Sonetos & Baladas, de Euclides de Carvalho Rios

A Revista Nós Fora dos Eixos selecionou três sonetos do novo livro de Euclides de Carvalho Rios para os nossos leitores. Publicado recentemente pela Editora Thesaurus de Brasília, o livro não tem pretensões de encantar leitores pelo Brasil a fora, mas sim, como diz o autor em suas próprias palavras “… possam ser motivos de enlevo, de recordação, de novos sonhos, de novas ilusões, de novas esperanças, lembranças dos dias vividos ora aqui, ora acolá”.

Você também pode ter seus poemas publicados em nossa Revista. Mande-os para o e-mail: cultpress@gmail.com.br, nós iremos lê-los e publicá-los também…
Abaixo segue os três sonetos, selecionados do livro Sonetos & Baladas.

Vasio

O poema triangular da minha dor
começa no quarto sem flores
onde mora a fria adolescência
do homem que nunca teve infância.

Um quarto pintado de azul claro
na pensão da rumena gorda e loura
frio e silencioso e escuro
é onde desperto para sofrer.

o desejo frequente de regresso
torna os dias de um mês
no calendário de um ano.

Onde estás, namorada de infância,
com a alegria da tua existência?
Esse quarto frio, sem flores… e essa ansia.

Ano-Velho

Eu choro, amargurado, o teu adeus!
Tu, verdugo da minha juventude,
Consumiste a alegria e a saúde,
Cagaste-me com os fulgores teus.

Destruiste meus anseios, meus amores,
Deixaste em minha face cicatrizes
E no coração profundas raízes
Do sofrimento de todas as dores.

Seja doce, porém, tal lembrança,
Que me infundiste amor, sem ser querido,
Que na agonia me deste Esperança.

Eu lamento, eu choro a tua partida,
Porque se te vais, triste e combalido
Vai também minha vida mais sofrida…

O Homem do asfalto

Dias e noites, sob sois e sob luas
Com a alma conturbada pelo assalto
Vaguei por essas praças e essas ruas
Buscando interpretar o homem do asfalto…

Tenho mirado faces calmas, cruas,
A cuja indiferença nunca falto.
Vi também bocas tão risonhas, nuas
Dessa tristeza que canto, que exalto.

Dizem que o homem do asfalto traz no rosto
As chagas da Saudade e da Tristeza
E no coração, a mágoa, o desgosto…

… E eu o busquei a vida inteira, a esmo!
Mas, eis aqui da dor a pobre presa:
– O Próscrito do asfalto, sou eu mesmo…

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Comentários

estes sonetos são ótimo e eu gostaria de saber como
faço para me inscrever este de 2008 tenho somente
54 anos e quero saber se posso participa do concurso me responda atravez do meu e-mail.
obrigada pela sua atenção
maria ocerzina moraes

Belos sonetos estes de Euclides de Carvalho. Destaco, sobretudo, “O homemno do asfalto”, o qual reflete a busca do autor por compreender um pouco do mistério de si mesmo e do outro, claro que essa busca é sempre em vão,(… “E eu o busquei a vida inteira, a esmo!”) pois quanto mais mergulhammos no breu interior que somos, mas perdidos nos encontramos, porém cada mergulho é um rastro de beleza que fica, é desse mergulho que nasce o sentido da vida: a poesisa, a música, Deus!

Parabéns a esse grande poeta calmonense que já não está entre nós!

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