A nova ordem mundial

Amazônia a grande cobiça internacionalNo início da História, os povos que desenvolveram a agricultura dominaram os coletores e caçadores. Alvin Tofler, com propriedade, chamou o desenvolvimento agrícola de “Primeira Onda”, que durou seis mil anos. Isto ainda se processa nos dias de hoje, por exemplo, entre os fazendeiros e os índios, quando não acontece interferência externa. A “Segunda Onda” seria o desenvolvimento industrial, e como a História comprova, os industrializados dominaram aos agrícolas os quais só tiveram chance quando os primeiros se engalfinharam, quase sempre disputando os mercados e matérias-primas. O mundo ainda está em plena vigência desta fase, que iniciou a mais de duzentos anos. Uma “Terceira Onda” baseada na informatização, já se anuncia, e ameaça tornar inútil a mão de obra barata dos povos do Terceiro Mundo.
Nos últimos anos, as alterações do panorama mundial foram tão rápidas, marcantes e inesperadas que surpreenderam os principais analistas da política internacional.

Quanto nos idos de 1949, a então União Soviética explodiu sua primeira bomba atômica tornando-se um adversário a altura dos Estados Unidos, a impossibilidade de conviverem dois “impérios romanos” levou o mundo a beira da confrontação nuclear. Depois de quatro décadas de guerra fria, a bipolaridade foi desfeita com a retirada dos soviéticos, sem ter havido o holocausto nuclear, temido por ambos e que por isto mesmo assegurou a paz.

Esta última transformação, que significou o fim da ameaça de um conflito de proporções globais, aumentou a intensidade dos temas de ordem econômica, com o fator militar atuando principalmente como elemento de persuasão ou de dissuasão. Antes havia um mundo bipolar em termos político-militares, agora um mundo unipolar em termos militares, uma exacerbação dos nacionalismos étnicos/religiosos e uma tendência para a solidificação dos regionalismos econômicos.

Analisando a conjuntura mundial os autores caracterizam a perspectiva de formação de três grandes blocos de poder: América do Norte, Europa Ocidental e espaço asiático englobando o Japão. Observe-se que os analistas não se comprometem em colocar o Japão como líder do grupamento asiático, que por sinal, ninguém sabe como ficará depois da crise do final do século. Deve-se levar em conta ainda o poder russo remanescente do soviético e os esboços de blocos islâmicos e latino-americano. A tendência de aglutinação de nações em blocos regionais é quase uma volta às Pan Regiões de Haushoffer com outros nomes e algumas peças novas no tabuleiro. É uma tendência conduzida por estados nacionais de forma a defender suas economias e coletivamente adquirir maior capacidade de satisfazer suas aspirações e ampliar seus mercados.

Ao assinalarem a formação desses blocos, as análises indicam que entre eles não há indícios imediatos de confronto que possam degenerar em conflito aramado, o que só em hipótese remota poderá, numa evolução improvável, acontecer entre os Estados Unidos e o Japão.

Não havendo expectativa de conflito aramado entre os grandes grupos a curto ou em médio prazo, os conflitos menores envolvendo questões de soberania, raça, religião e fronteiras, aumentarão em ritmo crescente nos primeiros tempos podendo por vezes envolver armas e engenhos da mais alta periculosidade, desenvolvidos por conta própria ou disponíveis para compra. Através de contrabando de armas, de difícil controle, o terrorismo torna-se capaz de ameaças paralisantes sobre a ação de governos e o tráfico de drogas envolve esquemas internacionais ameaçadores quer por seu poder de corrupção quer por intimidação de autoridades e populações, e principalmente crescem as possibilidades de imposição, por parte da potência hegemônica – os Estados Unidos, de seus interesses a “manu militari”. Algumas destas possibilidades podem configurar ameaças para o nosso País, o que nos obriga a rever as velhas Hipóteses de Guerra.




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