Criptocomunistas elvis reforma agrária presley na lei ou na marra
Editado pela Thesaurus Editora de Brasília - do decano dos editores brasilienses, Victor Alegria - o livro Sementes da Memória - Os rebeldes de 68 - narra em 340 páginas a trajetória de jovens nascidos na fase democrática após 1945, os anos “dourados” que se tornaram sombrios após o golpe militar de 64 e sangrentos após o AI- 5 em dezembro de 1968. O livro foi lançado ontem (21/11), no Restaurante Carpe Diem da 104 Sul e contou com um bom número de amigos do autor que foram prestigiar o evento e que serviu para promover o reencontro de amigos regado a uma boa conversa sobre literatura e outras coisinhas mais.
O livro tem início na famosa estância hidro-balneária de Poços de Caldas, na fronteira de São Paulo com o sul de Minas. Na primeira parte da obra, através de suas reminiscências pessoais, o autor resgata a infância e as origens rurais da família, em um país que começa a se urbanizar rapidamente. Trata-se de uma cidade singular. Por ser estância turística, a cidade propicia a convivência relativamente harmoniosa de uma antiga elite esclarecida, uma classe média típica de um centro urbano de “serviços” e uma imensa descendência de imigrantes italianos. E todos eles se mesclam sazonalmente aos turistas e a um tipo especial de cidadão: migrantes dos grandes centros, e até do exterior, que escolheram viver em uma estância climática com justa fama de um clima “europeu”.
Como exemplo, o autor narra que entre seus vizinhos viviam famílias como a do professor Antonio Cândido, um casal português, um outro casal francês, uma ex-escrava ao lado de duas exiladas russas tidas como oriundas da dinastia Romanoff, uma anarquista exilada das greves operárias de São Paulo, vários merceeiros e artesãos e nada menos do que dois conventos religiosos. Enfim, uma mistura social incomum nas típicas cidades do interior mineiro e paulista.
A narrativa não foge ao padrão comum das biografias, tipo “vida, paixão e morte” dos personagens. Quase intencionalmente, procura entender como e por que jovens de classe média, em um contexto como o citado acima, transitaram de uma consciência política conservadora (famílias católicas, na sua maioria esmagadora) até se conectarem com os grandes debates políticos que permearam a crise do governo modernizador de JK até a traumática renúncia de Jânio e os conturbados anos da fase janguista. O autor chama essa primeira fase de “a cidade feliz”, que coincide com a adolescência, a chegada dos artefatos modernos como o rádio transistor, a tevê, a geladeira em um País que ensaia a modernização dentro do molde democrático, após 15 anos de getulismo.
Depois do golpe militar de 64, muitos deles radicalizam, na quase igual medida da radicalização do regime autoritário. Uma frase do autor resume parcialmente esse roteiro de vidas nos anos que ele chama de “dura transição para a modernização brasileira”: - Nós éramos filhos do Pós-Guerra, da penicilina e das utopias; enfim, os santos dos últimos dias”.
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Gostaria de comprar este livro, mas nao acho. Alguem poderia me ajudar?
Obrigada