Urano: o senhor da luz

Magali Suchy acaba de lanças o livro Os 7 gênios planetários - suas dramaturgias e influências na jornada arquetípica humana, e neste artigo aprofunda um pouco mais sobre o deus Netuno/Poseidon. Confira abaixo:

Por Magali Suchy*, especial para a Revista Nós Fora dos Eixos

Completando a trilogia que começou quando decidi discorrer sobre os Três Planetas chamados impessoais ___Urano, Netuno e Plutão, pensei em levá-los a conhecer um pouco mais sobre Urano e seu reino que compreende todo o universo da terceira dimensão. Como fiz nos outros dois textos anteriores continuei a dar um tratamento poético, lírico mesmo, porquanto tudo que se tem escrito a respeito desses luminares está preso a uma concepção astrológica tradicional ou friamente científica quando a fonte é astronômica.

Chamei para me acompanhar nesta aventura espacial, minha criatividade e minha imaginação, duas companhias fundamentais, pois Urano pode ser considerado como o Primeiro Grande Mago, aquele que primeiro manipulou os símbolos, idéias, emoções, enfim tudo que existiu, existe e existirá e que jazem na forma latente nas dimensões mais sutis, decodificando-os e condensando-os, trazendo-os para o plano físico.

Minhas companheiras me tele transportaram para o início de tudo, quando ocorreu o fenômeno a que os pesquisadores chamaram de BIG BANG. Foi aí, neste espetáculo inenarrável que aconteceu simultaneamente a criação da grande primeva tese e de sua grande antítese, logo também da primeva grande oposição gerada por Urano:————————_____do incomensurável oceano cósmico, informe, índigo, começa a se formar um imenso círculo reluzente que a tudo delimita e define até acontecer a explosão cuja estupenda energia em forma de cintilação foi pulverizando e espalhando sua luz cósmica e estrondo por todo o espaço sideral em franca oposição àquela natureza até então inerte, sob a forma de raios e sons, primeiro em uma velocidade tão intensa que iam invadindo, dilacerando o todo, digladiando-se entre si na mais terrível batalha que já existiu entre forças opostas. Mas, à medida que a velocidade foi perdendo a força, os raios provindos da cintilação primeva começaram a apresentar um espectro colorido devido à própria refração da luz; a condensação permitiu a formação dos primeiros corpos estelares e o universo da terceira dimensão começou a se formar, tendo como maestro dessa majestosa sinfonia vibracional galáctica a regência de Urano. Toda essa inacreditável equilibração, que pudemos admirar boquiabertas, também podem ser admiradas com os mais potentes telescópios e que mostram incontáveis sistemas planetários, aglomerações estelares, galáxias tão distantes que sua luz nunca chegará a ser descoberta , ou já não mais existem para nós, seres cuja existência é muito curta em relação ao tempo sideral, e que por sua vez seguem Leis Imutáveis relacionadas à Evolução das Espécies, tudo isto repetimos será encontrado também nos micro universos só visíveis através de microscópios que já conseguiram captar seres que de tão ínfimos se apresentam como ondas, portanto, não existem como indivíduos.

Pois é Urano que nos deu o primeiro exemplo de como, a partir de um “insight”, nós seres humanos nos tornamos capazes de criar um universo físico, no qual exibimos a forma mais completa porque consciente de toda essa maravilha que é a criação. Por isso mesmo acabamos nos tornando a Grande Síntese resultante dessa experiência cósmica, pois além de trazemos implícitas as três dimensões (a física, a astral e a mental) só nós, quando atingimos a consciência desse poder, passamos a ter condições de fazer o caminho inverso, voltar à luz que é nossa real origem.

Há pouco tempo, um filme que fez um enorme sucesso e que tratava exatamente do poder do pensamento criativo:___”Quem Somos Nós”___ exemplificou muito bem como temos em nossas mãos, aliás em nossas mentes, uma infindável reserva dessa energia que é capaz de concretizar ou materializar tudo que formos capazes de captar nos outros planos existentes. Basta que aprendamos a “pescar” a matéria prima, que se encontra sob uma forma astral ou, ainda mais sutil, a mental isto é, sob uma condição de possibilidade ou potencial infinitos. É essa operação que permite que os inventores de todos os tempos tragam para o mundo físico toda sorte de novas idéias. Eles, na verdade, conseguem resgatar do oceano cósmico, no caldo das infindáveis possibilidades, onde estão imersos, toda sorte de estruturas, conceitos, idéias, tudo que foi, pode e deverá ser materializado pelo ser humano em um processo sem fim.

Mas, até uma potestade com tal poder, lembraram os gregos em sua Mitologia, ficou sujeita às probabilidades de um resultado incerto que fazem que tudo esteja ligado como uma imensa teia de modo que as coisas sempre dependerão umas das outras nesse plano finito aliás, mais uma Lei inexorável a qual estamos sujeitos, pois por conta do horror sentido por Urano pelo mal acabado quando gerou seres (os Titãs) que fugiam de seu apuradíssimo senso estético neste nosso planeta Terra ou Geia, decidiu “devolvê-los”para o útero que os gerou. Como conseqüência teve seu imenso “poder reprodutor” decepado pela sua própria criação, não sem antes, provavelmente como castigo, constatar que seus testículos decepados acabaram por criar o Amor e todos os demais sentimentos atrelados a ele na figura de Afrodite, algo que eternamente fugirá de seu extremo controle racional. Aliás, é bom que se lembre que nesta dimensão em que vivemos, estaremos sempre sujeitos às conseqüências de nossas escolhas e devemos estar preparados para assumir, por bem ou por mal, as responsabilidades dessas mesmas escolhas. Portanto, nós os Magos que descobrimos nossos poderes criativos, devemos sempre ter em mente que tal capacidade também exige do iniciante um profundo respeito pelas Leis Imutáveis, na verdade elas são as únicas coisas por aqui que não estão sujeitas às constantes mudanças mostrando ao homem que o futuro só retratará o presente, se não estiver livre das teias do passado. É a grande armadilha do tempo, uma ilusão que a Ética de Urano acabou por criar nesta terceira dimensão, e que lhe atingiu também, mostrando que a Justiça Cósmica é perfeita em seus ajustamentos, não permitindo que a sensação de ter poder acabe cegando ou deturpando os propósitos mais altruístas dos seres que compõem as HIERARQUIAS ou HOSTES CELESTIAIS, não privilegiando ninguém, nem mesmo o Senhor da Luz.

Isto tudo serve para mostrar a nós, iniciantes dessas artes mágicas, que como afirmou Hermes, o Trimegistos, o grande hierofante egípcio, segundo os ensinamentos do Grande e Inefável OSIRES, neste universo tudo é duplo e tudo é tríplice, isto é, tudo que existe contém em si as energias fundamentais dos planos mental, astral e físico, mesmo inconscientemente, mas reafirmou que também todas as coisas criadas tem seu oposto. Portanto, toda tese terá forçosamente, para existir, sua antítese que por conta da própria força de repulsão produzirá uma síntese que para existir, ter identidade, será ela própria uma nova tese que terá sua antítese em um movimento perpétuo. Em outras palavras, ninguém passará incólume pela experiência de viver e criar conscientemente algo, porque simultaneamente estará também criando seu oposto, que no final do embate acabará produzindo como resultante o somatório delas, gerando outras novas formas…

O Poder que acreditamos ter não é tão amplo para chegamos a supor que temos permissão total para criar e manter sobre controle como algo nosso, tudo que nosso egoísmo desejar, tal qual uma criança em uma iluminada loja de diversões ou brinquedos, e é essa sensação de poder absoluto, sem responsabilidades, que o torna ilusório porque ao criar o oposto sem querer acabamos por anular nosso objeto de desejo, e este acabará dissolvendo-se em sua própria síntese, e dessa forma tudo que julgávamos estar sob nosso controle, ser nossa criação, torna-se extremamente transitório, só nos restando cumprir nossas missões, seguir o ritmo cósmico e fazer a única magia sem culpa que nos resta: a autotransformação, conquistando o direito de voltar as nossas origens cósmicas, à Luz.

Eis aqui desmistificada a ilusão de sermos capazes de fazer uso do decantado livre-arbítrio indiscriminadamente, simplesmente porque neste engano é que estão mascaradas todas as escolhas que fazemos baseadas na sensação de posse e domínio que inexoravelmente acabarão nos levando à infelicidade.

Citando o Grande Mestre Sidharta Gautama, o BUDHA, a causa primeira de todos os sofrimentos da humanidade consiste na ilusão de ter a posse daquilo que julga seu.

De cabeça baixa, voltamos ao nosso dia-a-dia, não tristes pela lição de humildade que presenciamos, mas principalmente pela constatação de quão grandes são nossas responsabilidades frente aos que ainda caminham alienados pela vida, desperdiçando energias preciosas, alimentando suas ambições egoístas e sem propósito, pois se esqueceram que estão aqui de passagem, somente para uma curta experiência tão real quanto construir um belo castelo de areia na praia e assistir as ondas do mar desmancharem-no em instantes.

* Magali Suchy é autora do livro Os 7 gênios planetários - suas dramaturgias e influências na jornada arquetípica humana, editado recentemente pela Thesaurus Editora

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