IMPRENSA NACIONAL COMEMORA 200 ANOS
A Imprensa Nacional, que o príncipe regente D. João criou com o nome de Impressão Régia, no dia de seu aniversário, 13 de maio de 1808, prepara-se para comemorar à altura o seu bicentenário. Uma extensa programação está marcada para todo este ano, como, por exemplo, ciclo de conferências sobre a mídia e um inédito, no país, ciclo de cinema: “O Jornalismo visto pelo Cinema”. Constam ainda, entre muitos outros eventos, lançamento de selo pelos Correios e de moeda comemorativa por parte do Banco Central.
Grandes motivos para a celebração não faltam. Afinal, foi a Impressão Régia que estabeleceu a imprensa brasileira no país, em 13 de maio de 1808, com a publicação de atos administrativos e o primeiro livro impresso no Brasil: “Relações dos Despachos Publicados na Corte”. Foi a primeira casa publicadora do Brasil – por exemplo: entre 1808 e 1822 saíram dos seus prelos nada menos que 1154 obras; fez nascer em 10 de setembro de 1808 o primeiro jornal impresso no Brasil: a “Gazeta do Rio de Janeiro” — ou seja o jornalismo feito no Brasil nasceu nas oficinas da Impressão Régia, hoje Imprensa Nacional.
A indústria gráfica nasceu também com a Impressão Régia e também a propaganda, tanto isso é verdade que neste ano ela comemora também 200 anos, por causa de anúncio publicado no segundo número da “Gazeta do Rio de Janeiro”, em 17 de setembro de 1808, sobre a venda de um imóvel, o primeiro publicado no país.
Como se não bastasse esse rol de fatos, há ainda, entre outros, a comemoração dos 200 anos das artes gráficas. O Museu da Imprensa, na Imprensa Nacional, tem no seu rico acervo de extraordinárias peças, como, por exemplo, o primeiro clichê produzido no País com a planta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro – hoje Rio de Janeiro (1808-1812) e o prelo no qual trabalhou Machado de Assis.
O primeiro jornalista contratado no Brasil, ou seja, com carteira-assinada, Manuel Ferreira de Araújo, o foi pela “Gazeta do Rio de Janeiro”, onde desempenhou a função de editor; ao mesmo tempo, assumiu este papel em outra publicação da Impressão Régia, “O Patriota”, o primeiro jornal literário e mercantil do Brasil.
EVENTOS COMEMORATIVOS — Diante da importância da agenda, o diretor-geral da Imprensa Nacional Fernando Tolentino de Sousa Vieira instituiu, pela Portaria nº 100, no dia 30 de abril de 2007, a Comissão Interna do Bicentenário da Impressão Régia (Imprensa Nacional), para cuidar do planejamento, coordenação e execução das ações referentes à data do 200º aniversário do órgão.
Um elenco de grandes ações está programado para este ano. A Comissão tratará também do 200º aniversário de criação da Gazeta do Rio de Janeiro (10 de setembro de 2008), o primeiro jornal impresso no País, e do 100º aniversário da morte do escritor Machado de Assis (29 de setembro de 2008), que foi servidor do órgão e é patrono da Imprensa Nacional, por Decreto do Presidente da República de 13 de janeiro de 1997. Afinal, é necessário que a Nação saiba da importância desse órgão — gerador e indutor de civilização –, criado pelo príncipe regente D. João (futuro D. João VI), que além de publicar os atos oficiais do Estado brasileiro (desde 1808 até hoje), atuou como grande casa editora até o ano 2000.
A programação se inicia em março (dia 8, Dia Internacional da Mulher) com a palestra “A Mulher no Serviço Público”. Vale lembrar que a primeira servidora pública do país foi Joana França Stockmeyer, que ingressou nos quadros da Imprensa Nacional em 1892.
Na semana de 12 a 16 de maio, a Imprensa Nacional receberá um busto de D. João VI, doado pelo Instituto Camões. Os Dragões da Independência, que também completarão, em 13 de maio, 200 anos, vão se apresentar nos jardins da Imprensa Nacional. E haverá sessões solenes na Câmara Legislativa do Distrito Federal e na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro e Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. No dia 16, haverá o lançamento, pelos Correios, do selo dos 200 anos da Imprensa Nacional, e de moeda comemorativa por parte do Banco Central.
Antes, em março, inicia-se a edição 2008 do ciclo de conferências “A Imprensa discute a Imprensa”, que vai se estender até novembro, reunindo os maiores nomes do jornalismo e da história do país e do Exterior. De 25 a 29 de agosto, a Imprensa Nacional sediará um ciclo inédito de cinema, chamado “O Jornalismo visto pelo Cinema”, mostra que vai expor alguns arquétipos e estereótipos jornalísticos difundidos pela sétima arte.
HISTÓRIA DA IMPRENSA NACIONAL
A Imprensa Nacional nasceu por decreto do príncipe regente D. João, em 13 de maio de 1808, com o nome de Impressão Régia. Recebeu, no decorrer dos anos, outros nomes: Real Officina Typographica, Tipographia Nacional, Tipographia Imperial, lmprensa Nacional, Departamento de Imprensa Nacional, e, novamente, Imprensa Nacional – vinculada hoje à Casa Civil da Presidência da República.
A partir de dois rudimentares prelos e 28 caixas de tipos - que vieram de Portugal a bordo da nau Medusa, integrante da frota que trouxe a Família Real Portuguesa e, acompanhados no porão do navio pelo Conde da Barca -, a Imprensa Nacional orgulhosamente ostenta uma singular história de serviços ao país – tanto em sua missão de registrar diariamente a vida administrativa do Brasil, pelos Diários Oficiais – como órgão de substantiva importância no plano cultural.
A história dos 200 anos dessa instituição pública, uma das mais antigas do País, confunde-se com a História do Brasil e pontua o desenvolvimento da informação e da cultura do país. Foi a Imprensa Nacional que fez surgir a imprensa no Brasil, em 13 de maio de 1808, e o primeiro jornal impresso no país – a “Gazeta do Rio de Janeiro” –, em 10 de setembro de 1808, e, além disso, teve sólida presença como casa editora até o ano 2000. Ou seja, sua criação é, inquestionavelmente, um dos mais belos legados da transferência da Corte Portuguesa para o Brasil, uma herança que sempre se traduziu em bons e imprescindíveis serviços à sociedade, à nação.
Trabalha 24 horas por dia para cumprir com excelência o seu grande objetivo: assegurar com efetividade a publicação e a divulgação dos atos oficiais da administração pública federal por meio do “Diário Oficial” e do “Diário da Justiça”.
Pioneirismos
Com os dois primeiros prelos e 28 caixas de tipos – que, à época, o “Correio Braziliense” informou terem custado cem libras esterlinas - foram iniciados os trabalhos de impressão oficial no Brasil. Eles imprimiram as primeiras leis, alvarás, cartas régias, além de congratulações, odes, atos episcopais, orações e compêndios literários.
A Imprensa Nacional foi também pioneira na área editorial. O primeiro impresso que saiu de um dos seus prelos foi um livreto de 27 páginas, exatamente no dia de sua criação: 13 de maio de 1808 – data de aniversário de D. João. O título do livro é “Relação dos Despachos Publicados na Corte pelo Expediente da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, no Faustíssimo Dia dos Anos de S. A. R. o Príncipe Regente N.S.”
Deste in-fólio de caráter oficial, saltava-se, por ordem de Sua Alteza Real, para uma obra acadêmica, chamada “Reflexões sobre Alguns dos Meios Propostos para o Mais Conducente para Melhorar o Clima da Cidade do Rio de Janeiro” (a ser reeditado proximamente pela Comissão do Bicentenário da Chegada da Família Real de Portugal no Brasil) que é considerado o livro mais antigo publicado no Brasil. Ano: 1808.
Depois, sempre pioneira, editava em 1811 o famoso “Uraguay”, de José Basílio da Gama, preso e exilado na África por ser jesuíta. Havia – como ao longo desses 200 anos – grande vitalidade produtiva em sua redação e oficinas. Uma belíssima prova disso: entre 1808 e 1822, saíram das impressoras da Impressão Régia nada menos que 1154 impressos, dos quais várias obras científicas e literárias de grande valor. Entre elas, destacam-se, por exemplo, “Elementos de Geometria e o Tratado de Trigonometria”, de Legendre, “Ensaio sobre a Crítica” e “Ensaios Morais”, de Pope, “Marília de Dirceu”, do inconfidente mineiro Thomaz Antonio Gonzaga, e as “Obras de Virgílio”.
Na infância da imprensa brasileira, que se estendeu até a Proclamação da Independência, surgiram a Imprensa Nacional (que a fez nascer) e doze oficinas tipográficas em várias províncias. É inequívoca – sobretudo em decorrência dos estudos históricos mais recentes – a plural importância da Impressão Régia, que além de criar a imprensa em nossas terras difundiu a cultura, o que resultou em promoção da civilização brasileira pela circulação de idéias. Também foi partícipe da criação do Estado brasileiro.
Empreendeu esforços tecnológicos inéditos - o que ao longo dos cem anos vindouros viria a se tornar um dos pontos altos de sua história de pioneirismos. Por exemplo, em 1809, os seus técnicos construíram (em madeira) o primeiro prelo da América do Sul e, em 1811, foi instalada a primeira fábrica de tipos. Foi este órgão que, além de instalar a primeira rotativa no País, em 1902, fez funcionar as primeiras linotipos e monotipos. A gravação e a estereotipia, por sua vez, desenvolveram-se em suas oficinas. E, assim, a Imprensa Nacional ia alavancando o seu desenvolvimento, sua história.
Atos oficiais
A missão fundamental (assim como é hoje ainda com a Imprensa Nacional) da Impressão Régia era publicar os atos oficiais do Governo — que se instalou no Rio de Janeiro em 7 de março de 1808.
Em 10 de setembro daquele ano saía de suas oficinas o primeiro jornal impresso no Brasil, o “Gazeta do Rio de Janeiro”, que divulgava atos e diplomas legais, matérias locais e das províncias e até notícias originárias do exterior. Até 30 de setembro de 1862, os atos oficiais foram publicados em vários outros veículos impressos - até como matéria paga. Foi quando, em 1º de outubro de 1862, o Governo resolveu, durante o 18º Gabinete do 2º Reinado, sob a presidência (Conselho de Ministros) de Pedro de Araújo Lima, Marquês de Olinda, editar o Diário Oficial, que nunca mais deixou de ser publicado.
Sedes
O Presidente Juscelino Kubitschek quis que o Diário Oficial publicasse os primeiros atos da nova capital do País e para isso não mediu esforços. Juscelino Kubitschek trouxe do Rio, às pressas, 50 servidores públicos da Imprensa Nacional que, trabalhando dia e noite e em meio ao barro vermelho do Planalto Central, rodaram, de forma heróica, o Diário Oficial, com os primeiros atos de Brasília. Uma curiosidade: o Setor de Indústrias Gráficas foi criado por causa da Imprensa Nacional. O Diário Oficial e o Diário da Justiça são rodados, assim, em Brasília desde a inauguração da Capital, em 21 de abril de 1960.
A Imprensa Nacional, então Impressão Régia, foi inaugurada no pavimento térreo da casa nº 44, na Rua do Passeio, no Rio de Janeiro, na residência do Conde da Barca.
Essa foi a primeira sede. Mais tarde, a Impressão Régia foi transferida para a Rua dos Barbonos, atualmente Evaristo da Veiga, esquina da Rua das Marrecas. Dali, voltou para a Rua do Passeio, em 1809. Depois foi transferida para a Academia de Belas Artes e, a seguir, para o prédio da Cadeia Velha. Em 26 de agosto de 1874, o ministro da Fazenda, Visconde do Rio Branco, iniciou a obra do edifício que abrigou a nova sede da Imprensa Nacional, localizada na Rua 13 de maio, à época chamada Rua da Guarda Velha (hoje Rua 13 de maio). Funcionou ali até 1940.
Em 15 de setembro de 1911, um grande incêndio destruiu a maior parte das instalações da Imprensa Nacional. O fogo varreu arquivos de documentos, publicações raras e o preciosíssimo acervo de sua biblioteca. Apesar do acidente, a sede continuou no mesmo endereço até 27 de dezembro de 1940, quando um novo prédio, inaugurado pelo Presidente Getúlio Vargas, abrigou, na Avenida Rodrigues Alves, as atividades do órgão. Foi a última sede no Rio de Janeiro. Hoje funciona ali a sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro e a representação dos servidores aposentados da Imprensa Nacional.
Vanguarda
A Imprensa Nacional, vale repetir, participou ativamente do progresso e da vida intelectual do País, ao dar luz à imprensa periódica. Papel igualmente relevante teve no desenvolvimento das artes gráficas. A produção de selos e estampilhas foi, durante muito tempo, produto exclusivo do pioneirismo da Imprensa Nacional, feito pela contribuição apaixonada de mestres e artesãos trazidos de outros países, especialmente da Inglaterra.
É motivo de orgulho lembrar que foi a Imprensa Nacional que fez o primeiro clichê do Brasil. Após criar o Real Arquivo Militar, da Academia Militar e da Marinha, D. João VI pediu ao gravador Paulo dos Santos Ferreira Souto a confecção do clichê, em cobre, da planta da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. O ano: 1808. O Real Arquivo Militar precisou de quatro anos para produzi-lo, mas em 1812 a Imprensa Nacional fez a primeira impressão com ele.
O clichê da planta do Rio de Janeiro é uma das várias raridades do Museu da Imprensa, localizado nos jardins da Imprensa Nacional, em Brasília. O acervo do Museu possui mais de 500 peças e documentos, cuidadosamente preservados num prédio de 680 metros quadrados. Nos seus jardins, está a herma com os restos mortais de Hipólito José da Costa, o Patrono da Imprensa Brasileira. O museu, considerado um dos mais importantes do mundo, recebe anualmente 10 mil visitantes. (Texto de José Bernardes)
Criado pela Comissão Comemorativa do Bicentenário da IMPRENSA NACIONAL
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Rica programação celebra 200 anos da Imprensa Nacional
Uma exposição neste sábado, no Parque da Cidade abre a programação do aniversário de 200 anos da Imprensa Nacional que estende-se durante a próxima semana com lançamento de livros e selo comemorativo dos Correios, conferências, inauguração de uma praça com o busto de Dom João VI, ato ecumênico, extração da Loteria Federal e sessões solenes das Assembléias Legislativas do Distrito Federal e do Rio de Janeiro.
A partir das 15h da segunda-feira, dia 12, o tom cultural fica por conta da conferência “Imprensa Nacional: Independência intelectual do Brasil”, proferida pelo professor emérito da Universidade de Brasília e da Universidade de Erlangen-Nuremberg, Alemanha, Vamireh Chacon; das palestras e lançamentos dos livros das seguintes autoras: Rosa Nepomuceno, “O Jardim de D. João”; Renata Santos, “A Imagem Gravada; Francisca Azevedo, “Carlota Joaquina, Cartas Inéditas”.
Na mesma tarde, o editor Victor Alegria, da Thesaurus Editora, relança o livro “Conde de Linhares”, publicado originalmente em 1908, pelo Conde de Funchal, e faz o pré-lançamento da primeira edição (fac-similar) de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Na sessão de autógrafos, o servidor da Casa, Jalmir Freitas, junta-se aos demais escritores para também autografar seu livro “Imprensa Nacional, da linotipia à era digital”.
Na manhã de terça-feira, 13, dia do aniversário da Imprensa Nacional, a banda dos Dragões da Independência, outro aniversariante do dia, apresenta-se durante o hasteamento das bandeiras Portugal, Brasil e Imprensa Nacional, com a presença do Embaixador português. Em seguida, será inaugurada a praça Impressão Régia, com o busto de Dom João VI. O busto é uma doação da Embaixada de Portugal e do Instituto Camões, que nesse dia funcionará na Imprensa Nacional, com a abertura da exposição “A Arte do Azulejo em Portugal”.
Ainda pela manhã acontece o lançamento, pelos Correios e Telegráfos, do selo comemorativo dos 200 anos, parte da série lançada pela ECT em homenagem à chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil. O dia encerra-se com a celebração do Te Deum em homenagem ao bicentenário da Imprensa Nacional e dos Dragões da Independência, às 18h, na Catedral Metropolitana de Brasília.
Na quarta-feira, 14, ocorre a extração 4242-0, da Loteria Federal, com imagens históricas da Imprensa Nacional. Na quinta, 15, um ato ecumênico reúne servidores e convidados no auditório Dom João VI. No mesmo local, na sexta-feira a Assembléia Legislativa do Distrito Federal realiza uma sessão solene em homenagem à Casa. Na semana seguinte, dia 20, a Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro também homenageia a Imprensa Nacional com uma sessão solene.