Projeto Afro Bossa Nova faz show em Brasília e outras 15 capitais do País em homenagem a Tom Jobim
Os 50 anos da Bossa Nova serão festejados em grande estilo, com o Projeto Homenagem a Tom Jobim - Afro Bossa Nova, que fará apresentações em espaços públicos de 16 capitais do Brasil, a partir de 15 de maio. Os músicos Paulo Moura (clarinete) e Armandinho (bandolim e guitarra baiana) vêm à frente das comemorações, que prometem, além do repertório base formado por composições de Jobim, uma releitura da Bossa tradicional com instrumentos percussivos, com Giba Conceição, Gabí Guedes e Nei Sacramento, além do violão de Gabriel Improta. O evento em Brasília acontece no dia 21 de maio, às 20h, no Complexo Cultural da República, na Esplanada dos Ministérios. A entrada é franca. O grupo Choro Livre faz o show de abertura.
O projeto, realizado com o apoio do Instituto Votorantim, por meio do Programa de Democratização Cultural Votorantim, através da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, foca na possibilidade de a música instrumental ser difundida e apreciada por um número cada vez maior de pessoas. Assim, todas as apresentações serão em praças ou parque públicos e terão entrada franca.
O premiado maestro Paulo Moura acompanhou o surgimento da Bossa Nova no final da década de 50 e o músico e compositor Armandinho é considerado uma lenda da música brasileira. Os dois assinam os arranjos do Projeto Afro Bossa Nova, que tem a direção musical de Paulo Moura. O projeto, que vai até 15 de junho, também comemora os 90 anos do Grupo Votorantim.
Também com a proposta de valorizar a música regional, um grupo local se apresentará na abertura de cada show. “Em todas as suas regiões, o Brasil desponta como um dos países mais ricos em expressões de excelência e talento nos mais diversos gêneros e repertórios. O Projeto Afro Bossa Nova reflete essa fusão, trazendo para a harmonia refinada da Bossa Nova a massa sonora percussiva brasileira”, acredita João Falcão Neto, idealizador e produtor do tributo, juntamente com Paulo Argolo.
A crítica internacional tem aplaudido este projeto em suas apresentações pela Europa e Estados Unidos. No Festival Internacional de Música Sagrada, em Los Angeles (EUA), em setembro de 2005, o exigente e renomado crítico musical do “Los Angeles Times”, Don Heckman, afirmou: “As notas voavam em todas as direções, com ritmos de choro e sambas abundantes e seqüências (…) estouravam das caixas como novas e fascinantes entidades musicais (…) Tudo isso foi possível graças à combinação de virtuosidade e ecletismo musical (…) O sempre aventureiro Tom Jobim, teria, com certeza, amado tudo isso”.
Músicos
O saxofonista e clarinestista Paulo Moura esteve junto a Tom Jobim e Sérgio Mendes, na noite de Bossa Nova no Carnegie Hall, em 1962. Uma década depois, consolidou a trajetória de solista instrumental e percorreu desde então os cinco continentes, onde foi aclamado por platéias eruditas e populares. Para Elis Regina, Paulo Moura fez o arranjo de “O menino das Laranjas”, lançando-a ao estrelato; com Milton Nascimento regeu o “Milagre dos Peixes”, enquanto Radamés Gnatalli oferecia-lhe o repertório inteiro de outro LP memorável. Entre os inúmeros prêmios nacionais e internacionais, e uma discografia de mais de 30 CDs solos, destaca-se o I Grammy Latino de 2000 para Música Instrumental de Raiz.
O requinte de seus arranjos e sua maestria na música instrumental, que abrange da orquestra sinfônica à banda de gafieira, estão reunidos a Armandinho, numa releitura primorosa da agora já tradicional Bossa Nova. O vigor das tonalidades e rítmicas africanas que impregnam este estilo musical - nascido entre a zona sul carioca de Tom Jobim e batida afro do baiano João Gilberto - será ressaltado pela sua direção musical neste encontro que é a série Afro Bossa Nova.
Já o guitarrista, bandolinista e compositor baiano Armandinho é considerado uma lenda da música brasileira. Aos dez anos de idade, quando não estava escutando músicas de Tom Jobim e outros grandes nomes da música brasileira, acompanhava seu pai e criador do Trio Elétrico, Osmar Macedo, nas apresentações pelo País. Sua história de sucesso conta com diversos shows no exterior, 16 discos gravados, participações especiais em discos de grandes nomes da MPB e seis gravações como integrante da banda “A Cor do Som”, pela qual foi vencedor do prêmio Sharp de 1997. Seu talento é reconhecido e admirado em todo o mundo.
Afro Bossa Nova
Nascida em 1958, na zona sul do Rio de Janeiro, a Bossa Nova é um movimento musical que, de certa forma, exclui a percussão tradicional brasileira, de origem afro, e incorpora a bateria do jazz americano. No entanto, para adequar o ritmo às raízes brasileiras, o projeto Afro Bossa Nova faz uma leitura do movimento, inteiramente instrumental. “A releitura da Bossa Nova é de extrema riqueza porque valoriza a tradição e também traz o novo, difunde a música instrumental brasileira e abre novos mercados, explorando a diversidade de expressões de excelência e talento nos mais diversos gêneros e repertórios da música brasileira”, destaca Paulo Moura.
Já o guitarrista baiano Armandinho, afirma: “Como instrumentista, sobretudo por ter tido uma escola como o trio elétrico, conheço os caminhos de integrar a música instrumental às pessoas. O lado percussivo é importante porque o ritmo é muito conhecido. Então, nós podemos tocar clássicos com conotações rítmicas percussivas”, diz.
Para Armandinho, “faça o que se faça nada é tão importante quanto a própria Bossa Nova, sobretudo tocá-la no seu bom e original estilo João Gilberto, que é soberano e absoluto”. “Acontece que cada músico tem sua interpretação, instrumentos e histórias diferentes; daí misturar essa massa sonora percussiva tem haver com nossas origens”, afirma. “Bandolim e clarinete dão um toque sofisticado e o violão harmoniza e unifica esses elementos. Assim nasce a Afro Bossa Nova”, conclui.
Paulo Moura complementa: “Sinto-me honrado em participar desse projeto nos 50 anos da Bossa Nova e de ter estado na formação desse estilo. Tudo começou com Tom Jobim, Menescal, João Donato e João Gilberto que, com seus jeitos próprios de cantar e compor, são como pedras fundamentais da Bossa e os quatro músicos que, para mim, são únicos na harmonização do estilo e na mundialização do conceito do som da Bossa Nova”.
Programação:
João Pessoa, 15 de maio; Recife, 16 de maio; Fortaleza, 17 de maio; Belém, 18 de maio; Palmas, 20 de maio; Brasília, 21 de maio, às 20h, no Complexo Cultural da República, na Esplanada dos Ministérios, com show de abertura do grupo Choro Livre; Campo Grande, 24 de maio; Cuiabá, 25 de maio; Aracaju, 5 de junho; Salvador, 6 de junho; Belo Horizonte, 7 de junho; São Paulo, 8 de junho; Porto Alegre, 12 de junho; Florianópolis, 13 de junho; Curitiba, 14 de junho e Rio de Janeiro, 15 de junho.
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