A Escola pública humanizada e lúcida
Sabemos que a educação é subsistema político. E, como tal, corre sempre o risco de se tornar apenas uma questão de poder político-partidário.
Mas, como dizia Anísio Teixeira (Educação é um Direito, p. 32), referindo-se ao fato de que o homem será o que dele fizerem a sociedade e a educação escolar, “a sociedade democrática só subsistirá se produzir um tipo especial de educação escolar, a educação democrática, capaz de inculcar atitudes muito especiais e particularmente difíceis, por isso que contrárias a velhas atitudes milenárias do homem. Terá de inculcar o espírito de objetividade, o espírito de tolerância, o espírito de investigação, o espírito de ciência, o espírito de confiança e de amor ao homem e o da caeitação e utilização do novo – que a ciência a cada momento lhe traz – com um largo e generoso sentido humano”.
Os adultos precisamos ser mais humildes e admitir que não somos perfeitos e acabados; antes, em permanente processo de aprendizado, que muitos, como nós, admitem continuar além desta vida.
Para sentir nossas limitações, nossa “humanidade”, é suficiente a consciência de que somos uma amálgama de heranças históricas e genéticas somada às influências do meio familiar, do grupo social em que inseridos, dos níveis cultural e econômico alcançados, bem como da sociedade a que pertencemos. Todavia, “como presenças conscientes no mundo não podemos escapar à responsabilidade ética dos nossos movimentos para com o mundo, apesar dos condicionamentos genéticos, sociais e culturais a que estamos submetidos (Paulo Freire, in Pedagogia da Autonomia, p. 19).
Ademias, à medida que atingimos os diferentes níveis de ensino – fundamental, médio, superior, pós-superior –, damo-nos conta do amplo, complexo, diversificado e crescente avanço no campo do conhecimento humano, requerendo sucessivas e inesgotáveis atualizações.
Mas o crescimento humano não se restringe ao conhecimento das ciências humanas e exatas, ele cria um lastro magnificamente sensível ao meio em que vive o homem, ou seja, ao mundo de relações. E é essa sensibilidade que, ao lhe traçar as coordenadas de seus limites humanos, também lhe propicia a faculdade de compreender e respeitar “o outro”, sem o qual perderia a própria identidade.
É, pois, a respeito dessa necessidade intrínseca de cuidar “do outro”, no caso específico, do Aluno, para o qual deve convergir toda a atenção da comunidade da escola Pública, cujo papel fundamental é o de garantir o direito à educação.
Sobre a autora - Lindóia Barreto Vinhas é mestre em Educação pela Universidade federal da Bahia e natural de Salvador. Pós-graduou-se em Ciência Política (Universidade Aberta da UnB) e Administração Pública (CIPAD, FGV, Brasília). Exerceu o magistério em escolas do Ensino Fundamental e Médio (públicas, na maioria), em Salvador.
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