Lançamento do livro “Pai & Filho: um diálogo filosófico e matemático”
25/06/2008
Fotos do Lançamento do livro “Pai & Filho:
um diálogo filosófico e matemático” de Joel Faria de Abreu.
(Joel Faria de Abreu)
Foi antes de ontem , dia 23/06, o lançamento do livro “Pai & Filho: um diálogo filosófico e matemático” de Joel Faria de Abreu.Compareceram amigos, família e admiradores do escritor, que apresentou sua mais recente obra.
O livro conta histórias, recorda paradoxos, instiga reflexões, faz rir, demonstra teoremas. Nele você verá como calcular termos pitagóricos, além do (5,4,3). Verá também uma demonstração de que na equação a4=b4+c4 não existem valores inteiros positivos para a,b e c.

(O ilustrador do livro Pai e Filho, Altamiro Ferreira da Costa e Joel Faria de Abreu o escritor)
Matemática – divertida e curiosa, nas palavras de um divertido
matemático e escritor brasileiro. Matemática – uma ciência meio
esotérica, só acessível a alguns iniciados, terror da grande maioria
dos alunos do ensino médio e dos calouros das universidades.
Matemática – explorada como tema por muitos escritores, até mesmo
por Walt Disney, que, na sua genialidade, entendeu de misturar
dois conceitos, imaginando uma terra chamada “Matemagicolândia”,
onde a Matemática e a magia se confundem. Nesse sentido, o consagrado cientista global Karl Sagan asseverava que, para o homem comum, não há como distinguir a tecnologia da magia. Afinal, o que é a Matemática?

Não temos como fugir do conceito de que a Matemática é uma ciência, no sentido de resultado da soma sistematizada de conhecimentos históricos acumulados, passíveis de transmissão, com sua inconfundível natureza de universalidade e objetividade. Mas convenhamos que se trata de uma ciência um pouco diferente das demais, dados o seu nível peculiar de abstração e a sua característica de independência e descomprometimento com o pragmatismo, com resultados concretos, aplicáveis. Todo professor de Matemática certamente já foi inquirido alguma vez: “Professor, para que serve isso?”, “Professor, qual a utilidade daquilo?” Ora, todos sabemos que não se produz Matemática com um objetivo prático em vista, mas como um apuramento do exercício da inteligência humana na busca de critérios formais e lógicos que possam dar um respaldo seguro à busca do conhecimento, qualquer que seja a área em que se deseja aprofundar e sistematizar, com segurança, o entendimento dos profundos mistérios da natureza e da sociedade. Dentro desse enfoque, a Matemática pode se confundir com uma linguagem. Uma linguagem muito especial. Uma linguagem científica.

Conheci Samir há mais ou menos treze anos, quando ele, extasiado, interrompeu uma aula de Álgebra Linear que eu ministrava numa universidade em Brasília apenas para me informar em primeira mão que, finalmente, após séculos de tentativas, alguém havia demonstrado o Último Teorema de Fermat. Como ele não conseguia, noticiando aos brados a notícia, conter o seu entusiasmo, acabou contagiando os meus alunos, que, espertamente, logo pegaram a deixa, interromperam a matéria
e me exigiram a explicação da importância desse teorema. É claro que o teste agendado para a aula seguinte foi adiado.

Na Matemática existem alguns fenômenos interessantes, singulares, e que provam inequivocamente como ela, mais do que qualquer outra disciplina, é capaz de desafiar, seduzir e até mesmo subjugar o espírito humano. Estamos hoje na era da informática e podemos nem compreender direito por que razão alguns matemáticos do passado, quando ainda sequer se imaginava a possibilidade de existência das máquinas de calcular de hoje, dedicaram a sua vida inteira na busca frenética do valor de pi com dez casas decimais, com vinte, depois cinqüenta, cem casas decimais… Milhares de matemáticos, ao longo dos séculos, embranqueceram os cabelos tentando encontrar uma fórmula para os números primos.

O mesmo ocorreu com o Último Teorema de Fermat. Como ninguém conseguia demonstrá-lo, surgiram vários casos particulares do teorema, como para n igual a cinco, n igual a sete etc., donde se pode compreender e perdoar Samir pelo seu incontido entusiasmo, já que Andrew Wiles, um professor de Matemática, havia demonstrado o teorema para qualquer n – a vitória sobre um desafio que percorreu séculos e acabou até sacrificando vidas inteiras de matemáticos dedicados na busca da solução para o problema O professor Joel Faria de Abreu, colega de muitos e muitos anos, decidiu analisar com maior profundidade, depois de acumular uma sólida experiência no magistério, a natureza e as propriedades das n-uplas de números inteiros positivos.

Qualquer estudante de Matemática certamente sabe que o estudo sério da disciplina é difícil e árduo. É como se disse num certo livro de fábulas: “não existe um caminho real (fácil, privilegiado) para o aprendizado da Matemática”. Assim, um livro que trate desse assunto não pode deixar de apresentar seus desafios intelectuais e formais, os seus rigores naturais. O livro do professor Joel, apesar da leveza do texto, não pôde fugir do formalismo exigido pela Matemática nas demonstrações, que, nós sabemos, são indispensáveis. Em Matemática, uma proposição demonstrada – não tem erro! – é uma verdade incontestável.
Em algumas ocasiões são relembrados alguns interessantes paradoxos que apenas endossam a visão de que a Filosofia e a Matemática compartilham de uma fronteira muito tênue e indefinível. Desta maneira, recomendo este livro não só aos professores, mas também aos milhares de entusiastas da busca do conhecimento, pessoas que, pelo fato de buscarem o conhecimento, certamente jamais excluiriam a Matemática de sua peregrinação intelectual.
Escrito por Professor Waldemar Villas Bôas Filho
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