Escritor bom é escritor morto?

Vestido de escritor morto, M.P.haickel chamou atenção dos leitores da Feira do Livro

Vestido de escritor morto, M.P.haickel chamou atenção dos leitores da Feira do Livro

O escritor de romances juvenis, M.P.Haickel, autor do romance-folhetim Cinza da Solidão, desfilou ontem, durante a 27ª Feira do Livro de Brasília, vestido de caveira e com uma placa um tanto irreverente: ESCRITOR BOM É ESCRITOR MORTO?

A idéia é chamar a atenção para o ensino de Literatura nas escolas bem como para o mercado editorial, que com raríssimas exceções dá destaque para os novos autores da nossa literatura. “Em geral o que se estuda nas escolas são autores que já morreram há 200 anos. Não sou contra os clássicos, reconheço sua importância, mas acredito também que deveria sobrar espaço para o ensino de literatura contemporânea para os nossos alunos, que muitas vezes por conta da obrigatoriedade da leitura dos clássicos e da própria linguagem do tipo ‘esperar-te-ei pela manhã’ acaba por desistimular os nossos alunos. Por outro lado é muito pouco o espaço oferecido pela mídia para os novos autores, o que acaba gerando a situação tostines: nós não temos escritores novos por que não são divulgados ou porque não são divulgados não temos escritores novos no mercado editorial brasileiro?” - alega M.P.Haickel que acabou provocando risos e muita polêmica ontem na 27ª Feira do Livro, ao desfilar vestido de caveira pelos corredores.

O presidente da Câmara do Livro do DF Valter Silva com o irreverente M.P.Haickel

O presidente da Câmara do Livro do DF Valter Silva com o irreverente M.P.Haickel

“Não vim aqui para protestar, mas sim para despertar a consciência de que o novo autor brasileiro tem também um compromisso de renovação dos nossos cânones literários. Hoje a literatura parte rumo a um dinamismo, principalmente com as novas tecnologias e o barateamento do custo para produção dos livros. Deveríamos ter um movimento literário capaz de agregar novos valores à história da litertura brasileira” - alega o escritor, que aproveita para chamar atenção para o processo de assassinato dos nossos autores pelo silêncio da nossa mídia. “É fácil de perceber que cada vez mais o jornalismo cultural está se sujeitando aos ditames da indústria cultural, o que implica num processo de desnacionalização da nossa literatura com a chegada maciça das grandes redes de livrarias, que além de matar os pequenos livreiros impõem um critério de ‘meretocracia’ na seleção de obras que serão expostas à venda em suas vitrines. Ou seja, como o que vende é o que tem espaço, a cadeia dos livros fica presa ao marketing das editoras multinacionais. Prova tanto disso é as listas dos livros mais vendidos publicados em nossos principais veículos de comunicação”.

Bate-papo com Cacá Diégues sobre literatura e cinema

Bate-papo com Cacá Diégues sobre literatura e cinema

M.P.Haickel pretende continuar até o dia 07/09 chamando atenção dos leitores e dos escritores da capital para o debate: “escritor bom é escritor morto?”, uma idéia polêmica, visto que nossos autores, independente da idade, só são notícias nas páginas de obtuários dos jornais brasileiros.

Sobre o livro Cinza da Solidão - O romance-folhetim Cinza da Solidão, de M.P.Haickel, chega as livrarias do país como uma crítica bem humorada e mordaz à história Social do Brasil. Cinza da Solidão é uma história romântica. Nela são dadas visões filosóficas, mostrando fragmentos de política, poesia e narrados intrigantes casos de amor. Está mais próximo de um grito, ou melhor, de uma declamação feita por um poeta de uma geração que viu o Brasil sair de uma trágica ditadura militar, para logo em seguida cair nas mãos de civis que foram cúmplices e parceiros dessa mesma ditadura.

Já à venda na 27ª Feira do Livro de Brasília no estande da Thesaurus, ou se preferir pelo site da editora: http://www.thesaurus.com.br. Valor R$ 20,00.

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Comentários

[...] Escritor bom é escritor morto? - Escritor faz um marketinzinho de guerrilha básica na feira de Brasília [...]

Caro Marco Polo,

Meus aplausos e reverências.
Mataram a poesia que ilumina o ser para o amor e foi-se tudo para a lixeira da vida.
Resgatar o outrora é viver um presente harmonioso e um futuro frutuoso. Viva o ser que pode dar-se em um pedaço de papel, que encanta pessoas, que afaga corações solitarios.
Viva a arte da escrita!

att,
ELISA RACHAUS

Parabéns pela maravilhosa idéia! Concordo plenamente com M.P.Haickel. Tô nessa!!!
Bjs,
Goi

P.S.: o novo formato do site ficou show! Esse lance de podermos ler as reportagens com fotos postadas e sem precisar “abrir” o arquivo, ficou ótimo e super prático. Evolução 10! Parabéns!

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