Luís Turiba agora na Revista Nós Fora dos Eixos
O poeta e jornalista Luís Turiba estréia na Revista Nós Fora dos Eixos, com a coluna Bric-à-Brac.
Publicando uma série de reportagens , intituladas “Os herdeiros de JK”. Na 1ª da Série vem: “De Diamantina a Calango Alado”, que ora segue abaixo.
JK sacou, apostou e bancou todas as suas cartas na construção da alma e da armadura física do homem brasileiro, um ser cordato e negociador, inventivo e empreendedor, desconcertante diante da lógica cartesiana do capitalismo. Tudo isso muito antes da construção de Brasília e suas curvas, sua obra-síntese e prima-filha-irmã.
JK percebeu a importância do brasileirismo na Semana de Arte Moderna de 22 e tratou de convidar os modernistas de São Paulo para visitar a provinciana e retrógrada Belo Horizonte da década de 40. Quem organizou a Primeira Exposição de Arte Moderna em Belô foi o próprio prefeito Juscelino. Ele adorava, além de boemia, uma boa polêmica. A exposição causou uma grande celeuma na sociedade mineira da época. Teve até o caso de uma tentativa de esquartejamento de um quadro. Esta peça (simbolissíssima, por sinal) pertence hoje à neta de JK, Anna Cristina Kubitschek. É um quadro que tem uma importância cirúrgica para a cultura brasileira.
Foi nesse embalo cultural e estético, porém, que o prefeito JK reuniu uma turma da pesada – entre os quais Portinari, Di Cavalcanti, oscar Niemeyer, Capanema – e construiu às margens da lagoa o moderno Conjunto da Pampulha. Obra mais uma vez polêmica, chegou a ser excomungada pela igreija mineira.
Pampulha foi uma espécie de ensaio geral para a futura construção de Brasília, cuja história vem sendo contada em verso e prosa. O importante hoje é jogar luzes na linha evolutiva da cultura brasileira – da Semana de 22 ao século XXI.
Aqui, ali e alhures a alminha brasileiríssima cai do céu, ganha vida e sai dançando por aí. “Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja.”
Junto com Brasília nasceu a Bossa Nova, o Cinema Novo, a indústria de automóveis, a dívida externa, os dribles de Garrincha, as jogadas de Pelé, a Copa do Mundo é Nossa, a Poesia Concreta, o Cinema Novo e certo jeito ($) de ser do homem brasilis, que hoje nos envergonha perante o mundo.
Agora, que estamos nos apro0ximando do cinquentenário da cidade metassíntese, olhamos em torno eo começamos a sentir o pulsar dos reais herdeiros de JK. É disso que desejo tratar aqui.
Mês passado, po0r exemplo, fui ao município de Olhos d´Água, Alexânia, Goiás, uma espécie de Búzios do Cerrado, localizada a 100 quilômetros de Brasília.
E, plena 68ª Feira do Troca se apresentava no palco da praça o grupo “Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro” e ali fiquei, hipnotizado, fotografando, curtindo aquele maracatu ijexá.
O grupo existe há três anos e vem fazendo história na cidade. Ele faz parte da segunda geração de artistas de Brasília – a primeira é aquela que fez os Concertos Cabeça, Renato Russo e Mato, a Bric-à-Brac, Ari Pararraio, Nicolas Behr, Hugo Rodas, etc.
Esse Fuá nos enche os olhos de alegria. São herdeiros, de sangue e alma da proposta de JK. Representam o Brasil, seus encantamentos. Mesclam tradições, fé e magia, uma coisa meio parecida com a lógica harmonial de Ariano Suassuna com o maracatu caboclinhos da zona rural de Pernambuco.
Foi o publicitário Tico Magalhães, 31 anos, quem criou o “Mito do Calango Alado” que o grupo representa ao som de uma empolgada banda de maracatu, com uma graciosa polonesa que faz o contraponto sonoro com seu violino mágico. Uma beleza, esses herdeiros de JK. Olho neles.
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Ola, gostaria gentilmente se vocêis integrantes da revista não teriam alguma reportagem arquivada sobre Barueri mais específicamente o bairro jardim Paulista.
desde ja meus agradecimento: Jessica Pereira Silveira.