro e da dança há mais de 40 anos, originário de São Paulo, trabalhou na Universidade do Pará, foi diretor de teatro, de escola de dança e de música da universidade.

Procurando dar uma nova vida à estrutura que existia onde havia distorções muito grandes, no sentido de alteração do orçamento o que gerava muitas reclamações, o edital 2007 do FAC veio com uma nova cara.

Primeiro, foi modificar os critérios de aprovação dos projetos e o segundo momento foi de mudar os procedimentos para a aprovação. Os critérios foram abertos amplamente para as possibilidades de releituras de projetos que já tinham sido aprovados no passado recente e que foram sucesso e isso não só para poder reapresentá-los com nova roupagem como também fazer com que eles possam circular e permitir que o acesso do público seja renovado.

Segundo, na parte organizacional, onde foram estabelecidos patamares orçamentários. E por que isso? Porque depois de aprovado não se mexe mais no projeto que tem o mérito cultural. Isso permite que todas as pessoas que estão se candidatando recebam orientação em que o orçamento esteja bem de acordo e que se justifique; não mais aquele orçamento que vinha superfaturado ou superestimado e que se dava depois o processo de corte para uma readequação. Leia abaixo entrevista com o conselheiro Marbo Giannaccinni.

Jornal Livros & Cultura: Com esse novo critério que, foi criado justamente para acabar com esse “corte” no projeto, vai se evitar a volta da regra de “readequação”?

Marbo Giannaccini: Veja bem: a readequação pode até ser feita, mas se o projeto for aprovado pelo Conselho de Cultura. A readequação agora só será aceita se a pessoa, por qualquer motivo, trouxer um ator ou um músico ou se alguém cair doente e precisar ser substituído, e isso alterar um pouco o cachê; o que importa numa readequação mínima dentro do projeto, que não vai sofrer com esta alteração, ou seja, não precisa ser readequado.

JL&C: Os critérios estão confundindo a classe artística. Um exemplo: um livro infantil de até 60 páginas é incluído no critério de pequeno porte. Só que um livro infantil de até 60 páginas, todo colorido, vai custar muito mais caro que um livro de médio porte, por exemplo, que pode ter até 156 páginas, e que terá no máximo duas cores. Em qual deve-se inscrever o livro infantil? No de pequeno porte, pelo fato dele ser enquadrado no critério “livro infantil”, ou no de médio porte para poder chegar mais perto da verba desejada para a impressão do livro?

MG: Nesse caso, o proponente vai ter que fazer o seguinte: o FAC vai proporcionar a ele uma quantia que vamos supor que seja R$ 40,000.00 (quarenta mil), ele vai ter que especificar de onde virá a quantia que falta para realização do projeto; isto porque o FAC vai trabalhar com valores fixos. Cito um exemplo: o aparecimento de um maestro dizendo: “olha, eu tenho sessenta vozes, onde eu me enquadro? Na apresentação de 6 a 10 pessoas?”. Então eu respondi, “você se enquadra nessa daí, você vai receber tanto e as demais vozes você vai ter que buscar em outro lugar”. Isso quer dizer que a quantia que nós temos orçamentária na verdade é fixa. Você não pode esticar e nem deixar outras áreas descobertas. O cobertor é curto, então tem que fazer de um jeito que quando cobre o pé não venha descobrir a cabeça.

JL&C: No caso do teatro, quando a pessoa entra com o pedido de apoio para a montagem do espetáculo, que aí inclui a circulação e a realização de oficinas com o público, esses valores são agregados ao valor geral do projeto? Ou a pessoa tem que selecionar só um desses critérios?

MG: Aí serão enquadrados como projetos especiais: são multidiscipli-nares, ou seja, contemplam mais de um critério lá do edital; então se você for ver o formulário, tem lá. Você marca música, dança e artes plásticas, o que faz com que esse projeto seja especial. Agora o que você tem que perceber é que existe critério, mas não patamar. Você tem que somar tudo e apresentar, mas cabe ao Conselho de Cultura classificar, dentro dos projetos especiais, os que vão ser escolhidos e a ordem do que vai ser executado. Claro que isso numa classificação por interesse público; isso quer dizer que o primeiro pode ser que venha com um orçamento de R$ 60.000,00 (sessenta mil), o segundo custar R$ 30.000,00 (trinta mil) e o terceiro de R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil). Importante a ressaltar que não é fácil de avaliar um projeto multidisciplinar, em relação ao que atenta para um só critério.

JL&C: Nesta edição do edital FAC 2007, o Conselho está muito mais voltado para a questão da estratégia dos projetos que serão apresentados?

MG: O Conselho vai analisar levando em conta o resultado final que a gente quer obter. Então essa estratégia é muito importante para que a gente compreenda o que a pessoa vai realmente fazer, tanto que o formulário pede que se estabeleçam metas. Isso porque a meta é quantitativa, enquanto o objetivo é geral. Ou seja, digamos que seu objetivo é chegar do outro lado da mesa, e sua estratégia primeiro é levantar e dar dois passos e aí a coisa se torna quantitativa, são dois passos e depois é racionalizar todo o processo, e para isso é preciso planejar primeiro.

JL&C: Pra finalizar, quais as dicas para a pessoa emplacar seu projeto no FAC?

MG: A primeira coisa é ter um bom projeto com uma boa proposta, sempre respondendo o porquê. Tenha em mente aquelas perguntas clássicas da administração: por que? Onde? Por que neste momento eu me proponho a fazer isso? É oportuno realizar isso agora? Então, por exemplo, é muito mais oportuno fazer um evento sobre o Machado de Assis agora, quando se comemoram os 100 anos dele, do que fazer só no ano que vem… Já a segunda dica é você ter uma noção exata do orçamento, ou seja, você saber ao certo quanto custa cada coisa e não chutar, não usar o achômetro. Procure se informar direito a respeito dos custos das coisas. Resumindo, as dicas são duas: a primeira é um bom projeto, e a segunda, um bom orçamento.

5 comentários para “Saiba como aprovar seu projeto no FAC”

  1. Chico de Assis comenta:

    Búzios RJ 18/11/2007

    Sou produtor cultural e jornalista -, no momento - estou enviando um Projeto Cultural, através da ONG - Onda Carioca, para obter apoio do Fundo Nacional da Cultura - MinC/FNC, em Brasília - DF.
    E gostaria de obter maiores informações, sobre esta nova forma de obter apoio cultural, que eu não conhecia ainda - que é o FAC.
    E gostaria de saber ainda, como é possivel, o envio de um projeto cultural, para o FAC, para ser analizado e, obter esse tipo de apoio?

    Atenciosamente.

    Chico de Assis, jornalista e produtor cultural.

  2. Chico de Assis comenta:

    Búzios RJ

    Gostaria de saber como é possivel o envio de projetos culturais para o FAC, para obtenção de apoio, e como estes projetos podem ser formulados?
    Desde já meu muito obrigado pelas informações.

    Um abraço.

    Chico de Assis, jornalista e produtor cultural

  3. GUSTAVO PASO comenta:

    POR FAVOR,
    ONDE POSSO CONHECER MELHOR ESTE FAC?

    Nunca ouvi falar deste edital, é do MinC?
    Qual o site que baixo a ficha de inscrição?

    Podem me ajudar?

    atenciosamente,
    Gustavo Paso

  4. Jorge Amancio comenta:

    Como posso ter acesso ao edital para apresentação, site, inscrição, é restrito a Brasília?
    Aguardo
    Jorge

  5. Jorge Amancio comenta:

    É restrito a Brasília?
    Aguardo
    Jorge

Comente