A criação de novos Estados - Verdade e Mito

Por Onofre Ribeiro*

capa_a_criacao_de_novos_estados.jpgConheci Pedro Valle em 1976. Ambos éramos jornalistas e trabalhávamos no Governo de Mato Grosso, ele na Secretaria de Fazenda e eu no Departamento de Divulgação do estado. Ao fim do governo Cássio Leite de Barros, em 15 de março de 1979, perdemos-nos um pouco de vista. Aposentado, ele mudou-se de Cuiabá e passamos a nos ver esporadicamente. Nosso encontro formal se deu quando ele publicou o seu livro “A Divisão de Mato Grosso”, em 1996.

Naquele livro, Pedro Valle exercitou um profundidade o seu espírito investigativo. Foi lá no passado e começou uma ampla construção da história da Província de Mato Grosso, com todos os seus ciclos econômicos, sua povoação e o desenvolvimento que levou a separação do território Sul, que resultou no estado de Mato Grosso do Sul.

Mas não foi apenas na História que Pedro Valle se demorou. Ele entrou nos questionamentos políticos que motivaram e que envolveram a divisão de Mato Grosso. Avaliou a política, com base em pesquisas de fontes seguras, e classificou como déspota o presidente Ernesto Geisel, o general-presidente que conduziu a divisão como um projeto pessoal. Fez as contas dos custos da divisão e das dívidas financeiras resultantes e deixou indagações ainda sem resposta sobre a real necessidade de se dividir Mato Grosso.

Agora, Pedro Valle retoma as suas pesquisas neste artigo “A Criação de Novos Estados – Verdade e Mito”, para publicação na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. Novamente, debruçou-se em pesquisas. Retomou parte dos estudos sobre a divisão de Mato Grosso, em 1979, mas extrapolou o assunto para todas as loucuras parlamentares que tramitam no Congresso Nacional tratando de divisões territoriais e da criação de novos estados.
Ironiza à vontade. Compara, mostra dados de população, mostra os custos desses projetos, e revela a sua completa inviabilidade política e econômica. Analisa a criação do Estado do Acre, na década de 60, o de Rondônia na década de 80 e de Tocantins, também na década de 80.

A fonte básica de pesquisas foi a mídia de todos os períodos abrangidos pelas loucuras políticas. Juntou pronunciamentos, o teor de projetos, a avaliação de pessoas comprometidas com a realidade, e nos impõem uma reflexão obrigatória: somos divisionistas natos, ou os nossos representantes empobreceram tanto que precisam agredir os patrimônios territoriais, culturais, econômicos, humanos e sociais dos estados da federação para terem uma passagem minimamente digna pela História?

Não saberia responder, porque de tudo um pouco povoa a imaginação dos nossos divisores eleitos ou nomeados para funções públicas. Contudo, uma coisa fica bem certa: depois de ler “A Criação de Novos Estados – Verdade e Mito”, qualquer um de nós ficará indignado o bastante para cortar na raiz da conversa, futuros projetos divisionistas que alguém tentar empurrar goela abaixo dos brasileiros. Para não falar dos mato-grossenses, escaldados com uma divisão e ameaçados com outras!

* é jornalista em Cuiabá e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso.

Compre o livro na Editora Thesaurus.

Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários

Nenhum comentário.

Comente este artigo

(obrigatório)

(obrigatório)