Um observdor de si próprio
Não é um exercício fácil se observar, requer que nos imaginemos fora de nós, observando como agimos, como falamos, como nos relacionamos. Comecemos parando de dar desculpas por todos os nossos atos. Assumamos nossos atos, nossos gestos, nossas palavras, nossos pensamentos. Para tal é preciso deixar nossa arrogância de lado, e encontrarmos em nós a humildade.
Não mais digamos, ou pensemos: “– Não foi minha culpa!”; “– Ele bem que mereceu!”; “– Foi ele quem me provocou!”; “– Eu fui a vítima!”; e assim por diante. Podemos agora falar, e pensar, francamente: “– Foi minha culpa!”; “– Agi errado!”; “– Falei mal!”; “ – Errei por ter-me deixado inflamar!”; etc.
Somos responsáveis por nossos atos, palavras e pensamentos. Não o somos pelos atos, palavras e pensamentos alheios. Não julguemos ninguém. Pois ao julgar estamos vendo o problema sob nosso ângulo de vista, o estamos examinando através de nossa cultura, nossa parcial verdade. Assim nenhum julgamento pode ser imparcial. Não somos juízes de ninguém, nem de nós próprios. Nossa verdade não é absoluta; em um conflito, seja ele entre duas, muitas pessoas ou mesmo entre nações, cada um dos envolvidos acredita em suas razões e verdades próprias. Cada um tem seu ângulo diferenciado de observação, formado por sua cultura, religião e educação. Se em cada conflito pudéssemos nos colocar no lugar do outro, sentir como o outro se sente, ouvir e analisar suas razões com sinceridade e desapego, e se o outro fizesse o mesmo em relação a nós, já não mais viveríamos em guerra, buscaríamos soluções e concessões mútuas que satisfizessem todas as partes e encontraríamos a paz domiciliar e mundial. Este é um passo a ser dado por toda a humanidade, mas que começa dentro de cada um, com seus familiares, com seus vizinhos, com sua comunidade, e assim por diante.
O erro do outra não desculpa o nosso. A violência de outrem não valida a nossa. Se agirmos como na lei de Talião, “dente por dente, olho por olho”, ficaremos andando em círculos contínuos. A brutalidade, a dor e o medo farão para sempre parte em nossas vidas.
Paremos de reagir em conformidade com o que o outro agiu, em “reação” ao que o outro fez. Sejamos responsáveis somente por nós mesmos.
Podemos observar a nós próprios. Que fomos estúpidos com tal pessoa, que fomos mesquinhos em tal situação, que tivemos medo de agir corretamente, que fomos fracos quando era preciso ser forte, que fomos demasiadamente autoritários, que invejamos.
Não digamos: “ – Oh não, eu não sou assim!” Ainda estamos longe da perfeição, todos nós falhamos, a sabedoria consiste em reconhecer nossos erros, em saber aprender com eles. Jesus convidou os “puros” a atirarem a primeira pedra na mulher adúltera, e já não havia mais ninguém para atirar a pedra, todos sabiam de suas próprias falhas.
Não mais precisamos culpar nossos pais que nos criaram desta forma ou daquela. Nós os escolhemos como pais, pelo que eles tinham a nos oferecer de bom e de ruim. O aprendizado que eles nos proporcionaram é a lição que decidimos viver nesta encarnação. Deixemos de culpar nossos parentes, nossa vida, nossos patrões. Pois afinal somos responsáveis por nosso destino. Nós o criamos e o transformamos, inconscientemente ou não, em todos os instantes de nossa vida.(…)
Do livro De volta à casa do pai, de Ana Ventura, publicado também pela Thesaurus Editora. Trata da grande aventura da alma humana: percorrer o caminho desde a individualidade até o encontro com nossa Divindade interior. Esta é nossa jornada de volta à casa do Pai; desde nossa descida sobre este lindo planeta azul, desde nosso milenar esquecimento de nossa filiação Divina, até este profundo e comovente despertar para a Luz que nos habita.
Neste caminho descobri que não podemos renegar parte alguma do que somos, só nos resta compreender, e aprender com cada uma delas. É assim que incansavelmente investigamos nossas emoções, nossos desejos, nossas razões, nossos padrões, nossa espiritualidade. É através desta compreensão, e mais do que isto, de “viver” este caminho de transformação, que nos tornamos cada vez mais plenos e capazes de encontrar a verdadeira felicidade.
A que está o convite deste livro: viver esta jornada, encontrar a essência de nosso Ser, e a plenitude em nosso viver, em cada dia de nossas vidas.
Sobre a autora – Ana Ventura nasceu no Rio de Janeiro, e formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em 1985. Reside em Brasília desde 1993, mas foi no ano de 1998 que iniciou nesta cidade seus estudos na Universidade Holística Internacional de Brasília UNIPAZ-DF, vivendo uma jornada de auto-descoberta. Neste período descobriu uma aptidão latente, a de escrever: desde então dedica-se ao estudo da espiritualidade holística, e escreve poemas, textos onde conta sua trajetória interior de cura.
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