No começo da tarde e no fim do dia
Esse é para quem vai começar a trabalhar na área da poesia, porque para trilhar essa highway não pode seguir despreparado, segura essa pérola de Manuel Gutiérrez Nájera (1859-1895), traduzido por Manoel Bandeira, que acabo de pescar no livro Criadores de Mantras, ensaios e conferências de Anderson Braga Horta.
Instantes
Quero morrer ao declinar do dia,
Em alto-mar, quando vem vindo a treva;
Lá me parecerá sonho a agonia,
E a alma uma ave que nos céus se eleva.
Não ouvir nos meus últimos instantes,
A sós com o mar e o céu, humanas mágoas,
Nem mais vozes e preces soluçantes,
Senão o grave retumbar das águas.
Morrer quando, ao crepúsculo, retira
A luz as áureas redes da onda verde,
E ser como esse sol que lento expira:
Algo de luminoso que se perde.
Morrer, e antes que o tempo me destrua
Da mocidade a esplêndida coroa;
Quando inda a vida ouço dizeer: sou tua,
Saiba eu embora que nos atraiçoa.”
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