Três poemas de H.Dobal
A Revista Nós Fora dos Eixos preparou para seus leitores uma singela homenagem ao poeta H.Dobal, falecido em 22 de maio último. Nascido em Teresina em 17/10/1927, morou muitos anos em Brasília, onde era membro da Academia Brasiliense de Letras e da Associação Nacional de Escritores, além da Academia Piauiense de Letras. Bacharel em Direito, por muitos anos trbalhou no Ministério da Fazenda como auditor fiscal e presidente do Conselho de Contribuinte. Foi professor também da Escola Fazendária, Esaf. Em 1969, H. Dobal ganhou, com o livro O Dia Sem Presságios, o Prêmio “Jorge de Lima” (poesia), do Instituto Nacinal do Livro.
OBRA: O Tempo Conseqüente – 1966; O Dia Sem Presságios, 1970; A Viagem Imperfeita, 1973; A Província Deserta, 1974; A Serra das Confusões, 1978; A Cidade Substituída, 1978; Os Signos e as Siglas, (sobre Brasília) 1978; El Matador (folhetim), 1980; Cantigas de Folhas, 1989; Ephemera, 1995. O último livro saiu em 2002: H.Dobal – Poesia Reunida.
Abaixo três poemas de sua lavra.
Os Amantes
Eis-me de novo adolescente. Triste
vivo outra vez amor e solidão.
Canto em segredo palpitar macio
de pétala ou de asa abandonada.
Outro amor em silêncio e na incerteza
oprime o coração desalentado.
Ó lentidão dos dias brancos quando
a angústia os deseja breves como um sonho.
Insidioso amor em minha vida
reverte o tempo para o desespero,
a inquietação da adolescência
e o pensamento me torntura, prende
como se anunca houvesse outro consolo
que não é mais de amor. Porém de morte.
In Namorata
Vimos na tarde os peixes saltadores
e a morte da luz nas suas escamas.
Sonhamos o vôo das gaivotas
o silêncio da a´gua parada.
O sol o fogo o vento
os poderes da vida num momento
aceitos. E aceitamos a paz
das paisagens preparadas.
preparamos sem pressa o silêncio entre nós
sem saber ao certo o que devemos sentir:
pelo que não dizemos, nos perdoamos;
pelo que não nasceu, nos enterramos.
O nascer o morrer as dores
do fogo da vida. A vida na deriva do destino
segue o seu curso separado.
Os Cavalos da Noite
Os cavalos da noite galopando
de crinas soltas contra a luz da lua
eram fantasmas breves dominando
os sonhos de um menino solitário.
Um menino sem forças contraa noite
sonhava os seus cavalos assustados
e se inventava cavaleiro andante
dono dos seus caminhos pela vida.
Campeava as distãncia descuidado
e armado pelo sono ia amansando
no coração da treva os seus temores.
E revivia a noite no mistério
dosárdegos cavalos renovando
o seu campo de sonho solitário.
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