MINAS GERAIS - As eleições e a cultura em Bom Despacho
JACINTO GUERRA
Na campanha eleitoral de 1996, as lideranças culturais de Bom Despacho lançaram um Manifesto aos Candidatos à Prefeitura e à Câmara Municipal, reivindicando iniciativas inovadoras e consistentes para a cultura e as artes.
Com isto, conseguimos um importante entendimento entre dois adversários: Haroldo Queiroz, vereador que se elegeu prefeito, e Célio Luquine, o governante municipal em final de mandato. Foi um exercício de democracia que trouxe benefícios para o nosso povo, principalmente a instituição da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, com apoio da Câmara Municipal. Isto ocorreu ainda em 1996, antes da posse dos novos dirigentes municipais, facilitando – e muito – as iniciativas do novo prefeito.
Sucessora da antiga Fundação Cultural, dos tempos do Dr.Mesquita na Prefeitura, nossa Secretaria de Cultura também fez história em Bom Despacho, principalmente com a instituição e o desenvolvimento do Museu da Cidade; a realização do Programa de Intercâmbio com Vila Verde-Portugal; a belíssima apresentação da Orquestra Strauss, de Viena, Áustria; as Exposições de Arte Infantil, as Feiras do Livro e o Concurso de Presépios.
Além disto, registra-se, com sucesso, ações e projetos de valorização de nossa cultura popular e a instituição do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural, que promoveu os primeiros tombamentos de bens culturais da cidade. Trata-se de uma exigência de Lei Estadual, que desperta os municípios para os valores de seu patrimônio de arte e cultura, ao mesmo tempo que traz novos recursos financeiros para o Município.
O governo seguinte, do prefeito Geraldo Simão Vaz – que teve o professor Tadeu de Araújo Teixeira como titular da Cultura – assinalou algumas conquistas expressivas, sobretudo na área de patrimônio cultural. Hoje, a Secretaria de Cultura e Turismo encontra-se desativada, mas isto é outro capítulo da história de avanços e retrocessos da cultura em nosso Município.
De nosso conhecimento, restam hoje, em Bom Despacho, duas instituições culturais, mantidas ou apoiadas pela Prefeitura: a Biblioteca Municipal e o Museu da Cidade, guerrilheiros da cultura, mantidos à custa de recursos mínimos, aliados ao esforço e à dedicação de funcionários e voluntários do nosso desenvolvimento.
Acredito que o Coral Voz & Vida esteja no mesmo barco que abriga, também, o Centro de Arte e Cultura, enquanto não se conhecem os projetos e ações da Adesc-Agência Bondespachense do Desenvolvimento, Econômico, Social e Cultural.
Por sua vez, o SESC-MG e a UNIPAC – Universidade Presidente Antônio Carlos são, também, organizações culturais, desenvolvem projetos importantes, mas são instituições de abrangência regional, que não podem se dedicar exclusivamente a Bom Despacho.
A cidade precisa, sobretudo em sua área mais central, de pequenos auditórios de uso múltiplo, para exposições de arte e outros eventos, além de prédios para a Biblioteca e o Museu, tendo em vista a independência e as características especiais de cada uma destas instituições.
Por tudo isto, os candidatos à Prefeitura, nestas eleições de 2008 – Haroldo Queiroz (PDT), que luta pela reeleição, e Vital Guimarães (PSDB), em nova campanha pelo governo municipal – têm a obrigação de estudar e planejar um programa consistente e moderno para a cultura e as artes em nosso Município.
Quem subir as escadarias do Paço Municipal Antônio Leite, na condição de governador da cidade, terá que recuperar o enorme tempo que perdemos nesta e noutras questões de grande interesse para o nosso povo.
Principalmente no setor da cultura e das artes, é preciso ouvir os profissionais da área e os cidadãos mais interessados nas questões de educação, lazer e turismo. Mais ainda: é preciso de um forte apoio da sociedade civil, porque não é correto esperar que o governo faça tudo sozinho.
Mais importante ainda é a decisão política que deve ser consolidada na Câmara Municipal, porque o vereador é o nosso representante, o cidadão e líder que escolhermos para estudar e encontrar as soluções que a comunidade exige.
Não é possível que esta cidade da Senhora do Sol – com um potencial turístico dos mais interessantes, em razão de seus valores culturais diversos – fique parada no tempo, como acontece, agora, em pleno século XXI, nas portas do Centenário de Bom Despacho como cidade e município de Minas Gerais e da República Federativa do Brasil.
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Jacinto Guerra, professor e escritor, é autor de vários livros, entre os quais Uma Casa Navega no Mar-crônicas, contos e pequenos ensaios (Thesaurus, Brasília, 2008), e foi Secretário Municipal de Cultura e Turismo de Bom Despacho (1997 – 2000).
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