3 de dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência
29/11/2007
Diariamente, as cerca de 24,5 milhões de pessoas com deficiência que vivem no Brasil, mais especificamente 14,5% da população, segundo o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE), enfrentam uma série de barreiras. No próximo 3 de dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, comemoram-se muitos avanços, mas ainda há muito a ser feito em relação à dificuldade de acesso a setores como trabalho, educação, cultura e a ausência da acessibilidade.
Nesse cenário, pensar em arte, cultura e lazer para pessoas com deficiência torna-se uma missão difÃcil, mas necessária. Segundo o Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência (ONU, 2001), as oportunidades de freqüentar atividades recreativas, restaurantes, praias, teatros, bibliotecas, cinemas, estádios esportivos, hotéis e outras formas de lazer devem ser para todos os cidadãos.
“Tradicionalmente, as pessoas com deficiência não têm acesso à arte, cultura e lazer no Brasil. Não existe uma grande preocupação em tornar acessÃvel esse universo para tal parcela da população, sendo que, na realidade, deveria ser justamente o contrário”, afirma Karla Osorio, diretora do Espaço Cultural Contemporâneo – ECCO, em BrasÃlia. “A arte desperta nas pessoas com deficiência uma nova visão de mundo. Elas conhecem uma sensibilidade antes nunca vista”, complementa Karla.
Considerado referência nacional em acessibilidade, o ECCO oferece todas as condições para o fácil acesso à s pessoas com deficiência: rampas, elevador, materiais e legendas em braile sobre as exposições, banheiros e telefone público acessÃveis, muletas e cadeira de rodas, e visitas guiadas, inclusive, por monitores com deficiência. “É praticamente inédito no Brasil um Espaço como o ECCO, que ofereça o pleno acesso à arte. Queremos com isso que o ECCO seja um local democrático e acessÃvel para todos os públicos e, é claro, que sirva de exemplo a ser replicado em todo o paÃs”, explica Karla. Todos os monitores do Espaço também são treinados para orientar uma pessoa com deficiência nas exposições e oferecer o suporte necessário.
O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, 3 de dezembro, foi proposto em sessão especial da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) com a finalidade principal de conscientizar e sensibilizar a sociedade e o poder público para a igualdade de oportunidades à todas as pessoas, com ou sem deficiência.
SENSIBILIDADE AFLORADA – Seja pelo desenvolvimento de outros sentidos devido à ausência de um deles, ou pelo amor ao trabalho desenvolvido, Silvânia Lucena, monitora com deficiência visual do ECCO, afirma que a sensibilidade para as artes costuma ser maior para as pessoas com deficiência. “Consigo estabelecer um contato mais próximo e Ãntimo com o mundo das artes. É uma forma diferente de sentir a arte, muito mais profunda”, conta.
Vistas durante séculos como seres humanos inválidos e inúteis para viver em sociedade, trabalhar, estudar e colaborar em algo para o progresso do mundo, somente nos últimos anos, após o esforço de diversos setores, a realidade das pessoas com deficiência começa a ser transformada. “Ainda somos muito privados do pleno acesso à arte, cultura e lazer. Além disso, existe a dificuldade da própria arquitetura das cidades, com as calçadas esburacadas e a falta de sinalização adequada”, lembra Silvânia.
Para Silvânia, a maior barreira a ser vencida ainda é a do preconceito. “Já ouvi de muita gente como podiam colocar uma pessoa com deficiência para ser monitora. As reações das pessoas quando descobrem que sou cega são as mais diversas: alegria, surpresa, espanto. O preconceito é algo que tem que ser vencido todos os dias, com paciência e força de vontade, mas vamos conseguir”, afirma, com a mesma tranqüilidade com que vence todos os dias as barreiras que lhe são impostas.
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