A Roda da Fortuna - máximas
Sem dúvida este livro vem enriquecer substancialmente a escassa produção do gênero em língua portuguesa. Desde já pode-se dizer que supera aqui tudo ou quase tudo em matéria de aforismo.
E não faz má figura até mesmo na milenar tradição dos afosrismos, provérbios, máximas e anexins da literatura mundial, na qual fulguram como expoente os Provérbios de Salomão, várias figuras da sabedoria da antiguidade grega e romana, diversos nomes franceses de brilhantes pensée (um deles Joubert, não tão famoso, mas excelente), sem esquecer os geniais Provérbios do Céu e do Inferno do grande William Blake.
O denominador comum das Máximas de Antônio Carlos Osório é, sem dúvida, um desencanto perpassado de acrimônia. Mas o azedume não cega a lucidez pungente, amenizada pelo humo, negro, quase sempre, mas de desabusada ironia. Em uma das mais idiossincráticas linhas temáticas – casamento – a análise talvez perca em objetividade o que ganha em vez o caricatural. Mas, ainda assim, não há como não admirar o epigrama sobre Dante e Beatriz (IV).
As minhas máximas favoritas não estão entre estas. Nem as tocantes e tão originais sobre os gatos. Pessoalmente prefiro as que sondam mais fundo e perspicazmente a condição humana. Entre elas destacam-se as reflexões sobre a solidão, a noite, o sonho, o coração, o0 silêncio, o envelhecimento e as considerações sobre as efeméridades da vida. Ao longo das seisentas máximas do livro, há momentos e mais momentos notabilíssimos.
Deguste o leitor lentamente o acridoce sabor destes aforismos. São tantos os de minha admiração! Espero que o leitor os aprecie tanto quanto eu. Quanta sabedoria! Um exemplo: ” Por vezes é mais fácil perdoar os inimigos do que perdoar-se a si próprio”; “Conhecer bem a humanidade, como toda saber, é uma alegria para o espírito. Mas uma tristeza para o coração”; “tenho dois companheiros inseparáveis: meu outro eu e a minha sombra. Quase nunca estamos o três de acordo, embora nos conheçamos há muitos anos”. “Atrás de cada sonho há um pesadelo à espreita!”.
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