O grande reconstrutor Hades-Plutão
Por Magali Suchy* especialmente para a Revista Nós Fora dos Eixos
Como ontem se comemorou a Páscoa da Ressurreição, não posso deixar de lembrar, como astróloga que sou, do deus interno que preside todos os processos relacionados ao INCONSCIENTE__PLUTÃO (para os romanos) ou Hades (para os gregos). É este deus, muito bem simbolizado por um pequeno mas misterioso planeta, Plutão, só descoberto nos céus por volta de 1930,que emite para nós terráqueos seus raios de energia na cor roxo cardeal, e que nos leva a experimentar e vivenciar o mais temido de todos os enfrentamentos: a Morte. Mas o contato com Ele não é tão terrível, desde que estejamos preparados para ver esta experiência como uma prova, das mais convincentes porque a vivenciamos todos os dias, de que neste mundo nada é permanente, portanto o próprio movimento do ir e vir das nossas descobertas e desilusões nos fazem sentir no fundo de nossas almas, milhares de vezes, o que é morrer.
Pensando assim, decidi fazer uso da companhia sempre amiga da minha intuição pisciana e visitar, ainda que como observadora (pelo menos é o que espero) o reino de Plutão, Aquele que tal qual uma Fênix, desconstrói para em seguida reconstruir tudo, aliás a única maneira de se chegar á luz, rasgando essa grossa camada de energia condensada que a tudo deturpa.mas que também nos protege, pelos menos assim pensamos, contra os impactos desse mundo materializado.
Considerando, portanto, esse preâmbulo, convido a todos vocês para uma incursão virtual ao sombrio, mas riquíssimo REINO DE HADES, na verdade o sub-consciente, o inconsciente pessoal, o inconsciente coletivo e os reinos, para nós simples mortais inadmissíveis, onde se encontram as temíveis Senhoras do Destino ou do Darma, não sem antes pedir a Hermes, o grande mensageiro do Olimpo, que com seu Caduceu nos permita adentrar no domínios desse deus. Afinal estamos mergulhando em um plano onde tudo que foi, é e será criado se encontra na forma ainda latente.
Nossa aventura começa às margens do rio Aqueronte, cujas águas separam o mundo dos vivos e o dos mortos. Como não podia deixar de ser, uma névoa espessa impede qualquer visão do que está na margem oposta, de modo que só podemos vislumbrar nas águas sombrias, um barco se aproximando lentamente. Seu timoneiro é, sem sombra de dúvidas, Caronte, facilmente identificável pela capa e capuz negros, forrados de roxo, e um cajado enorme que também serve de remo. Procuro nervosamente pela moeda que terei de dá-la ao barqueiro em pagamento pelo serviço, e sem sentir entro junto com minha intuição na embarcação, já pensando se esta foi realmente uma boa idéia. Porém, minha companheira de viagem me acalma dizendo que afinal estou adentrando nesse plano astral, da única forma permitida a um ser vivo: através dela mesma, da sublimação do pensamento.
Quando aportamos na outra margem, fomos recebidas por um enorme cão de três cabeças, o Cérbero, fiel guardião daquelas terras que com suas múltiplas cabeças tem por missão impedir que nenhum ser do plano físico entre e que também nenhum ser que já tenha cruzado seus domínios dali saía. Ao seu lado, Hécate, a bela Senhora da Noite, recostada languidamente em seu luminar simbólico, a Lua, um resplandecente trono de luz difusa, nos indica que aquele e o Portal que nos levara ao mundo cada vez mais profundo do inconsciente, e nos dara acesso aos seus domínios de encantamentos, sortilégios e magias. De fato, passaram por nós, daí por diante, toda sorte de estruturas conceituais, idéias, símbolos, emoções, sons, cores e chaves capazes de abrirem todas as fechaduras que escondem os mistérios mais insondáveis. Enfim, tudo que conhecemos e ainda vamos descobrir, passaram por nós de forma tão rápida que se tornou impossível qualquer identificação mais precisa.
Nesta altura da viagem começamos a nos questionar se Hades nos concederia a honra de sua presença, aparecendo certamente sentado em um trono riquíssimo, coberto de pedras preciosas e ouro. Mas Ele apenas passou por nós em sua carruagem de fogo, em uma velocidade vertiginosa, puxada por corcéis negros, nos mostrando que todo poder que acreditamos ser possível obter é efêmero, fugaz mesmo, neste universo da terceira dimensão no qual estamos mergulhados. Como estamos eu e minha intuição tentando entender como pensa e age o deus das sombras, ficamos nos questionando qual o melhor caminho para nos aproximarmos dele ou decodificarmos seus símbolos enumerados aos milhares por todo esse plano. Foi aí que minha intuição me lembrou que nos planos fora da condensação mais intensa, a telepatia é a melhor forma para se comunicar, ainda mais, que tentar interromper a corrida vertiginosa da carruagem dele seria no mínimo deselegante de nossa parte, pois fomos recebidas com extrema diplomacia por todos, exceto pelas Hárpias que teimavam em fazer vôos rasantes sobre nossas cabeças, chegando algumas vezes a roçarem suas garras nos nossos cabelos.
Pois foi através da comunicação telepática que pudemos satisfazer nossa curiosidade sobre os poderes desse deus mais temido pelos mortais, exatamente porque esta experiência exige que o pesquisador enfrente certas áreas ainda consideradas tabus pela grande maioria das pessoas, tais como: sexo, posse, morte, obsessão, poder, fanatismos, culpa, ressentimentos e medos por serem energias consideradas perversas, esquecendo-nos que são apenas as antíteses de energias sublimes como aquela intimidade sincera que trás o amor, alegria por estar vivenciando as experiências da verdadeira vida, da vontade que sabe respeitar o espaço dos outros, da temperança, da cooperação, da conscientização e responsabilização dos seus atos, da coragem de enfrentar qualquer situação desde que seja para um fim altruísta ou nobre.. .
Hades ou Plutão rege exatamente essas áreas tabus, mostrando que no mundo dos mortais tudo tem sua antítese, seu oposto. Portanto se quisermos vivenciar os extremos de cada energia ou coisa, afinal parece que estamos nesta experiência para isso, teremos que enfrentá-los como um eixo onde a única possibilidade de equilíbrio se encontra no centro, quando as energias se cruzam. Mas, para chegar a este centro, torna-se imprescindível fazer a desconstrução de tudo que criamos tendo por base energias perversas, incinerando-as, indo até o signo oposto. Em qualquer Mapa, nos ensina Plutão, a casa ocupada por Ele, mostra onde a pessoa analisada deverá fazer, em algum momento da sua vida, a queima de seus valores, para reconstruir uma nova escala desses mesmos valores. Porem, quando a casa onde se encontra Plutão e a 8, a morada de Escorpião, então, esta pessoa precisa enfrentar inexoravelmente seus medos e a desconstrucao dos seus valores torna-se uma questão crucial, ate porque sem isso ela ficara como que paralisada frente aos embates do dia-a-dia.
Atrave’s da telepatia e de nossa companheira fiel, a intuição, Hades ainda nos ensinou que e’ a busca desenfreada pelo PODER, ou melhor dizendo, e’ o mau uso do poder que nos impele a cometer erros apos erros, vivenciando todas as energias perversas comentadas acima. Como Hades também simboliza a luz que rompe as trevas, haja vista sua carruagem de fogo que vai incinerando e iluminando as sombras do seu reino, o inconsciente, em vertiginosa velocidade, assim também nos, pela influencia Dele, devemos buscar a luz da conscientização para, saindo da alienação que a tudo encobre chegarmos ao equilíbrio ideal.
Como durante todo o tempo que recebíamos Dele seus preciosos ensinamentos estivemos em constante movimento, porque sentimos como que um impulso irresistível para seguir em frente, ate porque por aqui nada permaneceu estático, tudo se mostrou incrivelmente dinâmico e cheio de vida, percebemos que, à medida que caminhávamos, as sombras iam se tornando mais e mais espessas, ate que nossa visão ficou completamente bloqueada. Nem a mais tênue luz conseguia penetrar naquele imenso abismo negro. Confesso que um calafrio percorreu minha espinha, exatamente igual àquela sensação que sentimos perante os filmes de terror, quando pressentimos que alguma coisa horrível vai acontecer. Felizmente, Hades ainda estava em sintonia telepática conosco e nos explicou de certa forma acalmando-nos, que aquele era o reino do inconsciente coletivo mais profundo, morada das Senhoras do Destino ou Moiras. Realmente nem por intuição ou telepatia poderíamos adentrar neste reino, visto que o poder que dele emana e de tal magnitude que só os seres angelicais mais puros podem, com sua cintilação cósmica, la chegar.
O tom da voz de Hades tornou-se mais grave ainda, e minha intuição me disse que era chegada a hora de voltar, se ele permitisse e claro. Ele esclareceu que, como a humanidade esta entrando em uma Era Aquariana, permitiu a nossa visita assim como tem permitido a de muitos outros que pesquisam a mente com intuitos honestos e por isso mesmo louváveis, visto que o homem já esta, de certa forma, preparado para conhecer, pelo menos um pouco, do seu inconsciente pessoal e do inconsciente coletivo de sua civilização, única forma de anular nossas incontáveis limitações, reconstruindo nossos eus depois do corajoso enfrentamento com a única Luz que a tudo esclarece – a Verdade.
Voltamos ao nosso dia-a-dia trazendo em nossos corações a certeza de que estamos muito bem acompanhados por seres de muita luz, ate aqueles que nossa ignorância e cegueira felizmente temporária temem, pois são esses mesmos que guardam as chaves mágicas que irão abrir a grande Arca do Tesouro mais precioso que devemos encontrar nosso autoconhecimento.
* Magali Suchy é autora do livro Os 7 gênios planetários - suas dramaturgias e influências na jornada arquetípica humana, editado recentemente pela Thesaurus Editora
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