Dois livros, raros, fac-similares, nos 200 anos da Imprensa Nacional

A Imprensa Nacional (antiga Impressão Régia), que diariamente publica as leis do país, está completando 200 anos. Este bicentenário, por causa dela, é também os 200 anos da imprensa brasileira, do primeiro jornal impresso no Brasil (Gazeta do Rio de Janeiro), da indústria gráfica, da produção editorial, da publicidade e da gravura. Não é pouca coisa.

O que nem todos sabem é que a Imprensa Nacional foi até o ano 2000 uma grande casa editora, cujo legado à cultura e à civilização do país merece um estudo adequado, mesmo que esteja prestes a ser relançada por uma editora paulista a obra “Bibliografia da Impressão Régia”, da Edusp, primeira edição prefaciada por José Mindlin. Esse livro cobre o período entre 1808 e 1822, no qual sairam dos prelos primeira casa publicadora do Brasil nada menos do que 1.154 obras.

Machado em fac-simile

Machado em fac-simile

A Comissão Comemorativa do Bicentenário da Imprensa Nacional teve a iniciativa de lançar a segunda edição, fac-similar e numerada, de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, cuja primeira edição é de 1881 e foi rodada pela Typographia Nacional, um dos nomes, ao longo da história, da Imprensa Nacional. Isso só foi possível graças ao apoio da Academia Brasileira de Letras e ao editor Victor Alegria, que dirige a pequena e “cult” Editora Thesaurus, e também ao apoio da Fundação Biblioteca Nacional. A edição é prefaciada pelo acadêmico Domício Proença Filho e a tiragem inicial é de apenas 200 exemplares, numerados.

Trata-se também de uma homenagem à memória de Machado de Assis, que foi servidor da Imprensa Nacional. O ano de 2008 é o Ano Machado de Assis. O centenário de sua morte é lembrado com uma série de eventos, tanto por parte da Academia Brasileira de Letras como pela Comissão Comemorativa do Bicentenário da Imprensa Nacional, que organiza atividades para setembro.

O outro presente literário que a aniversariante Imprensa Nacional oferece ao público leitor é a primeira edição no Brasil (fac-similar, também) de “O Conde de Linhares”, do Marquês de Funchal, cuja primeira edição, portuguesa, completa o primeiro centenário este ano.

Isso só foi possível graças ao fato de o professor emérito da Universidade de Brasília Vamireh Chacon ter encontrado em um antiquário de Lisboa um exemplar da primeira edição e tê-lo oferecido à Comissão do Bicentenário da Imprensa Nacional para que ela publicasse a obra. Num primeiro momento, isso parecia impossível, pois a comissão não dispunha de quaisquer recursos. Foi aí que entrou em cena, novamente, o editor-mecenas Victor Alegria, que assumiu a responsabilidade de bancar uma tiragem de 400 exemplares. O livro, com tratamento requintado, foi lançado dia 12 de maio na Imprensa Nacional  e pode ser adquirido por meio do endereço eletrônico da Editora Thesaurus (www. thesaurus. com.br).

O Conde de Linhares, edição fac-simile

O Conde de Linhares, edição fac-simile

Essa é a primeira biografia do Conde de Linhares,  ou D. Rodrigo de Sousa Coutinho, publicada no Brasil. O volume com 366 páginas é apresentado por Vamireh Chacon. O livro, de valor óbvio, fala daquele que hoje é denominado “o cérebro da Corte”, dada a sua inteligência e competência em um sem-número de ações administrativas, das quais se destacam todas aquelas que resultaram no início da construção do Estado brasileiro. Até sua morte, em 1816, o Conde de Linhares foi o principal assessor do príncipe regente D. João. O próprio decreto que criou a Impressão Régia foi escrito por ele.

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