Criadores de mantras de Anderson Braga Horta por Fernando Py
O título do livro pode parecer estranho. Mas Criadores de mantras, de Anderson Braga Horta (Brasília: Thesaurus, 2007), é um volume de ensaios e conferências sobre poetas e poesia; e o poema significa, para o autor, “uma espécie de mantra, ou a palavra mágica pela qual (…) nos pomos em comunicação com as esferas do indizível. (…) O poema é o agente catalisador; a poesia, uma vibração do espírito, ao estímulo daquele.” (p. 9)Assim, logo no começo do livro, Horta deixa clara a intenção de tratar o poema e a poesia de maneira nada ortodoxa, desde os ensaios teóricos, como o que abre o livro, até aqueles em que estuda, minuciosamente, os principais poetas brasileiros, do Romantismo até os contemporâneos pós-modernistas. Aliás, mostra-se Anderson profundo conhecedor de poesia, dando o melhor de si nos ensaios sobre Álvares de Azevedo, Vicente de Carvalho, Alphonsus de Guimaraens, Augusto dos Anjos, Manuel Bandeira, Augusto Frederico Schmidt e Mário Quintana. São textos em que o autor exibe, sem alarde, seus amplos conhecimentos sobre os poetas estudados, sobretudo Álvares de Azevedo, Vicente de Carvalho e Alphonsus de Guimaraens. Do primeiro traça um amplo panorama crítico-biográfico, enfatizando o que chama a sua “aventura espiritual”, ou seja, contrasta a sua vida efêmera com sua excepcional obra poética, e mostra como sua poesia se nutriu basicamente por uma poderosa imaginação, influenciando decisivamente alguns sucessores, como, entre os românticos, Casimiro de Abreu e Castro Alves, e, entre os parnasianos, Olavo Bilac. Nos dois textos sobre Alphonsus escreve com atenção, analisando sua grande musicalidade, que o tornou um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos. Em Vicente de Carvalho, ressalta sua – até certo ponto – equívoca filiação entre os parnasianos, mostrando como são poderosos em sua poesia o fundo romântico e a impregnação simbolista. Desse modo, todos os poetas estudados o são sempre em profundidade, nunca na superfície, e o volume, afinal, além de leitura altamente agradável, ensina muito a respeito da poesia brasileira do passado e do presente. Parabéns.FERNANDO PY
(“Criadores de Mantras” – Tribuna de Petrópolis, 11.7.8.)
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