Descerrando os Véus de Netuno Posêidon

Magali Suchy acaba de lanças o livro Os 7 gênios planetários - suas dramaturgias e influências na jornada arquetípica humana, e neste artigo aprofunda um pouco mais sobre o deus Netuno/Poseidon. Confira abaixo:

Por Magali Suchy*, especial para a Revista Nós Fora dos Eixos

Para obter a permissão desse deus regente de todas as regiões subaquáticas, desde as abissais occeânicas até os inocentes riachos e lagos, para uma incursão nos seus domínios, resolvi chamar como acompanhantes dessa aventura, a Música, a Emoção e a Intuição, as minhas “Três Graças”.

Com nossas mãos entrelaçadas e em estado de meditação, chegamos a um imenso salão, tão grande que não dava para se vislumbrar seus limites. Véus da mais fina musselina, só depois identifiquei como sutis correntes de água, dançavam e se misturavam entre si, impedindo uma visão mais clara daquele lugar, no mínimo fascinante. Aliás, nada parecia ter contornos definidos, mas pudemos admirar conjuntos de corais e conchas, presos às colunas monumentais que ofereciam aos nossos olhos atônitos, pérolas de todos os tamanhos e tons. Fora isto, pendiam do teto em lugar de candelabros tranças de musgos, plantas aquáticas e caramujos nacarados. Tudo estava pronto para uma grande festa, na verdade um baile de máscaras, onde todo o resplendor daquele reino poderia ser apreciado, bastando para isso se deixar levar pelas mãos inefáveis de seres como eu mesma me permiti.

A música principiou hesitante, com um pouco mais que o sussurrar de cordas. Logo apareceram figuras melódicas mais vibrantes, fragmentos de músicas conhecidas que se convertiam em uma sucessão de harmonias; os véus pouco a pouco foram se dissipando, deixando antever casais mascarados que rodopiavam em um ritmo cada vez mais frenético, numa clara demonstração de como as emoções ganham vida, à medida que a intuição vai-se deixando envolver pela música, pelos cheiros, não importando se as pessoas e objetos se apresentam lógicos ou bem definidos. Realmente, no reino das emoções mais profundas ou dos sentimentos, basta um leve toque de um som sutil ou um suave perfume para que lembranças ganhem forma e permitam que a intuição se deixe levar para o mundo dos símbolos antes adormecidos, e que se encontram em profusão no riquíssimo reino simbolizado pelos oceanos, rios e lagos, legítimos representantes dessa área bastante temida e também desconhecida do ser humano, por ser de difícil controle, o reino das emoções.

Este é o Reino que Netuno (para os romanos) e Posêidon (para os gregos) preside. Netuno é o único planeta que existe em forma de material etérico para nós aqui na Terra. Como a experiência pessoal com este regente é extremamente subjetiva, vamos encontrar expressões como fogo-fátuo, algo pegajoso, teias que envolvem o visitante deste plano chamado astral, para tentar definir essas formas sutis e fazer pessoas que não são piscianas ou trabalham com o etérico, entenderem do que estamos falando. Realmente, descrever espíritos, demônios, fantasmas e forças invasoras astrais e introduzi-los numa realidade mental e física tentando decodificar seus símbolos, torna-se uma tarefa árdua visto que cada um tem suas próprias experiências, suas próprias lembranças e emoções. Portanto se levarmos em conta que cada ser humano terá a expansão de consciência que sua percepção permitir, podemos imaginar como esta dimensão astral é incomensurável e totalmente subjetiva.

Tanto que esta experiência que narrei no início deste texto, provavelmente nunca será exatamente a mesma para outra pessoa e as “Três Graças” que me acompanharam também serão diferentes para cada um que se decidir mergulhar neste reino. Talvez eu mesma, se fizer esta mesma “viagem” em outro momento da minha vida, já terei uma nova experiência. Isto deve dar a exata dimensão da palavra dinamismo, assim como mostrar às pessoas que se identificarmos nossos fantasmas astrais ficaremos livres do jugo das emoções que tentam nos controlar, não fugindo delas como monstros que nos aterrorizam nos pesadelos, mas encarando-as como algo passageiro e fugaz.

À medida que evoluímos espiritualmente mais fácil se torna a identificação e conseqüente decodificação dos símbolos que estão como que flutuando neste incomensurável Mar Cósmico, à espera de quem os traga para a superfície a fim de que nesta emersão possam ser materializados segundo a necessidade de cada um, trazendo à tona o riquíssimo acervo que lá está, para ser aproveitado nesta saga em que somos os atores, na busca do autoconhecimento.

* Magali Suchy é autora do livro Os 7 gênios planetários - suas dramaturgias e influências na jornada arquetípica humana, editado recentemente pela Thesaurus Editora

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