A Poesia do Negro Jorge Amâncio
Jorge Amâncio lançou o livro Negro Jorgen, no último dia 28 de novembro, na Biblioteca Comunitária T-Bone, na 712 Norte. Em clima descontraído, Jorge falou emocionado do seu primeiro livro publicado de poesia para os presentes, depois recebeu os cumprimentos e autografou a obra para amigos, parentes e admiradores da literatura.
Nascido às 24 horas de uma sexta-feira, 23, Jorge Amâncio é aquariano de 1953, carioca, teve uma rápida tietagem com o rio Tietê, vindo para Brasília em 1976. Licenciado em Física pela Universidade de Brasília em 1981, lecionando desde então na Fundação Educaional do DF; participante e ativista de movimentos sociais de luta contra o preconceito racial, clama por uma igualdade entre todos os seres de quaisquer vontades e sem perder o sotaque. Tem Brasília como sua cidade, seu crescimento e seu amadurecimento. Tendo sua primeira poesia publicada pelo Jornal Raça do M.N.U (Movimento Negro Unificado), no início dos anos 80s, contos e poemas - prêmio Sinpro-DF - 1985, Fala Satélite Gama, 1986, Poemas e mais alguns dilemas 1987; Coletivo de Poetas - Sindicato dos Escritores no DF - 1992/94; Grito Logo Existo revista literatura, 1982; Rádio Jornal, 2º Concurso de Poesia - 1992, Zumbi, ed. OMO AIYÊ 1995; VIII Concurso Literário Asefe - 2000 e recitais com o Coletivo de Poetas.
Relativo à raça negra, o livro mostra a indignação em relação ao preconceito existente em nosso país, que não se restringe tão somente ao negro, mas sim acaba perpassando em todas as áreas, na educação, no convívio social, na exclusão ocasionada pela miséria humana, que sensibiliza e revolta o poeta. Não apenas a carência da falta de pão, educação e cultura, mas, também, a discriminação da pele, da cor, infame e estúpida, como toda discriminação.
Segundo o poeta Menezes y Moraes, parceiro do poeta, e que faz a apresentação da obra, “o livro Negrojorgen contém em si uma porção de Poesia, esperança, solidão, liberdade e sede de justiça, para os povos do Mundo”.

Abaixo segue uma pequena mostra da poesia do livro:
PLURALISMO
A cor universal é negra
pela ausência e essência
da absorção do corpo
É delito conflito abjeto em nós
A cor ausente de luz negra
pluraliza o verbo
Colori o infinito
em perfeito vazio
em tempo espaço universo
CHIBATAS
Foi a revolta da chibata
um grito de liberdade
João Cândido e rebelados
contra as humilhações
das chibatas
Marinha escravista
século vinte de açoite
Marujos de belonaves
gritaram-se revoltos
22 de novembro de 1910
Marcham João Zumbi Cândido
conspiradores da liberdade
Heróis de uma raça
Injustiçados
de uma história má contada.
SEGREDO
Tua pele negra
quando toca minha pele negra
tatua-nos em alto relevo
tom a tom enegrece
torna-se amor
traduz a vida
Transforma todos
Enegrece todos
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acho que deveriam fazer mais poemas com grandes criticas