O poeta que tem um novo jeito de caminhar
“Eu estou feliz, porque estou fazendo a minha parte”. A frase foi repetida umas três vezes. A voz que a proferiu é de um homem já de cabelos brancos e aparência frágil. Vestido de branco, dos pés à cabeça, a voz firme foi falando no que mais parecia uma lição de valores da vida, da defesa dos direitos humanos, do respeito pelo próximo. Mas também não se podia esperar outra coisa, afinal o orador é o autor do célebre poema “Estatutos do Homem”, considerado uma página gloriosa da literatura universal.
O amazonense Thiago de Mello falava no auditório do café literário para uma platéia atenta e completamente rendida a esta grande referência do panoramo literário português.
As palavras vão fluindo, enquanto ele salta de tema em tema - “o Paulinho (Pablo) Neruda dizia-me sempre, a tua conversa parece uma árvore com vários galhos, e estás sempre a saltar de um para outro, o que vale é que voltas sempre ao ponto de partida” - sempre num discurso despretensioso com único e fundamental intuíto de transmitir uma experiência vivida, de lembrar aos mais incautos de que “o amor é o maior ato de justiça”. O homenageado da 27ª Feira do Livro de Brasília é internacionalmente reconhecido como um dos maiores defensores da causa dos direitos humanos. Nasceu na cidade de Barreirinha, tendo trocado a faculdade de Medicina para se dedicar à poesia. Suas obras foram traduzidas para mais de 30 idiomas. Amigo íntimo de Pablo Neruda, que conheceu na época do exílio no Chile, a sua poesia é uma mescla de aspectos culturais de um povo e suas experiências pessoais. Procurano sempre evidenciar os valores humanos como ponto de partida para a criação de um clima de convivência justa e fraterna, Thiago de Mello foi desde cedo visto pelos críticos como um poeta completo, com forte expressividade.
Durante o “bate-papo” que mantinha com o público da Feira de Livro de Brasília, contou, visivelmente emocionado, que uma mulher se dirigiu a ele apresentando-lhe um garoto: “é meu filho, ele se chama Thiago por sua causa”. Para o autor, esse foi um momento de “muita, muita emoção”. Emoção que se vê também em cada vez que se refere à sua mulher, Pollyanna Furtado, também presente no evento. Por tudo isto, e por muito mais que fica por dizer, o certo é que ouvir este poeta desfiando sabedoria num tom de conversa informal é uma experiência marcante. E partimos sempre com uma pista, “vocês prometeram fazer a vossa parte”, diz, cumprimentado os presentes, o homem escreveu que não tem um caminho novo, “o que eu tenho de novo é um jeito de caminhar”. Seguimo-lo, pois.
Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.


Comentários
Nenhum comentário.
Comente este artigo