A Festa da Imprensa Nacional

saguão do Auditório Dom João VI, durante as festividadesComo parte da comemoração dos 200 Anos da Imprensa Nacional, foi realizado ontem (12/05) no Auditório Don João VI um ciclo de debates e palestras, com abertura do Diretor-Geral da Imprensa nacional, Fernando Tolentino de Sousa Vieira, a Conferência do professor emérito da Universidade de Brasília e da Universidade de Erlangen-Nuremberg, Alemanha, Vamireh Chacon: Imprensa Nacional: Independência Intelectual do Brasil, e contou com a palestra da escritora e jornalista Rosa Nepomuceno, autora do livro “O Jardim de D. João”, bem como com a presença ilustre de Renata Santos, doutorando em História Social, da UFRJ, autora do livro “A Imagem Gravada”. Teve espaço na programação também a palestra de Francisca Azevedo, historiadora (mestrado em História da América Latina pela Temple University – EUA), autora do livro “Carlota Joaquina, Cartas Inéditas”.

livro_memorias.jpgNa ocasião o Comendador e Editor Victor Alegria lançou pelo selo da Thesaurus Editora de Brasília, o livro “Conde de Linhares” em edição fac-similar do livro livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis, patrono nº 1 da Academia Brasileira de Letras, e que também foi funcionário, no início do século XX, e patrono “in memoriam” da Imprensa Nacional.

A edição dos livros “O Conde de Linhares” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, ambas fac-similes, representam um verdadeiro tesouro, tanto no plano da memória nacional, devido à importância literária das obras no cenário brasileiro, bem como, por se tratarem de jóias filológicas.

O evento reuniu nomes expressivos da literatura brasileira e portuguesa. Esteve presente o presidente da Academia Brasileira de Letras Alberto Costa e Silva, bem como do presidente da Biblioteca Nacional de Portugal, Jorge Couto e do escritor português Rui Rasquilho.

Equipe da FUNAG distribuiu Livros na Rua da Série Diplomacia ao Alcance de TodosDurante a festa de comemoração dos 200 Anos da Imprensa Nacional, a editora Thesaurus em parceria com a Fundação Alexandre de Gusmão, distribuiu exemplares do Livro na Rua, série Diplomacia ao Alcance de Todos, que traz pequenas biografias dos nossos grandes diplomatas brasileiros, para os presentes.

Os livros – A transferência da Família Real de Portugal ao Brasil de 1807 a 1821, com toda a direção do estado e Governo já tinha sido proposta em 1578 quando do conflito entre os herdeiros do trono lusitano de Don Sebastião morto na Batalha de Alcácer-Quibir (1576) no Marrocos sem deixar filhos. Triunfou o parente espanhol, Felipe II, tornado Dom Felipe I em Portugal no que se denominou União Ibérica até 1640, quando Portugal reconquistou independência. Por tudo isso, durante o século XVIII o destacado diplomata Dom Luís da Cunha e o todo-poderoso Marquês de Pombal recomendaram a transferência da capital para o Brasil, onde seria mais viável a sede do império lusófono irradiando-se do Brasil à África, Oriente, Oceania e Portugal.

O escritor português Rui Rasquilho, o editor Victor Alegria e o presidente da ABL Alberto Costa e SilvaDom Rodrigo de Sousa Coutinho, afilhado protegido por Pombal no início da carreira diplomática brilhante, conseguiu sobreviver politicamente após a queda do padrinho. Veio a ser ministro de Estado mais de uma vez e exerceu a principal influência na decisão do Príncipe Regente, logo Rei Dom João VI, na transferência urgida pela invasão napoleônica de Portugal. No Brasil Dom Rodrigo de Sousa Coutinho tornou-se Conde de Linhares pelos seus grandes serviços, ao lado de outros estadistas portugueses, naquela transferência da sede de um Estado e não só da Corte, único caso europeu de tal traslado para fora do continente.

Intelectuais durante a solenidade de 200 anos da Imprensa NacionalJá o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, tem apresentação do escritor Domingos Proença Filho, da Academia Brasileira de Letras. O presente texto concretiza, 117 anos depois, um retorno às origens: a primeira edição em livro do romance foi lançada pela então Typographia Nacional em 1881 e é a Imprensa Nacional que assume a iniciativa de reapresentá-lo ao público, agora em fac-simile. O livro possibilita assim revisitar o original, raridade de bibliófilos.

Trata-se, efetivamente, da segunda edição do romance, inicialmente publicado na Revista Brasileira, de 15 de março a 15 de dezembro de 1880, o quinto dos nove escritos pelo autor.

A narrativa, escrita na maturidade dos quarenta anos, foi concebida ao longo de 1879, ao tempo em que Machado se viu acometido de uma retinite, que não lhe permitia ler ou escrever. A delicada D. Carolina é, a propósito, seus olhos e a mão que escreve o que dita, como ele mesmo revela em carta a magalhães de Azeredo, datada de 2 de abril de 1895.

No momento em que se registra o centenário de morte do Bruxo do Cosme Velho, o acesso possibilitado pela presente edição dessa obra-marco facilitará ainda o acompanhamento do processo de elaboração e estilística que marcam a sua escrita ficcional. Possibilitará também a comparação com as primeiras edições dos textos dos demais romances e contos do autor, produzidos antes e depois das Memórias.

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