Luís Turiba agora na Revista Nós Fora dos Eixos


31/03/2008

O poeta e jornalista Luís Turiba estréia na Revista Nós Fora dos Eixos, com a coluna Bric-à-Brac.

Publicando uma série de reportagens , intituladas “Os herdeiros de JK”. Na 1ª da Série vem: “De Diamantina a Calango Alado”, que ora segue abaixo.

JK sacou, apostou e bancou todas as suas cartas na construção da alma e da armadura física do homem brasileiro, um ser cordato e negociador, inventivo e empreendedor, desconcertante diante da lógica cartesiana do capitalismo. Tudo isso muito antes da construção de Brasília e suas curvas, sua obra-síntese e prima-filha-irmã.

JK percebeu a importância do brasileirismo na Semana de Arte Moderna de 22 e tratou de convidar os modernistas de São Paulo para visitar a provinciana e retrógrada Belo Horizonte da década de 40. Quem organizou a Primeira Exposição de Arte Moderna em Belô foi o próprio prefeito Juscelino. Ele adorava, além de boemia, uma boa polêmica. A exposição causou uma grande celeuma na sociedade mineira da época. Teve até o caso de uma tentativa de esquartejamento de um quadro. Esta peça (simbolissíssima, por sinal) pertence hoje à neta de JK, Anna Cristina Kubitschek. É um quadro que tem uma importância cirúrgica para a cultura brasileira.

Foi nesse embalo cultural e estético, porém, que o prefeito JK reuniu uma turma da pesada - entre os quais Portinari, Di Cavalcanti, oscar Niemeyer, Capanema - e construiu às margens da lagoa o moderno Conjunto da Pampulha. Obra mais uma vez polêmica, chegou a ser excomungada pela igreija mineira.

Pampulha foi uma espécie de ensaio geral para a futura construção de Brasília, cuja história vem sendo contada em verso e prosa. O importante hoje é jogar luzes na linha evolutiva da cultura brasileira - da Semana de 22 ao século XXI.

Aqui, ali e alhures a alminha brasileiríssima cai do céu, ganha vida e sai dançando por aí. “Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja.”

Junto com Brasília nasceu a Bossa Nova, o Cinema Novo, a indústria de automóveis, a dívida externa, os dribles de Garrincha, as jogadas de Pelé, a Copa do Mundo é Nossa, a Poesia Concreta, o Cinema Novo e certo jeito ($) de ser do homem brasilis, que hoje nos envergonha perante o mundo.

Agora, que estamos nos apro0ximando do cinquentenário da cidade metassíntese, olhamos em torno eo começamos a sentir o pulsar dos reais herdeiros de JK. É disso que desejo tratar aqui.

Mês passado, po0r exemplo, fui ao município de Olhos d´Água, Alexânia, Goiás, uma espécie de Búzios do Cerrado, localizada a 100 quilômetros de Brasília.

E, plena 68ª Feira do Troca se apresentava no palco da praça o grupo “Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro” e ali fiquei, hipnotizado, fotografando, curtindo aquele maracatu ijexá.

O grupo existe há três anos e vem fazendo história na cidade. Ele faz parte da segunda geração de artistas de Brasília - a primeira é aquela que fez os Concertos Cabeça, Renato Russo e Mato, a Bric-à-Brac, Ari Pararraio, Nicolas Behr, Hugo Rodas, etc.

Esse Fuá nos enche os olhos de alegria. São herdeiros, de sangue e alma da proposta de JK. Representam o Brasil, seus encantamentos. Mesclam tradições, fé e magia, uma coisa meio parecida com a lógica harmonial de Ariano Suassuna com o maracatu caboclinhos da zona rural de Pernambuco.

Foi o publicitário Tico Magalhães, 31 anos, quem criou o “Mito do Calango Alado” que o grupo representa ao som de uma empolgada banda de maracatu, com uma graciosa polonesa que faz o contraponto sonoro com seu violino mágico. Uma beleza, esses herdeiros de JK. Olho neles.

2 comentários para “Luís Turiba agora na Revista Nós Fora dos Eixos”

  1. Jessica Pereira Silveira comenta:

    Ola, gostaria gentilmente se vocêis integrantes da revista não teriam alguma reportagem arquivada sobre Barueri mais específicamente o bairro jardim Paulista.
    desde ja meus agradecimento: Jessica Pereira Silveira.

  2. maristela bairros comenta:

    Amigos.Preciso contatar com Turiba. Tenho fotos dele de suas andanças em Porto Alegre, junto com Gil, na época em que eu era coordenadora de comunicação da secretaria da cultura.
    Se puderem me colocar em contato com ele, aí estão meu blog e meu mail.
    abraços
    maristela

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