O Dragão da Lua e a Ninfa Sirinx

capa_heliodoro_dragao.jpgNa literatura, como na vida, as coisas também acontecem ao sabor de forças extraordinárias que eu chamaria DESTINO.

E, como já afirmei, no destino contém-se um natural fatalismo a conduzir-nos, às vezes, por caminhos inimaginados.

Mas o que pretendo dizer, nestas palavras de abertura, é que na literatura, por exemplo, aconteceu comigo realmente um imprevisto. Fui sendo arrastado para um desfecho que jamais imaginei.

Numa noite de Lua cheia, em Brasília, daquelas que só Brasília tem, ao regressar do trabalho, deparei-me com uma imensa Lua flutuando lá no céu mais lindo que já vi. ocorreu-me a idéia de escrever sobre aquela Lua, aquela noite, aquele céu. E, realmente, escrevi. Seria apenas o registro de um instante de deslumbramento. Da noite, da Lua esplendorosa na noite encantadora do Cerrado. Mas, ao falar da Lua de Brasília, outras luas vieram-me à lembrança. Lembrança gostosa que faria atrever-me a registrar no papel - que aceita tudo - imagens e lembranças, de repente acordadas no meu coração e na minha memória.

Lancei-me ao trabalho despretensioso, que imaginava terminar ao falar das minhas luas, e guardar tudo nos escaninhos de minhas recordações.

Não pretendia fazer um livro como este. Mas há uma força dentro de nós que nos leva a fazer coisas e querer mostrar aos outros aquilo que a gente fez.

Cheio de dúvidas, fui juntando palavras, compondo pensamentos, buscando recordações. Andei por vários caminhos levado pelas mãos da Literatura, que apaixona. Escrevi História sobre JK, falei da minha infância, fiz versos, cantei as luas, aquelas dos lugares onde vivi. Registrei pensamentos. Escrevi crônicas e contos. De repente, sem que percebesse, estava falando de São Jorge, da Plantinha-que-Fala, dos Beija-flores, de Monteiro Lobato, de Murilo Rubião e, sem saber como, iniciando um trabalho onde focaliza personagens que encantaram minha infância e a de milhões de crianças deste mundo que ficou sem a beleza daquelas histórias inocentes de então. Se meu destino literário não me arrastar para outros caminhos, irei buscar nos recônditos da memória as histórias que mamãe, minha avó, minhas tias e as empregadas lá de casa contavam. Procurarei trazê-las leves como eram, puras como foram, lindas como ainda são. Hei de ter tempo suficiente para deixar um pouco daquela felicidade inocente dos tempos que ficaram perdidos na lonjura de outros tempos.

Assim como na vida é o Destino que nos conduz, a Literatura, por seu turno, vai nos levando pelos caminhos que ela quer que sejam seguidos.

Quis fazer poesia para a Lua de Brasília.

Acabo louco de vontade de escrever histórias. Não como os gênios que foram Monteiro Lobato, Hans Christian Andersen, os irmãos Grimm e outros. Mas trazer de volta personagens já criados ou não, que poderão compor ou preencher as horas de sonho que, às vezes, nos assaltam, embora nossa infância e juventude já estejam distantes.

Nota - as palavras acima, escrevi-as bem antes de entrar nas trilhas definitivas das histórias que gostaria realmente de escrever. Quando dei por mim estava falando de personalidades de nossa história pátria, da mitologia grega e romana e de tantas coisas até impróprias para os fins a que imaginara atingir. Decidi, então, não mais publicar este livro.

Entretanto, vi que os meninos de hoje estão aptos a entender e até gostar de histórias que falam de coisas que parecem impróprias para suas idade. Conversando com minha bisnetinha Aghata Beatriz, de onze anos, pude observar que o amadurecimento, o conhecimento e a cultura das crianças de hoje já nos permitem falar-lhes de coisas, como a aparente confusão que é esta história do Dragãozinho e da Plantinha. Tudo pura fantasia.

Se não der certo, paciência. Alguém, como a filha do sobrinho de minha mulher, também jovem como a a Beatriz, quando leu estes textos achou-os interessantes e pediu-me um exemplar do livro quando estiver pronto. Fui além. Pedi à minha mulher que o lesse. Embora suspeita, achou emocionante. Pedi a outros que julgassem a nova redação que procurei dar aos textos. Aprovaram.

Assim, resolvi dar asas à imaginação e continuar meu trabalho, com o qual espero despertar meus leitores, jovens ou não, para o estudo das biografias de personalidades importantes e entes da mitologia grega e romana, tão fartas de lições, ensinamentos e fatos interessantes. Além, é claro, de reviver personagens das histórias contadas às crianças de outrora, sem os monstros, criaturas horríveis e os efeitos especiais que o cinema e a TV trazem hoje, sufocando as mentes infantis com coisas terríveis.

O glossário de personagens, indispensável neste caso, assim como os entes das mitologias grega e romana, apenas buscam informar aos leitores laivos de qua existência e um pouco sobre suas personalidade. Talvez desperte a curiosidade de alguém que, certamente, buscará em outras fontes, informações mais completas do que as que coloquei nas páginas deste livrinho.

Pra conferir o livro clique aqui.

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