Bolsa (de Valores) à moda feminina

Apesar da visão de “gastadeiras”, mulheres ainda são muito conservadoras na hora de aplicar seu dinheiro em ações Mirella Falcão
A participação das mulheres no mercado de bolsa de valores mais que dobrou nos últimos anos. De 15 mil em 2002, passou para 68 mil no ano passado. O crescente interesse pelo mercado de ações, tem motivado algumas empresas cujo público-alvo é feminino, como Natura e Marisa, a abrirem recentemente o capital para investimentos. No entanto, a atuação feminina entre os investidores pessoa física representa apenas 22%. Apesar da fama de “gastadeiras”, segundo especialistas, as mulheres ainda são muito conservadoras na hora de aplicar o dinheiro. Uma pesquisa realizada pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) aponta que o hábito é maior entre as mais jovens. Enquanto na faixa etária entre 28 e 44 anos, o percentual de investidoras é 63%. Entre o público feminino com mais de 45 anos é 61%.”A minha mãe tem um certo medo de investir. Acho que como a geração dela viveu uma época em que a economia era mais instável, ela não se sente tão segura em fazer aplicações. O exemplo de casa veio da minha irmã que me ensinou a comprar ações”, conta a nutricionista Marina Petribu, 24 anos. Desde que entrou no mercado de trabalho, ela destina parte do dinheiro para investimentos. “Não gosto da idéia de gastar tudo o que ganho. Então sempre separo uma parte. Procuro sempre atingir uma cota fixa mensal”, conta. Começou com uma poupança, depois passou para um investimento de renda fixa e no ano passado, comprou ações da Petrobras. “Já tenho um rendimento de 70% de tudo o que apliquei. Depois das descobertas de novos poços de gás, as minhas ações valorizaram muito”, conta.A atual crise no mercado financeiro provocada pela ameaça de recessão econômica nos Estados Unidos, gerando queda em bolsas de valores do mundo inteiro superiores a 6%, não assusta a nutricionista. Inclusive, ela está se preparando para comprar mais ações. “Essas quedas na bolsa me deixavam com medo de investir antes, mas se você saber escolher a empresa que vai comprar e não esperar um retorno tão rápido, dificilmente terá prejuízo. As pessoas perdem dinheiro porque querem vender logo as ações”, explica ela.

A desinformação faz com que muitas não encarrem o mercado de ações, segundo Humberto Veiga, autor do livro “O que as mulheres querem saber sobre finanças pessoais”. “Muita gente acha que a poupança é o investimento mais seguro. Não é. A caderneta de poupança mantida pelos bancos privados não é garantida pelo governo, mas pelo Fundo Garantidor de Créditos. E só para montantes até R$ 60 mil. Acima deste valor, se o banco quebrar, não há garantia alguma que você receba a diferença de volta”, alerta.

“Os investimentos em renda fixa também não são tão ‘fixos’ como se imagina”, conta Veiga, que é doutor em Economia pela Universidade de Brasília. No livro, Veiga tira dúvidas sobre investimentos diversos, apontando as vantagens e desvantagens de cada um. “Tenho percebido um crescente interesse das mulheres pelo tema”, completa. Pesquisa da Bovespa diz que as mulheres são mais adeptas da leitura sobre o mercado financeiro que os homens:74% lêem livros sobre o assunto, contra 57% deles. Esse estudo que foi realizado em 2003, motivou a Bovespa a criar uma área dentro do seu site especialmente para elas, o Mulheres em ação. No link, diversas orientações e dicas para encontrar o investimento mais adequado ao perfil de poupadora. O endereço é www.bovespa.com.br.

Como investir na bolsa?1º Passo: Abra a conta em uma corretora

Normalmente, as corretoras não cobram nenhuma tarifa de manutenção de contas (algumas cobram taxa de custódia, que é uma manutenção mensal se você tiver ações). Para isto, você pode ir pessoalmente a uma corretora (é o mais trabalhoso), falar com o gerente do seu banco para utilizar a corretora da sua instituição (opção mais cara) e acessar a página da Bolsa de Valores de São Paulo (www.bovespa.com.br) que lista uma série de corretoras autorizadas (chamados de home broker) - normalmente esta é a de menor custo.

2º Passo: Decida quanto irá investir

É preciso ter em mente qual o percentual daquilo que está disposta a poupar irá para as aplicações em ações. Há uma regra de bolso, considerando que tenha uma boa capacidade de lidar com perdas, que você limite sua aplicação à diferença da sua idade para 100. Suponha que tenha 30 anos, o máximo que você deve alocar em renda variável é 70% das suas aplicações.

3º Passo: Escolha as empresas que irá comprar

Esta é a parte mais demorada da aplicação, porque são necessárias muitas informações para que você possa escolher com segurança aquelas empresas nas quais pretende colocar o seu dinheiro. Uma boa maneira de começar a estudar o assunto é procurar as indicações e análises que as corretoras divulgam em suas páginas da internet.

4º Passo:
Dê a ordem de compra para a corretora

Em linhas gerais, você deve determinar a ação e a quantidade dessas ações que irá adquirir. Você pode estabelecer o preço máximo que está interessada em pagar, ou dizer que comprará pelo menor preço que os possíveis vendedores estiverem oferecendo naquele momento. Na transação é necessário informar o código da ação (no site da Bovespa é possível consultar os códigos das empresas negociadas na bolsa).

5º Passo:
Acompanhe suas ações

Quando você adquire ações de uma empresa, você vira sócia dela. Então, é muito importante acompanhar o desenvolvimento do seu rico dinheirinho. Existe um fundo de investimentos chamado Papéis de Índice Brasil Bovespa (PIBB), que acompanha a variação média do preço das 50 empresas mais negociadas na Bolsa. O PIBB é uma forma de diversificar, pois as empresas que vão ficando menos atrativas para os investidores saem automaticamente da carteira. Dessa forma, você terá seu investimento atualizado sem precisar se preocupar em comprar e vender ações específicas.

Fonte: Humberto Veiga, do livro “O que as mulheres querem saber sobre finanças pessoais?“.

Publicado em 10/02/2008 no Diário de Pernambuco.

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