Lançada Traduzine, publicação feita por deficientes auditivos
Como parte das comemorações da Semana do Deficiente Auditivo, foi realizada, quinta-feira, 18.09, na Escola Classe 214 Sul, cerimônia de entrega dos exemplares da zine produzida e editada por 25 alunos deficientes auditivos – mais 5 ouvintes – que participaram, durante a 27ª edição da Feira do Livro de Brasília, da Oficina de Zine para Deficientes Auditivos, coordenada pelo zineiro e jornalista Marcelo Pirata.
Traduzine foi o nome escolhido por Pirata para batizar a zine resultante do projeto que concebeu a partir do raciocínio de que como nem todos conhecerem a Libras (linguagem de sinais), “só mesmo a palavra escrita pode estabelecer contato entre estes dois mundos”, define o zineiro, que faz questão de destacar o apoio obtido junto ao Núcleo de Ensino Sensorial da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal, que “não só aprovou e apoiou o projeto de imediato, como destacou professoras e intérpretes de Libras para acompanhamento dos alunos durante a oficina, facilitando minha comunicação com eles, e de modo a poderem dar seqüência ao trabalho depois, no dia-a-dia da escola”, destaca.
A oficina, segundo Olga Freitas, uma das professoras que acompanhou a oficina, cumpre um papel não só de inclusão social, mas, tão importante quanto, pedagógico, aprimorando a qualidade da comunicação textual dos deficientes auditivos, uma vez que muitos destes, quando escrevem, mantêm a síntese da comunicação – e do pensamento – em Libras, o que resulta, para quem não é DA, em um texto carente de raciocínio cognitivo, o que, conseqüentemente, pode reforçar o preconceito contra a capacidade de comunicação dos DAs.
A satisfação com o resultado foi ainda maior entre os alunos, quando, durante a cerimônia, receberam os exemplares da zine que produziram, na qual, escrevendo e desenhando, abordaram os mais diversos assuntos, começando pela importância da escrita e da leitura, passando por esportes e cultura, chegando até o universo da moda.
Um momento emocionante foi a da exibição de dois filmes. O primeiro, feito durante a oficina, mostrando os alunos produzindo a Traduzine; o segundo, produzido a partir do texto de uma aluna defendendo a importância da “cultura surda”.
Ao final, como forma de reconhecimento ao trabalho dos alunos, Marina Mendes e Marco Polo Haickel, representando a Thesaurus Editora de Brasília – que apoiou o projeto imprimindo a publicação –, distribuíram exemplares do livro do poeta brasiliense Nicolas Bher, um dos muitos títulos editados e difundidos pelo projeto “O Livro na Rua” – para o qual, inclusive, já se discute a possibilidade de uma edição produzida inteiramente por DAs.
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Muito boa matéria!!! A cultura surda carece divugação. Em especial, pelo modo particular de ver e sentir o mundo de uma população de minoria lingüística, que sofre a aculturação ouvinte sem maiores questionamentos.
Muitas vezes relegados ao plano do déficit cognitivo, dadas as peculiaridades de aquisição da língua escrita (sua segunda língua), as pessoas surdas (como preferem ser chamadas) merecem e precisam da atenção de quem valorize o que elas têm a “dizer”.
Só pra lembrar: somos, todos, feitos de silêncio e sons…
Bravo, Marco Polo!!!
Olga Freitas