Pássaro Azul livro de poesias
Helena Rodrigues lança seu livro, editado pela Thesaurus Editora de brasília na próxima semana dia 17 de junho (terça-feira), a partir das 19h, no Restaurante Carpe Diem – 104 Sul.
A autora fala um pouco do seu livro, que acompanha um CD com algumas poesias recitadas.
Informações: 3344 3738
Aos oito anos escrevi meu primeiro poema. Aliás, não escrevi. Falei meu primeiro poema. Nem sabia o que era um poema, mas sabia de onde vinha aquele texto improvisado e singelo: diretamente do meu coração. Nele eu descrevia o céu repleto de estrelas e do luar belíssimo a derramar seus raios no terreiro de nossa casa, ali, na Fazenda, fazendo a noite virar dia.
O clima lá fora era fresco e acolhedor. O lá de dentro, não. Havia tido mais uma das muitas dissidências entre meus pais e, então, meu pai, tomara a resolução de ir-se, abandonando o lar. Uma confusão imensurável. Minha mãe mergulhada numa crise nervosa, meus irmãos desesperados, sem saberem o que fazer e eu, tomada de pânico, achando que era o fim do mundo. E era! O meu universo infantil parecia desmoronar-se ali.
Bem, concluí a descrição dizendo que toda aquela beleza celestial fora feito por Deus! E que Deus não queria que ele fosse embora. Aprendera nas aulas de religião. O que não foi criado pelos homens, é criação de Deus. É Ele o autor de todo o corpo celeste e da Natureza. Explicara o professor.
Não apelei para construções metafóricas. Nem sabia da existência de metáforas. Foram frases claras, curtas, simples e objetivas. Talvez a carga dramática, apelativa e sincera com a qual elas foram ditas é que o sensibilizara. Descendo do animal, ele abraçou-se a mim e disse muito emocionado:
- Vá deitá, minha filha! Tá muito tarde. O pai num vai mais embora!
Depois agasalhou-se na banqueta da sala, o ambiente doméstico acalmou-se novamente e após alguns minutos somente as luzes do alto continuavam acesas.
Não sei se de fato ele cumpriria tal ameaça, e certamente jamais o saberei. Como também não poderia saber naquela noite que nascia em mim um pássaro que me levaria a sobrevoar a vida repleta de belezas e de contrastes que lhe são tão
peculiares.
Mais tarde o pássaro recebeu um nome próprio: Pássaro Azul! Suas asas voam em direção oposta, simbolizando a escalada humana no que se refere ao intelectual e a sabedoria. Dia virá em que elas se voltarão em sentido similar e seu voar então será harmônico e sereno. Como deve ser o vôo de cada um de nós.
O que mais me encantou nessas observâncias foi o sentimento no que se refere ao amor. O amor entre as pessoas e o amor destas pela Natureza. E não por ingenuidade de percepção. É que só o amor é real e absoluto. O resto é ilusão, desperdício de energia e perda de tempo.
Deseja viajar nas asas de o Pássaro Azul? Então, seja bem-vindo e cante com ele a Poesia que pulsa dentro de você.
Escute aqui algumas das faixas do CD:
Faixa 1
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