Que cuidados eu devo tomar se for realizar um financiamento imobiliário com um banco ou com a construtora?

capa_financas_mulheres.jpgA primeira coisa a observar é: quanto mais longo for o financiamento, maior será o montante de juros que irá pagar, porque você estará fazendo pequenas amortizações (reduções do valor que tomou emprestado, pois a maior parte da sua prestação será referente a juros).

Leia muito bem o contrato para evitar que o financiador cobre alguma coisa caso você venha a antecipar o pagamento da sua dívida ou de parte dela. Muitos contratos estipulam taxas (e não descontos) para o caso de antecipação da quitação da dívida. Mas o assunto é polêmico, principalmente na seara do Direito do Consumidor, que vai em sentido oposto a essa cobrança.

Evite ao máximo contratos que tenham seguros atrelados ao seu financiamento. Procure reduzi-los, assim como as tarifas cobradas.

Se for financiar por uma construtora, mesmo com os projetos em construção, embora seja dito que durante a fase de obras será cobrado apenas o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção, uma espécie de inflação do preço da construção), há um juro fixo embutido (e oculto) nas prestações. Isso é fácil de veer se você comparar duas tabelas para planos com prazo para prestações diferentes. Você notará que o que apresenta maior prazo tem um valor final (somadas prestações) maior. Sabendo disso, procure uma tabela com menor prazo possível e, se eles não informarem, procure saber qual o valor à vista do negócio. Com base nessa informação, procure alguém que possa calcular a taxa de juros embutida no financiamento “só com INCC”.

Peça um documento a ser anexado ao contrato, mostrando como será feito o cálculo para extrair os juros (trazer a valor presente) caso venha a liquidar o financiamento imobiliário antecipadamente.

Evite contratos que tenham taxas de juros iniciais mais baixas e que subam como o tempo. Esse tipo de contrato pode favorecer você na hora das prestações iniciais, mas irá prejudicar muito no futuro, quando as taxas subirem. Procure aqueles cuja prestação seja mais alta no começo.

Se possível, veja se consegue contratos com taxas fixas.

Avalie sempre a possibilidade de usar o saldo do seu FGTS para o abatimento do saldo devedor. Como este saldo é remunerado por uma taxa menor do que aquela que você está pagando sobre o saldo devedor, usar o FGTS para abater o valor das prestações pode ser um alívio temporário, porém com efeito menor do que se você utilizá-lo reduzindo o saldo devedor.

Do livro O que as mulheres querem saber sobre finanças pessoais, do Economista Humberto Veiga

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